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Valorização
da meia idade
O
tempo de vida é a maior riqueza que o ser humano tem. Benjamin Flanklin já
afirmava: "Tu amas a vida? Então não percas tempo, porque é deste
material que a vida é feita". E Jeofrastro afirmava: "O tempo
é tudo quanto há de mais valioso que o homem pode gostar".
O
tempo de vida é realmente importante para o ser humano pois um dia ele
nasceu e um dia essa sua vida acabará, pois a vida do ser humano é
finita, não é eterna, pelo menos nesta vida terrena.
O
ser humano gasta a maior parte de sua vida, em atividade de sobrevivência,
fazendo alguma coisa que lhe dê as condições para continuar vivendo,
ganhando o sustento de sua vida. Com o desenvolvimento tecnológico
acelerado dos tempos atuais, verdadeiras revoluções tecnológicas têm
afetado a atividade de sobrevivência dos seres humanos, provocando ondas
crescentes de desemprego, levando ao desespero milhões de seres humanos,
em todos os países.
E
há uma coisa que agrava toda essa situação, em especial no Brasil: não
há vagas para quem passou dos 40 anos. Parece que o ser humano, no
Brasil, começa a envelhecer aos 35 anos de idade, quando as portas dos
empregos começam a se fechar a ele. Bons candidatos demitidos por outras
empresas, em redução de seu quadro de pessoal, normalmente não são
aceitos por outras unicamente porque "passaram dos 40 anos de
idade". Essa situação os faz "morrer por dentro", pois
sentem-se pessoas descartáveis na vida, sentem que o mundo não quer mais
eles, sentem que o mundo parece não precisar mais deles.
Em
muitas situações da vida nacional acontece essa discriminação da
idade, resultado de mero preconceito porque a sociedade (cada um de nós)
convencionou que as pessoas que se aproximam da meia idade não têm o
mesmo vigor, o mesmo rendimento e poder criativo do jovem. Isso acontece
apesar de já ter sido provado à exaustão, pela ciência que a verdade
é bem ao contrário: é a partir dos 40 anos que o ser humano atinge o
seu grau máximo de capacidade de trabalho e de encontrar soluções para
problemas difíceis.
Essa
tese encontra apoio na simples constatação de que os homens e mulheres
que exercem alguma influência na política, nas artes, na economia, na
imprensa, no campo científico e em muitas outras áreas, em sua maioria
absoluta, estão acima da chamada "idade jovem", que no consenso
popular significa ter "menos de 30 anos de idade".
Parece
que o cerne do problema de que "Não há vaga para quem passou dos 40
anos" está em interesses consumistas. De fato, num mundo onde a
maioria é constituída por jovens, seria inevitável que os especialistas
em estratégia de marketing desenvolvessem todas as suas técnicas no
sentido de atender os gostos e interesses da faixa jovem, que não só é
mais suscetível a apelos como - exatamente por ser a maioria - é a que
mais consome. É só abrir jornais e revistas e constatar isso em
reportagens ou ligar a TV e verificar que os anúncios são feitos, em sua
maioria, por jovens e para os jovens.
Visando
tentar mudar essa situação, é publicado a seguir a mensagem: "Um
gato procura emprego... ou confie em alguém com mais de 40 anos".
Essa mensagem objetiva despertar no leitor, em especial nas empresas, para
a necessidade de valorização de candidatos que já passaram dos 40 anos
de idade.
O
importante é você ler a história a seguir, de autor desconhecido, e
refletir sobre o assunto. E fazer alguma coisa, em sua esfera de atuação
e decisão, para ajudar a mudar essa situação em nossa sociedade
brasileira. Afinal, nessa história, qualquer semelhança com flagrantes
da vida real NÃO É mera coincidência...
Um gato procura emprego...
ou, confie em alguém com mais de 40 anos
(adaptada de história de autoria desconhecida)
Certa
vez, o Sr. Gato perdeu o emprego. A empresa em que ele trabalhava não
estava em boas condições financeiras. Presumia-se que dentro de pouco
tempo ela iria fatalmente à falência. Em face disto, quase todos os
funcionários estavam sendo mandados embora. Por infelicidade, o nome do
Sr. Gato fora incluído na primeira lista de dispensa. Situação
desagradável. Ele já estava trabalhando nessa empresa há vinte anos.
