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ARTIGOS EVIRT

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Lenisio Bragante de Araújo 

João Pessoa - Paraíba

 
Tributo ao Intensivista
 

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um segmento hospitalar entre o Céu e a Terra. Aqueles que tratam dos internos na UTI, cruzam freqüentemente com a morte; inimiga maior na gigantesca batalha pela vida.

Muitos pacientes voltam para os seus lares e tantos outros vão para o lar celestial. São
dignos de admiração os profissionais que labutam, diuturnamente, naquele andar “superior” do ambiente hospitalar.

O paciente quando chega à UTI já tem “dono”; um médico titular que é responsável por ele. A UTI é madrasta? Muito pelo contrario é uma mãe em todos os sentidos. Adota a todos de forma que não há preferência por Maria, Severino ou João.

Todos são filhos da mesma intensiva e afetiva mãe. Ao contrario daquilo que muitos pensam a UTI não é lugar para doente em fase terminal e sim um lugar de valor imensurável para aqueles que têm chances de sobreviver. O doente em fase final pede para morrer em casa, no aconchego familiar. Há critérios para admitir-se um paciente naquela Central de Tratamento Intensivo, critérios que todos deveriam saber e respeitar.

Ser profissional vocacional da Terapia Intensiva é trabalhar juntinho de Deus. Tantos começaram em outros compartimentos da Medicina e só encontraram suas verdadeiras bússolas profissionais na UTI. Eram bons profissionais nas outras áreas dantes atuantes, mas tornaram-se excelentes naquele andar de cima. Parabéns a todos que fazem os corpos clínicos de todas as UTIs do Mundo.

Um dia sonhei internado numa UTI e morri no exato momento em que o médico plantonista tirava uma soneca. Eu morrendo e tentando dizer: Doutor dez minutos de seu sono pode significar o meu sono eterno.Venha, por favor, não me deixe ir. Ainda bem que tudo não passou de sonho e tive tempo para contar o ocorrido em todas as UTIs que conheço. Ah, também pedi a Deus para que o meu sonho nunca vire realidade.

Eu sei das condições, muitas vezes precárias, em que vocês trabalham. Às vezes até esquecidos pelos homens e ignorados pelos colegas, mas a luta de vocês é fenomenal. A estratégica posição que ocupam na seqüência do atendimento ao paciente grave, não permite, sequer, organizar adequadamente uma greve para melhoria das condições de trabalho e, só assim, atender mais e melhor aos nossos semelhantes que vêem em vocês a última chance de continuar como filhos de Deus na Terra. Não parem, são vocês profissionais indispensáveis nesta infindável luta em favor do homem. Nunca sejam arrogantes para que o brilho profissional não fique ofuscado por mesquinharia. Aliás, algo impensável em profissionais de almas tão elevadas.

  • Lenisio Bragante é Médico, Mestre em Cirurgia geral e Professor do Curso de Medicina da  UFPB.


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