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ARTIGOS EVIRT

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Ayla Sayf

Sorocaba - São Paulo

 
Homem, Mulher e profundas considerações sobre Sociedade
 

As grandes empresas em vários segmentos estão finalmente percebendo que o homem além de grande consumidor gosta de ser bem tratado e está antenado com as novidades tanto quanto as mulheres.

O homem sempre gostou de pequeninos mimos. Na minha infância, por exemplo, lembro-me de meu pai cuidando das unhas, suas roupas tinham um tratamento diferenciado e sua aparência era impecável. E quando saía para suas viagens desbravadoras, não dispensava sua calça ''faroeste'', suas botinas, e um cinto de couro mais largo que o usual.

Mesmo sem perceber, ele tinha um estilo próprio, consumidor seleto, além de exigente e fiel. E o interessante de tudo isso, é que por mais que minha mãe fosse vaidosa, não me lembro dela ter tanta preocupação com cuidados, estilo, qualidade e até mesmo formalidade respeitando as diversas ocasiões mesmo que frívolas como meu pai.

O homem precisou consumir primeiro. Ainda que fosse um simples campineiro, havia a roupa certa para cada ocasião e trabalho, e sua vestimenta tinha que adequar bota com camisa e calça. Já as mulheres na maioria (sem generalizar), vestiam-se quase que unicamente com roupas padronizadas, com poucas variações.

Até que um belo dia se descobriu que a mulher era uma consumidora voraz de algo que transcendia a vaidade, a cobiça, o desejo de ter muito além do que seus olhos podiam ver ou em realidade seu corpo conseguia ''acomodar'', existia a competição, e acima de tudo ela era uma vitrine para sociedade que significava (significa) fartura, posse e classificação social da família.

A mulher aprendeu muito bem, tanto que um século todo foi voltado a criações que facilitassem e embelezassem a vida da mulher ''moderna''.

Agora, um novo século, nova considerações. O homem está em voga, e o mercado em plena expansão. Os gostos se igualaram, os desejos também, e tanto quanto ela, ele quer estar integrado ao consumo de Futilidades Ltda.

Se formos mais a fundo no assunto, vamos perceber que por mais que existam negações, a igualdade de poderes chegou, transformou o comportamento sócio-mundial, e hoje estamos vivendo um momento impar, porque não se sabe ou se tem perspectiva de como a sociedade vai de fato se comportar num período de vinte anos (mais ou menos), onde e como estaremos quando se pensa em família e comportamento social.

A autonomia da mulher trouxe alguns contratempos no lar e isso é inegável, e a primeira grande mudança foi à mulher poder escolher quando e quantos filhos ''ela'' iria conseguir suportar. E o homem, ao perceber a conveniência disso, ficou quieto e aplaudiu, ou seja, ele teria meio (com a diminuição da família) de adquirir coisas que após o casamento estariam enterradas em definitivo, além de ambos poderem libertar-se sexualmente. Mas para variar o que ele não imaginou é que ''ela'' ao se libertar sexualmente, ganharia extrema confiança em seu poder de comando.

Com a ampliação de objetos de consumo, a família passou a necessitar de algo que iria muito além de imóveis: uma enorme quantidade de traquitanas indispensáveis para a sobrevivência, e a cada novo modelo, ou invenção do homem, havia também a necessidade de mão de obra, e foram tantas as invenções, (tvs, cremes e batons), que ficou impossível ao homem sustentar e tolerar as reclamações (que tinham lá seu fundamento) de suas esposas e foram eles que deram o grito de alforria (claro, sem falar na guerra e na necessidade de mão de obra), e aí às mulheres não pararam mais, afinal são mais ambiciosas e gostam mais de mostrar e falar dos bens adquiridos, e lideraram o pagamento de todo e qualquer tipo de matéria prima para a sobrevivência das famílias. E claro não preciso citar que isso gerou um enorme abismo entre o que o homem acreditava precisar em realidade e o que a mulher acreditava precisar.

