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Ana Cristina |
| Artigo Técnico LINFOTERAPIA NA ONCOLOGIA História
Em l952, GERTRUDE BEARD definiu a massagem como manipulação
dos tecidos moles do corpo, com o propósito de produzir efeitos locais e
gerais, atuando nos sistemas muscular, nervoso, respiratório e circulatório
(sangüíneo e linfático). Reconhecido
como o pai da drenagem linfática, EMIL VODDER, inicialmente doutor em
Filosofia, depois Fisioterapeuta, entre l932 e l936 interessou-se pelos
trabalhos e pesquisas de ALEXIS CARREL.
Em
1912, Alexis Carrel ganhou o Prêmio Nobel por ter conseguido a
surpreendente experiência de manter células de frango vivas,
ao renovar regularmente o líquido linfático em que
estavam mergulhadas. Intrigado, então, pelo sistema linfático e
seguindo sua intuição, durante o tratamento de um paciente com sinusite,
Vodder divulgou, em Cannes, um método completo e original: a drenagem
linfática. Esta foi então descrita como movimentos em círculos,
efetuados com suavidade e de forma rítmica, com o objetivo de tratar
patologias diferentes e reabsorver os edemas. Hoje,
a drenagem linfática manual adquiriu um lugar de destaque no tratamento
de edemas e linfedemas. A Sociedade Internacional de Linfologia reconhece
e adota, em consenso, a Fisioterapia Complexa Descongestiva combinada à
drenagem linfática manual, bandagens compressivas, exercícios terapêuticos
e contenções elásticas. A fisioterapia
para o edema e o linfedema baseia-se sempre nos princípios fisiológicos
do sistema linfático e, no Brasil, recebe o nome de LINFOTERAPIA. Prevenção do Linfedema Vários
aspectos do linfedema, poderão ser minimizados
ou eliminados com a
intervenção precoce da fisioterapia, principalmente através da
cinesioterapia específica, associada à técnicas de linfodrenagem manual
e aos cuidados gerais profiláticos. A
cinesioterapia é um fator preventivo do linfedema, pois, adquirindo a
amplitude normal dos movimentos
em todos os eixos, evita-se aparecimento de
aderência, fibrose e retrações; diminui-se a dor; mantém-se
estimulada a absorção e transporte linfáticos. Não
se discute mais, hoje em dia, qual a melhor técnica de
linfodrenagem manual. A massagem já mostrou sua eficácia em
estimular a circulação linfática através de vários métodos, desde a
microscopia eletrônica até a linfocintigrafia. O
paciente tem que ter uma
participação ativa e compreensão de todas as razões quanto às orientações
passadas pelo Fisioterapeuta. Estas são
as condições mais importantes para que se tenha resultados positivos na
profilaxia do lindedema. É
necessário mostrar ao
paciente os fatores que favorecem o aparecimento do linfedema e aqueles
que o agravam, para que se tenha uma colaboração adequada e conscientização
do tratamento proposto. É importante a participação dos familiares com
o objetivo de auxiliar na compreensão e aceitação do tratamento. Linfoterapia
A
Linfoterapia é a técnica mais empregada e, atualmente, é a
que obtém melhores resultados no tratamento e prevenção do
linfedema. Baseada essencialmente na fisiopatologia do sistema linfático
e acrescentando as experiências e conhecimentos mundiais mais atualizados
em Linfologia, utiliza vários recursos fisioterápicos como:
linfodrenagem manual, enfaixamento compressivo funcional, cinesioterapia
específica, cuidados com a pele, automassagem linfática e uso de contenção
elástica. No linfedema da Fase I,
empregam-se apenas a automassagem e os cuidados com a pele, enquanto nos linfedemas mais graves (Fases II, III e
IV) todos os recursos são utilizados no tratamento, que é, então,
dividido em duas fases. A
primeira fase da linfoterapia
é intensiva, com frequência diária ou em dias alternados das terapias,
e tem como principal objetivo a redução máxima do volume do linfedema e
conseqüente melhora da estética e função do membro. Empregam-se os
cuidados com a pele, a linfodrenagem manual, o enfaixamento compressivo
funcional, a automassagem e a cinesioterapia. A
segunda fase tem como
objetivo manter pelo máximo de tempo possível a melhora conseguida na
primeira fase, e por isto é denominada fase de manutenção.
