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O passe
livre começou na década de 70. Foi a grande novidade
no cenário desportivo. Para muitos jogadores, um caminho
promissor para alcançar a fortuna, para outros, uma incerteza
em relação ao futuro.
O pioneiro foi o grande jogador Afonsinho, campeão em vários
clubes em que atuou. Afonsinho cursava medicina naquela época
e atualmente exerce a profissão de Médico.
Vindo do interior de São Paulo, onde atuava no XV de Jaú
chegou em 1965 ao Botafogo Futebol Clube, do Rio de Janeiro, jogando
no Juvenil e logo em seguida foi lançado ao time profissional
onde permaneceu por vários anos.
A
crise administrativa do nosso futebol não é recente,
também era predominante na época. Salários
em dia não eram prioridade e Afonsinho estava com meses de
salários atrasados no Botafogo. Por sua insistente cobrança
acabou impedido de treinar, por esta razão moveu uma ação
na justiça contra o Clube, pleiteando o passe livre.
Durante
a luta judicial, jogou pelo Olaria, depois de um ano de luta na
justiça, recebeu o direito ao passe e com ele mão,
voltou a jogar no Olaria F.C, também atuou no Clube de Regatas
Vasco da Gama, onde juntos defendemos a Cruz de Malta por alguns
anos. Jogou ainda no Santos F.C., no Clube Regatas Flamengo e no
Fluminense Futebol Clube, onde encerrou a carreira em 1982.
Entre
os atletas, virou ídolo. Usava uma barbicha e com este estilo
influenciou alguns companheiros do Olaria como o Miguel, Alfinete
e outros que também deixaram a barba crescer. Sempre foi
admirado por companheiros do seu clube e até por jogadores
de outros clubes pelo exemplo e por ter sido o primeiro atleta a
lutar pelos seus direitos federativos e ganhar o próprio
passe.
Com
o exemplo, os clubes não permitiam vencer mais de três
meses de salários aos jogadores. Dias antes de completar
o período, liberavam um vale aos seus atletas e com isso
evitavam a reivindicação do passe na justiça
comum.
Quem tinha muito interesse no Passe Livre eram os jogadores de grandes
clubes e de seleção. Com o passe na mão, poderiam
ganhar muito dinheiro emprestando-o aos clubes e ao término
do contrato novamente o teria de volta, podendo atuar em outros
clubes que oferecessem melhores condições.
Quanto aos outros jogadores, aqueles que nunca passaram por uma
seleção Brasileira ou que nunca atuaram em grandes
clubes do futebol brasileiro, bem, para esses, existiam o medo e
a incerteza. A preocupação que pairava era a seguinte:
Com o passe na mão teriam mercado de trabalho?
E por quanto tempo ficariam desempregados?
Com
todas essa duvidas, a solução mais viável era
continuar vinculado aos clubes, sujeitando-se aos atrasos nos salários
de quatro meses ou mais.Todavia, estavam amparados e com as carteiras
de trabalho devidamente assinadas, mas quando os clubes não
se interessavam mais pelo seu trabalho por algum motivo ou porque
os jogadores já se aproximavam dos ingratos trinta anos,
ou ainda, por alguma lesão que acarretasse diminuição
do seu rendimento técnico, os Jogadores nesta situação
eram chamados para um acordo do tipo:
-você
tem seis meses atrasados, vamos lhe pagar dois e lhe daremos o passe...
Em
função da necessidade de receber alguma coisa, o Jogador
era coagido a abrir mão do restante dos salários.
Recebia o equivalente a dois meses, no ato, e com isso abdicava
dos seus direitos trabalhistas.
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