Os filhos em segundo plano sim; com desculpas hoje aceitas como verídicas pela sociedade, e o marido em terceiro plano e esse ao perceber que isso poderia lhe trazer algum beneficio, tratou imediatamente de não se responsabilizar sequer pela metida de final de semana ou final de tarde e foi logo gritando: — o filho não é meu, o compromisso também não!

E não era, pois não havia prova cabal, e lá foi à mulher por livre escolha, afinal esqueceu-se que cabia a ela e a mais ninguém tratar-se para não ter filhos, pois o homem já havia inventado a pílula anticoncepcional e lavado suas mãos. Então ao querer igualar-se ao homem e deixar transbordar anos de repressão sexual gritando ao mundo que tinha tanto desejo quanto o homem de uma metida rápida ou demorada, esqueceu-se de lembrar que tinha útero, e ele sentindo que estava tratando então com um ser nas mesmas condições emocionais, raiva, desprezo, desapego, descomprometimento, deixou correr à revelia.

Pois bem, com o passar do tempo, o homem enfim percebeu que essa relação aleatória por parte dele e igualitária gerava algo totalmente novo: A mulher havia criado sua própria sociedade S.A. onde ele era apenas ''o'' detalhe.

Sem palpites, sem voz ativa na família, com filhos que nem mesmo notavam sua presença, ele quase entrou em extinção por escolha própria. Pequenas cobranças de ambas as partes sobre o comprometimento de educação, afetividade, mimos, muitos presentes, muita interferência adulta no comportamento infantil, fez diferença em suas personalidades.

Mas como o homem é o ser que mais consegue se adaptar, essas ''crianças'' entenderam que tanta individualidade e auto-confiança assim lhes trouxe o beneficio da família não ser exatamente aquela com que se vive entre quatro paredes, e sim aquela que se escolhe ou se encontra durante a vida social. Então o novo homem não está vivendo solitariamente, porque simplesmente não conhece como é viver em conjunto como há trinta anos atrás. Ele ficou sozinho, e se criou com influências da região ou das pessoas com quem conviveu, e de fato, assimilou mais o feminino do que o masculino.

Nota-se que a solidão em que vive o homem de quarenta (mais ou menos) que sente trágicos dramas de adaptação, nem mesmo é percebida pelo homem atual (dezessete à vinte anos mais ou menos), que passa a viver ''sozinho'', porém cercado de pessoas com quem convive diariamente e isso lhe basta, contudo o que muda na relação social e familiar, (e que se bom ou ruim só o tempo dirá) é que todas as pessoas que conviveu (ou convive) passam a ter o mesmo ''peso'' ou seja, aquele afeto pela estrutura familiar, pela mesa rodeada de irmãos, filhos, pais, e primos com que se convivia ''diariamente''(e não eventualmente), onde de fato havia uma grande consternação pela perda e até mesmo morte ou suicídio pela solidão extrema que a falta causava, morre; e esse suplício passa ser dividido entre a sociedade com que ele criou, mas que tem profundas flutuações durante uma vida (hoje pessoa importante, amanhã descartável ou até mesmo intolerável independente se parente ou não).

Percebe-se que num futuro próximo, o mundo passaria a ser mais igualitário, onde ambos os sexos transformariam a sociedade em algo comum aos dois sem tremendas diferenças que permeiam o machismo ou o feminismo, um yin-yang. Cabe aos sociólogos tentarem descobrir se esse novo sistema igualitário tanto sonhado e até mesmo utópico que saiu da imaginação e tornou-se ainda uma sutil realidade fará bem a sociedade como um todo.

