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As
grandes empresas em vários segmentos estão finalmente
percebendo que o homem além de grande consumidor gosta de
ser bem tratado e está antenado com as novidades tanto quanto
as mulheres.
O
homem sempre gostou de pequeninos mimos. Na minha infância,
por exemplo, lembro-me de meu pai cuidando das unhas, suas roupas
tinham um tratamento diferenciado e sua aparência era impecável.
E quando saía para suas viagens desbravadoras, não
dispensava sua calça ''faroeste'', suas botinas, e um cinto
de couro mais largo que o usual.
Mesmo
sem perceber, ele tinha um estilo próprio, consumidor seleto,
além de exigente e fiel. E o interessante de tudo isso, é
que por mais que minha mãe fosse vaidosa, não me lembro
dela ter tanta preocupação com cuidados, estilo, qualidade
e até mesmo formalidade respeitando as diversas ocasiões
mesmo que frívolas como meu pai.
O homem
precisou consumir primeiro. Ainda que fosse um simples campineiro,
havia a roupa certa para cada ocasião e trabalho, e sua vestimenta
tinha que adequar bota com camisa e calça. Já as mulheres
na maioria (sem generalizar), vestiam-se quase que unicamente com
roupas padronizadas, com poucas variações.
Até
que um belo dia se descobriu que a mulher era uma consumidora voraz
de algo que transcendia a vaidade, a cobiça, o desejo de
ter muito além do que seus olhos podiam ver ou em realidade
seu corpo conseguia ''acomodar'', existia a competição,
e acima de tudo ela era uma vitrine para sociedade que significava
(significa) fartura, posse e classificação social
da família.
A mulher
aprendeu muito bem, tanto que um século todo foi voltado
a criações que facilitassem e embelezassem a vida
da mulher ''moderna''.
Agora,
um novo século, nova considerações. O homem
está em voga, e o mercado em plena expansão. Os gostos
se igualaram, os desejos também, e tanto quanto ela, ele
quer estar integrado ao consumo de Futilidades Ltda.
Se
formos mais a fundo no assunto, vamos perceber que por mais que
existam negações, a igualdade de poderes chegou, transformou
o comportamento sócio-mundial, e hoje estamos vivendo um
momento impar, porque não se sabe ou se tem perspectiva de
como a sociedade vai de fato se comportar num período de
vinte anos (mais ou menos), onde e como estaremos quando se pensa
em família e comportamento social.
A autonomia
da mulher trouxe alguns contratempos no lar e isso é inegável,
e a primeira grande mudança foi à mulher poder escolher
quando e quantos filhos ''ela'' iria conseguir suportar. E o homem,
ao perceber a conveniência disso, ficou quieto e aplaudiu,
ou seja, ele teria meio (com a diminuição da família)
de adquirir coisas que após o casamento estariam enterradas
em definitivo, além de ambos poderem libertar-se sexualmente.
Mas para variar o que ele não imaginou é que ''ela''
ao se libertar sexualmente, ganharia extrema confiança em
seu poder de comando.
Com
a ampliação de objetos de consumo, a família
passou a necessitar de algo que iria muito além de imóveis:
uma enorme quantidade de traquitanas indispensáveis para
a sobrevivência, e a cada novo modelo, ou invenção
do homem, havia também a necessidade de mão de obra,
e foram tantas as invenções, (tvs, cremes e batons),
que ficou impossível ao homem sustentar e tolerar as reclamações
(que tinham lá seu fundamento) de suas esposas e foram eles
que deram o grito de alforria (claro, sem falar na guerra e na necessidade
de mão de obra), e aí às mulheres não
pararam mais, afinal são mais ambiciosas e gostam mais de
mostrar e falar dos bens adquiridos, e lideraram o pagamento de
todo e qualquer tipo de matéria prima para a sobrevivência
das famílias. E claro não preciso citar que isso gerou
um enorme abismo entre o que o homem acreditava precisar em realidade
e o que a mulher acreditava precisar.
