|
Um País esportivamente
potencial
Até quando continuaremos a nos emocionar com uma simples oitava
colocação se temos condições de sermos os
finalistas. Até quando teremos que vibrar loucamente por uma simples
classificação se podemos vencer o campeonato. Se todos buscam
a excelência por que temos que nos contentar em apenas sermos “bons”.
Até quando seremos apenas coadjuvantes no esporte? Que visão
é essa?
Infelizmente, a falta de incentivo e patrocínio fazem nos crer
que o primeiro lugar não nos pertence e que apenas uma boa participação
já é o suficiente. Passamos a acreditar que a falta de um
referencial atleta brasileiro nos tira a obrigação de sermos
os melhores. A mídia nos cria falsos ídolos, idolatra alguns
esportes e esportistas e menospreza a maioria. Começamos a crer
que só temos de bom o futebol, o vôlei de praia e o Guga.
Presenciamos informações de futebol em todo meio de comunicação
e ouvimos fresquinhas as últimas notícias do Ronaldinho.
Sabemos como está seu romance com a Milene e a saúde se
seu filho Ronald, mas não sabemos como se joga o Badminton, nem
o que é a luta Greco-Romana. Somos iludidos diariamente com notícias
de salários milionários que alguns atletas ganham e muitas
vezes enveredamos no caminho do esporte buscando esta realidade, é
quando notamos que estamos numa ilha distante rodeada por tubarões
famintos, da onde apenas alguns sobreviverão.
É difícil de imaginar que numa potência econômica
como o Brasil, cuja economia é 4 vezes superior ao da Argentina
e dezena de vezes superior ao de Cuba, tenha que se vivenciar um retrospecto
esportivo tão negativo se comparado a estes países. É
difícil de imaginar que num país continental como o nosso,
onde quase todos os esportes são viáveis, tenha que se assistir
países minúsculos, encravados em territórios desvantajosos,
nos dar um show de medalhas em campeonatos. E o pior de tudo é
como cobrem nossas conquistas esportivas, querem nos passar a imagem que
tendo o Pelé, o Ronaldinho e o Romário somos referenciais
no esporte. Como se novamente tivéssemos apenas o futebol no país.
Na Constituição está bem claro em seu artigo 217
o dever do Estado de fomentar práticas esportivas formais e não-formais
para promoção prioritária do desporto educacional,
mas também ao desporto de alto rendimento.
Onde está nosso alto rendimento? No último Pan Americano?
Cuja participação dizem ter ficado na memória por
causa do recorde de medalhas conquistadas. Se conseguimos bater recordes
não foi por causa de verbas ou por causa de leis “milagrosas”
de incentivo ao esporte mas foi em função do esforço
e da dedicação de cada um de nossos atletas.
Ao contrário da grande maioria dos países, por que ainda
não temos incentivos fiscais às empresas que patrocinam
o esporte no Brasil? Como vamos incentivar o esporte amador se no profissional
não temos quem os fomente? Ficaremos desta forma sempre a mercê
daquela difícil boa atuação, como na última
olimpíada quando não ganhamos nenhuma medalha de ouro. Ou
quem sabe, continuaremos a ver grande parte de nossos atletas migrarem
para o exterior em busca do sonhado reconhecimento.
Apesar de todos os problemas parece que ainda assim estamos evoluindo
em alguns aspectos, conseguimos ser sede do Pan Americano de 2007, estamos
com alguns projetos ousados em andamento, como o Brasil: Potência
Esportiva e o Segundo Tempo. O que nos falta é uma política
séria que contemple as nossas potencialidades da mesma forma que
os outros lá fora o fazem.
Potenciais atletas nós temos bastantes, criatividade e determinação
também, só nos falta uma chance.
[Volta] |