Claro, o mundo é muito grande e nele existem diversas culturas que hoje já são bombardeadas de opiniões e de idéias que as desestruturam por a sociedade julgá-las agressivas demais. E são de fato, mas são culturas diferentes. Óbvio que essa sociedade igualitária chegará equilibrada mais rápido em algumas regiões de nosso ''sistema solar'' do que em outras, mas chegará. Sem esquecer de que quando cito igualitária, incluo essa percepção de respeitabilidade, confiabilidade, tolerância, amor e ódio sem distinção consangüínea, e ao mesmo tempo em que deixamos de amar ou de conviver com uma pessoa por diversos motivos sem culpa alguma, pois a vida por vezes traça caminhos diferentes, blá, blá... essa descontinuação também deve ser sentida por aqueles que foram geradores, criadores, ou qualquer tipo de consangüinidade.

De qualquer maneira, o homem vem a cada dia descobrindo que a sua influência dentro da sociedade que ele ajudou a criar mais não se responsabilizou pela sua criação ou até mesmo o seu desinteresse pela evolução social lhe rendeu um enorme precipício, cujo mesmo, alguns (''muitos'') tentam desesperadamente reparar, e que sua influência é de sobremaneira importante para o equilíbrio seja da família seja da sociedade, e a mulher, claro, que não é boba, já começa abrir mão de diversos conceitos e não só aceita como pressiona a sociedade num todo para que o homem se molde a sua imagem e semelhança, ou seria o homem que pressiona a mulher para que se molde a sua imagem e semelhança?

Atualmente o homem em realidade encara até mesmo diminuir sua serotonina para ser mais maleável, menos linear, mais tolerante, para estar no mesmo patamar da complexidade de sentimentos ou talvez de percepção da sociedade que a mulher que por outro lado tenta aumentar sua serotonina ou equilibrar seus hormônios para tentar perceber o mundo de maneira mais lógica e linear.

No momento atual, a sociedade enfrenta e enfrentará (eu preconizo), sua pior fase, pois a percepção de justiça, respeito, caridade, posse, estão completamente deturpados. Anda-se às cegas, e se tem à incapacidade total de compreender o que é o bem comum e como fazê-lo. O objetivo atual é estar bem consigo e o resto foda-se literalmente, com a justificativa de que estar bem consigo ira beneficiar a sociedade e transformá-la em algo mais justo, pois amando a si, o que está ao redor também vai despejar flores e blá, blá, blá.

Mas não é bem assim, pois a variação de ''valores'' dentro da própria família hoje é surpreendente, quiçá da sociedade e o que está ao redor. O comportamento individualizado é nocivo sim, a auto-estima elevada é perniciosa porque se confunde com ''superioridade''. E olha, estou falando de milhões de pessoas.

Esses excessos e bombardeios tão centralizados numa mesma questão que a mídia faz durante anos, é algo maluco, e deixou as pessoas malucas, e hoje, é impossível em realidade afirmar se nossa vida segue pelas entranhas da realidade ou vivemos numa ficção bem moldada por nós mesmos, porque existe individualidade até a pagina dois, afinal a importância de se adquirir tanto bens de consumo como determinado tipo de cultura, educação, leitura, vestimenta, etc se massificou a tal ponto que a globalização bombardeia o cérebro com milhões de informações que tanto faz andar aqui, como no Azerbaijão que o perfil pessoal será o mesmo, as decisões idem, o comportamento e desejos, iguais. Isso, sem citar ou incorporar a transformação incontestável e inimaginável até mesmo por Isaac Asimov que a biogenética, física quântica irá trazer a sociedade num curto período, o momento atual será como a era mesozóica.

E mesmo sabendo que iremos ''envelhecer mais tarde'', ou que sei lá, não sofrermos com certas doenças terríveis, que os carros irão ''voar'', fico me perguntando se não haverá uma discrepância insustentável de valores morais, e uma divisão social sem precedentes; se o cavalo vai poder pastar, e o leão será algo geneticamente modificado para que possa viver no quintal de uma casa de trezentos metros quadrados. Afinal um sistema igualitário faz com que o comportamento sentimental se esfrie por assim dizer e as reações não tenham flutuações de opiniões.

Como disse, as coisas tendem a se equilibrar, mas a pergunta que não quer calar, é: no que a sociedade ira se transformar?


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