Os
filhos em segundo plano sim; com desculpas hoje aceitas como verídicas
pela sociedade, e o marido em terceiro plano e esse ao perceber
que isso poderia lhe trazer algum beneficio, tratou imediatamente
de não se responsabilizar sequer pela metida de final de
semana ou final de tarde e foi logo gritando: — o filho não
é meu, o compromisso também não!
E não
era, pois não havia prova cabal, e lá foi à
mulher por livre escolha, afinal esqueceu-se que cabia a ela e a
mais ninguém tratar-se para não ter filhos, pois o
homem já havia inventado a pílula anticoncepcional
e lavado suas mãos. Então ao querer igualar-se ao
homem e deixar transbordar anos de repressão sexual gritando
ao mundo que tinha tanto desejo quanto o homem de uma metida rápida
ou demorada, esqueceu-se de lembrar que tinha útero, e ele
sentindo que estava tratando então com um ser nas mesmas
condições emocionais, raiva, desprezo, desapego, descomprometimento,
deixou correr à revelia.
Pois
bem, com o passar do tempo, o homem enfim percebeu que essa relação
aleatória por parte dele e igualitária gerava algo
totalmente novo: A mulher havia criado sua própria sociedade
S.A. onde ele era apenas ''o'' detalhe.
Sem
palpites, sem voz ativa na família, com filhos que nem mesmo
notavam sua presença, ele quase entrou em extinção
por escolha própria. Pequenas cobranças de ambas as
partes sobre o comprometimento de educação, afetividade,
mimos, muitos presentes, muita interferência adulta no comportamento
infantil, fez diferença em suas personalidades.
Mas
como o homem é o ser que mais consegue se adaptar, essas
''crianças'' entenderam que tanta individualidade e auto-confiança
assim lhes trouxe o beneficio da família não ser exatamente
aquela com que se vive entre quatro paredes, e sim aquela que se
escolhe ou se encontra durante a vida social. Então o novo
homem não está vivendo solitariamente, porque simplesmente
não conhece como é viver em conjunto como há
trinta anos atrás. Ele ficou sozinho, e se criou com influências
da região ou das pessoas com quem conviveu, e de fato, assimilou
mais o feminino do que o masculino.
Nota-se
que a solidão em que vive o homem de quarenta (mais ou menos)
que sente trágicos dramas de adaptação, nem
mesmo é percebida pelo homem atual (dezessete à vinte
anos mais ou menos), que passa a viver ''sozinho'', porém
cercado de pessoas com quem convive diariamente e isso lhe basta,
contudo o que muda na relação social e familiar, (e
que se bom ou ruim só o tempo dirá) é que todas
as pessoas que conviveu (ou convive) passam a ter o mesmo ''peso''
ou seja, aquele afeto pela estrutura familiar, pela mesa rodeada
de irmãos, filhos, pais, e primos com que se convivia ''diariamente''(e
não eventualmente), onde de fato havia uma grande consternação
pela perda e até mesmo morte ou suicídio pela solidão
extrema que a falta causava, morre; e esse suplício passa
ser dividido entre a sociedade com que ele criou, mas que tem profundas
flutuações durante uma vida (hoje pessoa importante,
amanhã descartável ou até mesmo intolerável
independente se parente ou não).
Percebe-se
que num futuro próximo, o mundo passaria a ser mais igualitário,
onde ambos os sexos transformariam a sociedade em algo comum aos
dois sem tremendas diferenças que permeiam o machismo ou
o feminismo, um yin-yang. Cabe aos sociólogos tentarem descobrir
se esse novo sistema igualitário tanto sonhado e até
mesmo utópico que saiu da imaginação e tornou-se
ainda uma sutil realidade fará bem a sociedade como um todo.
Claro,
o mundo é muito grande e nele existem diversas culturas que
hoje já são bombardeadas de opiniões e de idéias
que as desestruturam por a sociedade julgá-las agressivas
demais. E são de fato, mas são culturas diferentes.