Assíduo, dedicado, metódico, em sua Ficha Funcional não havia advertências
ou quaisquer outros fatos desabonadores à sua conduta profissional ou
moral. Antes, pelo contrário, havia boas referências, elogios e,
inclusive, indicação para promoção.
Ah! Quantas vezes ele tinha ido
"enfrentar o batente" até mesmo sem condições físicas
satisfatórias. Acordava às 6 horas da manhã, tomava um parco café
sem leite, pois embora fosse o Sr. Gato, não gostava muito de leite.
Também, leite não "andava dando sopa" - e lá ia ele para o
ponto de ônibus circular, temendo chegar atrasado no seu emprego. Todos
os dias era a mesma rotina. Para ser sincero, ele já estava cansado
daquela vida porém, a sua família, os compromissos que tinha e
principalmente, a esperança de dias melhores, o faziam seguir em
frente, sempre com um singelo sorriso nos lábios. Durante esses vinte
longos anos de trabalho na mesma empresa, ninguém jamais viu o Sr. Gato
enervado ou mesmo triste. Sempre jovial e solícito, tinha uma palavra
amável para todo aquele que o procurasse. Cá entre nós, até os
"ratos" da empresa, embora o temessem, reconheciam nele uma
atitude profissionalmente correta. Por aí se nota que o Sr. Gato era
realmente benquisto por aqueles que o rodeavam. Contudo, crise é crise!
E esta que assolava a empresa não estava pra brincadeiras. Não havia
lugar para sentimentalismos. Todos, de gato a rato, deveriam ser
dispensados.
Desempregado, o jeito era sair por aí
procurando emprego. Os compromissos não esperavam. Não era dado a ler
jornais. As poucas vezes que lia preferia mesmo a história em
quadrinhos. Era bem mais divertido. Vibrava quando o mocinho acertava o
bandido. Bem, agora o jeito era consultar os classificados de empregos.
Dando um suspiro de resignação, o Sr. Gato começou a folhear os
jornais. - Puxa, que maravilha! Quantas ofertas de emprego"
Realmente, muitas ofertas de emprego, porém quase nenhuma classificada
para ele. Coisa engraçada, ponderou meio desalentado. Notou que em
quase todos os anúncios, depois de oferecerem mil e uma oportunidades,
havia uma frase em letras miúdas que dizia: Preferência por pessoas até
35 anos. E agora, Sr. Gato? Em tempo: O Sr. Gato contava, no momento,
com 42 anos de idade.
Mesmo assim, o Sr. Gato não se fez de
rogado. Quis constatar "in loco", até que ponto aquela frase
seria válida. Os jornais costumam fantasiar um pouco - pensou ele - além
disso um profissional com mais de 20 anos de experiência não é de se
jogar fora. Recortou alguns anúncios e depois de uma verdadeira
peregrinação por várias empresas, constatou malgrado seu, que estava
condenado ao desemprego. As respostas que obtinha eram unânimes.
Lugubremente unânimes: - Realmente, o Sr. parece conhecer muito bem o
trabalho e como realizá-lo. Porém, para este cargo, a empresa está
dando preferência a pessoa mais jovem. Quem sabe em outra
oportunidade...
Cabisbaixo, pela primeira vez com o cansaço
e a tristeza estampados na face, o Sr. Gato voltou para casa. Hoje, o
Sr. Gato está enviando o seu Curriculum detalhado com sua experiência
para outras empresas, inclusive indicando suas pretensões salariais
que, aliás, são normais para as experiências que ele possui. Talvez
um dos Currículos dele chegue às suas mãos, em sua empresa ou
instituição. Quem sabe ele possa preencher os requisitos da sua vaga.
Há apenas um detalhe. Como já vimos, o Sr. Gato tem 42 anos de idade.
Serve?
Dizem que os gatos têm sete vidas. Assim,
somos levados a crer que um Sr. Gato com 42 anos de idade ainda não está
no fim de sua vida. Tem muita vida pela frente. Você não acha?
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