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A Unidade
de Terapia Intensiva (UTI) é um segmento hospitalar entre
o Céu e a Terra. Aqueles que tratam dos internos na UTI,
cruzam freqüentemente com a morte; inimiga maior na gigantesca
batalha pela vida.
Muitos pacientes voltam para os seus lares e tantos outros vão
para o lar celestial. São
dignos de admiração os profissionais que labutam,
diuturnamente, naquele andar “superior” do ambiente
hospitalar.
O paciente quando chega à UTI já tem “dono”;
um médico titular que é responsável por ele.
A UTI é madrasta? Muito pelo contrario é uma mãe
em todos os sentidos. Adota a todos de forma que não há
preferência por Maria, Severino ou João.
Todos são filhos da mesma intensiva e afetiva mãe.
Ao contrario daquilo que muitos pensam a UTI não é
lugar para doente em fase terminal e sim um lugar de valor imensurável
para aqueles que têm chances de sobreviver. O doente em fase
final pede para morrer em casa, no aconchego familiar. Há
critérios para admitir-se um paciente naquela Central de
Tratamento Intensivo, critérios que todos deveriam saber
e respeitar.
Ser profissional vocacional da Terapia Intensiva é trabalhar
juntinho de Deus. Tantos começaram em outros compartimentos
da Medicina e só encontraram suas verdadeiras bússolas
profissionais na UTI. Eram bons profissionais nas outras áreas
dantes atuantes, mas tornaram-se excelentes naquele andar de cima.
Parabéns a todos que fazem os corpos clínicos de todas
as UTIs do Mundo.
Um dia sonhei internado numa UTI e morri no exato momento em que
o médico plantonista tirava uma soneca. Eu morrendo e tentando
dizer: Doutor dez minutos de seu sono pode significar o meu sono
eterno.Venha, por favor, não me deixe ir. Ainda bem que tudo
não passou de sonho e tive tempo para contar o ocorrido em
todas as UTIs que conheço. Ah, também pedi a Deus
para que o meu sonho nunca vire realidade.
Eu sei das condições, muitas vezes precárias,
em que vocês trabalham. Às vezes até esquecidos
pelos homens e ignorados pelos colegas, mas a luta de vocês
é fenomenal. A estratégica posição que
ocupam na seqüência do atendimento ao paciente grave,
não permite, sequer, organizar adequadamente uma greve para
melhoria das condições de trabalho e, só assim,
atender mais e melhor aos nossos semelhantes que vêem em vocês
a última chance de continuar como filhos de Deus na Terra.
Não parem, são vocês profissionais indispensáveis
nesta infindável luta em favor do homem. Nunca sejam arrogantes
para que o brilho profissional não fique ofuscado por mesquinharia.
Aliás, algo impensável em profissionais de almas tão
elevadas.
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