Óbvio que essa sociedade igualitária chegará
equilibrada mais rápido em algumas regiões de nosso
''sistema solar'' do que em outras, mas chegará. Sem esquecer
de que quando cito igualitária, incluo essa percepção
de respeitabilidade, confiabilidade, tolerância, amor e ódio
sem distinção consangüínea, e ao mesmo
tempo em que deixamos de amar ou de conviver com uma pessoa por
diversos motivos sem culpa alguma, pois a vida por vezes traça
caminhos diferentes, blá, blá... essa descontinuação
também deve ser sentida por aqueles que foram geradores,
criadores, ou qualquer tipo de consangüinidade.
De
qualquer maneira, o homem vem a cada dia descobrindo que a sua influência
dentro da sociedade que ele ajudou a criar mais não se responsabilizou
pela sua criação ou até mesmo o seu desinteresse
pela evolução social lhe rendeu um enorme precipício,
cujo mesmo, alguns (''muitos'') tentam desesperadamente reparar,
e que sua influência é de sobremaneira importante para
o equilíbrio seja da família seja da sociedade, e
a mulher, claro, que não é boba, já começa
abrir mão de diversos conceitos e não só aceita
como pressiona a sociedade num todo para que o homem se molde a
sua imagem e semelhança, ou seria o homem que pressiona a
mulher para que se molde a sua imagem e semelhança?
Atualmente
o homem em realidade encara até mesmo diminuir sua serotonina
para ser mais maleável, menos linear, mais tolerante, para
estar no mesmo patamar da complexidade de sentimentos ou talvez
de percepção da sociedade que a mulher que por outro
lado tenta aumentar sua serotonina ou equilibrar seus hormônios
para tentar perceber o mundo de maneira mais lógica e linear.
No
momento atual, a sociedade enfrenta e enfrentará (eu preconizo),
sua pior fase, pois a percepção de justiça,
respeito, caridade, posse, estão completamente deturpados.
Anda-se às cegas, e se tem à incapacidade total de
compreender o que é o bem comum e como fazê-lo. O objetivo
atual é estar bem consigo e o resto foda-se literalmente,
com a justificativa de que estar bem consigo ira beneficiar a sociedade
e transformá-la em algo mais justo, pois amando a si, o que
está ao redor também vai despejar flores e blá,
blá, blá.
Mas
não é bem assim, pois a variação de
''valores'' dentro da própria família hoje é
surpreendente, quiçá da sociedade e o que está
ao redor. O comportamento individualizado é nocivo sim, a
auto-estima elevada é perniciosa porque se confunde com ''superioridade''.
E olha, estou falando de milhões de pessoas.
Esses excessos e bombardeios tão centralizados numa mesma
questão que a mídia faz durante anos, é algo
maluco, e deixou as pessoas malucas, e hoje, é impossível
em realidade afirmar se nossa vida segue pelas entranhas da realidade
ou vivemos numa ficção bem moldada por nós
mesmos, porque existe individualidade até a pagina dois,
afinal a importância de se adquirir tanto bens de consumo
como determinado tipo de cultura, educação, leitura,
vestimenta, etc se massificou a tal ponto que a globalização
bombardeia o cérebro com milhões de informações
que tanto faz andar aqui, como no Azerbaijão que o perfil
pessoal será o mesmo, as decisões idem, o comportamento
e desejos, iguais. Isso, sem citar ou incorporar a transformação
incontestável e inimaginável até mesmo por
Isaac Asimov que a biogenética, física quântica
irá trazer a sociedade num curto período, o momento
atual será como a era mesozóica.
E mesmo sabendo que iremos ''envelhecer mais tarde'', ou que sei
lá, não sofrermos com certas doenças terríveis,
que os carros irão ''voar'', fico me perguntando se não
haverá uma discrepância insustentável de valores
morais, e uma divisão social sem precedentes; se o cavalo
vai poder pastar, e o leão será algo geneticamente
modificado para que possa viver no quintal de uma casa de trezentos
metros quadrados. Afinal um sistema igualitário faz com que
o comportamento sentimental se esfrie por assim dizer e as reações
não tenham flutuações de opiniões.
Como
disse, as coisas tendem a se equilibrar, mas a pergunta que não
quer calar, é: no que a sociedade ira se transformar?
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