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No dia 31 de agosto de 2002, foi se embora
desta terra o camarada Malina, o amigo Malina e o querido comunista Malina.
Que dia triste, este! Só podia mesmo amanhecer com chuva e nublado,
porque um homem de coração realmente vermelho nos deixou. Mas seu legado
vai ficar para as futuras gerações de jovens que não perderam a fé em
um mundo melhor e com menos desigualdades sociais. Malina se vai, mas sua vida não foi em vão.
Eu, quando jovem, fui do ‘’Partidão’’. E só me filiei porque
acreditei naquele olhar, acreditei naquele ser humano, tão transparente e
tão decente. Tão convicto de si mesmo, tão vida nos olhos, tão revolução
nas palavras, tão sorriso nos gestos, tão militante em todo o resto. Uma
utopia de carne e osso que me fazia crer que as pessoas eram transformadas
pelas suas paixões. Não importa se o comunismo ou socialismo
venceram no mundo, se suas ideologias foram boas ou ruins. Só posso
disser que Malina era um comunista bom, um homem que respeitava a
liberdade, que não era absolutista e nem centralista. Um homem que respeitava as opiniões contrárias
as suas, sempre de mente aberta ao novo, ao diálogo, ao respeito ao próximo,
à diversidade das coisas e das pessoas. Mesmo em idade já avançada, era
um homem que acompanhava a evolução do seu tempo sem se assustar com
nada. Só se assustava com a hipocrisia política de alguns e com o
cinismo dos que nunca foram comunistas, mas usavam a sigla do PCB ou o
nome para ganhar eleições. O verdadeiro camarada Malina, o autêntico
comunista, cem por cento de esquerda e o de corpo e de alma socialista,
mesmo sem acreditar na alma. Um dos poucos e autênticos nos dias de hoje.
Um camarada tão vermelho que, quando o conheci, minhas poesias se
mancharam de sangue também e ficaram todas da cor do amor e da revolução.
Um homem generoso, cheio de afeto com seu
semelhante. Um homem de carisma. O carisma vermelho que ele carregava nas
veias. Um cavaleiro da esperança, assim como Prestes, assim com Che,
assim como poucos que nascem e fazem história. Poucos homens são realmente verdadeiros
como foi Malina, poucos têm a coragem de pagar o preço de falarem o que
realmente pensam, sonham e são. Um militante de coragem, um poeta da política,
um sonhador acordado, um homem de bem que realmente acreditava no que
pensava e não negava nada do que falava, muito diferente de todos esses
políticos de hoje que não empolgam mais ninguém, porque o brilho deles
é fabricado pela mídia, enquanto o de Malina vinha da vida. A vida que
se cria e nunca se perde, mesmo sendo ateu. Desculpe, meu querido Malina, não fui ao
seu enterro nem ao seu velório porque
não vou em velório nem em enterro de ninguém, nem no meu. Quero estar
bem longe do meu corpo na hora que eu partir daqui. Gosto de ficar com sua
imagem de herói e não quero ter outra imagem de você. Acredito que
sempre vai ser o herói que conheci na juventude e heróis não morrem, são
os nossos exemplos de vida sempre. Quem lhe escreve é a poeta, aquela que
sempre foi a poeta que você conheceu, livre e rebelde como meus mestres.
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