Utiliza como recursos a automassagem linfática, os cuidados com a
pele, a cinesioterapia, a contenção elástica de uso contínuo e, quando
necessário, a linfodrenagem manual e o auto-enfaixamento. No
consenso mundial atual, conclui-se que somente a combinação da
linfodrenagem manual, exercícios e enfaixamento compressivo seja eficaz
para a melhora do linfedema. Estudos recentes, realizados através da
linfocintigrafia, com injeção de colóides marcados com tecnécio-99,
demonstram os efeitos da linfodrenagem manual e da cinesioterapia com o
enfaixamento compressivo, observando-se uma melhor captação do radiofármaco,
assim como melhora da reabsorção linfática
e um aumento da velocidade do fluxo linfático. Princípios Fisiológicos A
massagem de linfodrenagem é uma técnica complexa, representada por um
conjunto de manobras muito específicas, que atuam basicamente sobre o
sistema linfático superficial, visando drenar o excesso de líquido
acumulado no interstício, nos tecidos e dentro dos vasos, através da
anastomoses superficiais linfo-linfáticas axilo-axilar e axilo-inguinal.
Uma outra atuação é no sentido de dissolver fibroses linfoestáticas
que se apresentam em linfedemas mais exuberantes. As
manobras são lentas, rítmicas e suaves, devendo sempre direcionar sua
pressão obedecendo o sentido da drenagem
linfática fisiológica. Para que o objetivo da drenagem da linfa
estagnada seja atingido, é imprescindível obedecer a uma seqüência
específica de regiões do corpo onde as manobras são executas. Numa sessão
de linfodrenagem, ocorrem dois processos: evacuação e captação. O
primeiro processo a ser realizado é o de evacuação, que libera as vias
linfáticas das regiões adjacentes à zona edemaciada, ou seja, as regiões
que receberão todo o líquido
drenado. A linfodrenagem manual sempre é iniciada numa região corporal
que esteja livre do linfedema, mas que deve ser evacuada, liberada e suas
vias linfáticas têm que ser estimuladas para aumentar seu fluxo,
aumentar a motricidade do linfangion,
podendo assim receber um volume maior de líquido vindo da região
edemaciada. Somente
após a realização da evacuação é que se executa a captação,
designada por um conjunto de manobras aplicadas sobre a região afetada,
visando drenar e absorver o líquido acumulado no interstício. A captação
só é iniciada quando, na palpação, observa-se um amolecimento da região
afetada com uma diminuição do volume nas regiões mais próximas,
significando que parte do líquido do linfedema já fluiu, já foi
evacuado. Muitas vezes, nas primeiras sessões de massagem, só se realiza
a evacuação e não se massageia a região afetada diretamente, pois ela
ainda está muito congestionada e seria inútil tentar agir sobre vasos
linfáticos ingurgitados, enquanto parte deste líquido não fluir para
vias linfáticas mais livres. Com o sistema linfático e o linfedema, o
processo é o mesmo. Grandes coletores
estão congestionados, assim como os capilares e o interstício estão
repletos de linfa. A linfodrenagem manual estimula vias já existentes, e
normalmente inativas, acelerando a condução
linfática. A manutenção de um rítmo contínuo e lento é fundamental
para que a linfa seja absorvida e conduzida gradativamente, de forma
progressiva e harmônica. Tratamento do Linfedema Sendo
patologia crônica, é preciso, em primeiro lugar, reduzir o volume da
região afetada, evitar processos inflamatórios ou infecciosos que
agravariam o problema e, depois, manter o linfedema
sob controle, utilizando recursos terapêuticos de manutenção. Não
basta um tratamento medicamentoso: é preciso melhorar ou restabelecer a
circulação linfática da região afetada e drenar o líquido
congestionado. Na
busca de ações terapêuticas mais eficientes e menos agressivas, a
Linfologia mundial chegou à
Fisioterapia que, utilizando recursos mecânicos locais e cuidados específicos,
consegue não só melhorar como manter a função da circulação linfática,
além de prevenir recidivas de infeções. Atualmente,
de acordo com o Documento de Consenso do Comitê Executivo da Sociedade
Internacional de Linfologia, divulgado em l995, o
linfedema tem como principal terapêutica a Fisioterapia Complexa
Descongestiva que, quando necessária, pode ser acompanhada de tratamento
medicamentoso, principalmente antibióticos no caso de infeções. Manobras de Linfodrenagem Linfodrenagem Manual Sabe-se
que as vias linfáticas da pele e do tecido subcutâneo não possuem uma
direção de fluxo definida, isto é, esses capilares não são valvulados
como os coletores linfáticos mais profundos. O sentido do fluxo linfático
superficial depende de forças externas ao sistema linfático, como a
contração muscular, os movimentos ativos e passivos e a massagem. Na
ocorrência de uma obstrução dos vasos profundos, os linfáticos
superficiais tentam transportar a linfa e restabelecer o equilíbrio da
drenagem linfática. A massagem produz o aumento da absorção, transporte
e fluxo linfáticos superficiais, deslocando a linfa mais rapidamente. A
massagem estimula pequenos capilares que se encontram
inativos e aumenta a motricidade da unidade linfática, o
linfangion. Cinesioterapia A
cinesioterapia é fundamental, principalmente na primeira fase, quando se
objetiva a redução do linfedema e o membro permanece sob compressão das
ataduras. As pressões das contrações musculares, somadas à contrapressão
do enfaixamento, estimulam o funcionamento linfático, aumentando tanto a
absorção da linfa no interstício como a atividade motora dos
linfangions e o peristaltismo dos vasos linfáticos e veias,
potencializando a circulação de retorno. As
contrações musculares mais indicadas são as isodinâmicas realizadas
com movimentos ativos repetitivos na máxima amplitude possível. As
mobilizações tissulares, associadas às pressões musculares, são estímulos
mecânicos indispensáveis para melhorar a tonicidade dos capilares linfáticos. A falta
de mobilização do membro linfedematoso deve ser evitada, pois altera
significativamente os mecanismos de evacuação da linfa nas vias
existentes ou nas anastomoses linfo-linfáticas, favorecendo a estase linfática
e provocando a perpetuação do edema. Enfaixamento Compressivo É
um recurso de primordial importância, pois ele não só mantém
como incrementa a melhora da absorção e fluxo linfáticos conseguidos
com a linfodrenagem prévia. Deve sempre
ser funcional, de modo a permitir a realização de todos os movimentos diários
e da cinesioterapia orientada. A pressão exercida pelo enfaixamento é maior na região distal, diminuindo à medida
que se aproxima da raiz do membro. É importante respeitar também as
condições tróficas da pele. Contenção Elástica Os
efeitos da contenção na
circulação de retorno promovem
uma modificação na hemodinâmica em nível venoso, linfático e
tissular. Nos
casos em que o paciente apresente linfedema de membro superior, Fases II,
III ou IV, esta contenção deve ser contínua e só deve ser retirada
para cuidados com a higiene. Tomando como base a Teoria de Starling,
compreende-se a razão de seu uso ininterrupto.
Conclusão Conclui-se
que o processo de evacuação visa transportar e remover a linfa que ocorre longe da região do edema. As
manobras realizadas facilitam o processo de evacuação, proporcionando um
aumento na motricidade do linfangion e no fluxo linfático dessa região,
que deve receber o líquido vindo da zona afetada. Esses efeitos, por sua
vez, produzem uma aspiração da linfa em direção centrípeta. O
processo de captação tem por objetivo a absorção do líquido do edema
e ocorre nos capilares linfáticos
iniciais, e nos espaços tissulares da região comprometida pelo linfedema.
As manobras realizadas na zona edemaciada facilitam o processo de captação,
aumentando a absorção do líquido excedente pelo aumento da permeabilidade capilar e pelas alterações da
pressão em nível intersticial e nas paredes capilares (arterial, venosa
e linfática). A
linfodrenagem, para ser eficiente, deve ser iniciada sempre pelas manobras
que facilitem a evacuação. Essas manobras, realizadas inicialmente nas
proximidades das duas regiões ganglionares íntegras mais próximas
do segmento infiltrado, tem por objetivo
descongestionar as vias linfáticas, deixando-as aptas a receber um maior volume de líquido excedente, que
será posteriormente absorvido na região edemaciada, quando da realização
das manobras de captação. Bibliografia Brentani,
M.M; Coelho,
F.R.G. Bases da Oncologia: Editora Lemar, 1998. Camargo,
Angela Colliri; Marx, Angela Gonçalves. Fisioterapia no edema linfático.
2.ed.
São Paulo: Ed. Paramedi Editorial. 1980 Ornellas,
Carlos. Apostila do curso de drenagem Linfática.
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