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Agostinho van den Broek 

 



PRIVATIZAÇÃO: SOLUÇÃO OU PROBLEMA?

   

Com a queda do Muro de Berlim veio o fim do Comunismo. Muitos se confundiram, achando que era também a morte do socialismo, que seria um sistema ultrapassado. Os países ricos impuseram ao mundo o sistema neoliberal com as suas exigências de globalização e privatização. Surgiram os Mercados Comuns. A economia começa a dominar a política. Para conseguir empréstimos do Banco Mundial ou do Fundo Monetário Internacional, a exigência é a privatização das Empresas Estatais. Todos os países do mundo inteiro, com exceção de alguns onde o comunismo ainda permanece, foram forçados a entrar nesse processo de privatização, apresentado como a solução de todos os problemas econômicos e sociais.

Só que agora, depois de 15 a 20 anos, o sistema neoliberal começa a apresentar as suas falhas. No Brasil, que desde 1994 está privatizando todas as suas empresas nacionais, enfrentamos uma enorme crise de energia. O apagão lança as suas sombras sobre a nação. Além do mais aumenta o desemprego, cresce a concentração de renda, piora o sistema de saúde, de educação e de moradia etc., enquanto o fantasma da inflação está de volta.

Passando as minhas férias na Holanda, percebo que o problema não é só do Brasil. A mesma coisa está acontecendo na Europa. Por exemplo: aqui na Holanda todos estão assustados com a deteriorização do sistema ferroviário que foi privatizado sob a pressão do neoliberalismo. No passado, a ferrovia foi um modelo de segurança, pontualidade e serviço público barato. Hoje, todos se queixam do preço que aumentou muito, enquanto a segurança e a pontualidade pioraram. Começa a surgir na Holanda, e em muitos outros lugares na Europa e no mundo inteiro, uma forte reação contra o neoliberalismo que concentra o poder nas empresas privadas. Um grande sinal desta reação foi o Fórum Social Mundial realizado em janeiro deste ano, em Porto Alegre, apesar de ter sido pouco divulgado na imprensa européia. O seu lema “Um outro mundo é possível” deve servir de incentivo a todas as organizações populares no Brasil para combater, com criatividade e esperança, a terrível onda de neoliberalismo que assola o mundo e exclui milhões e milhões de pessoas de uma vida digna. 
  • Agostinho van den Broek mSC é Padre. broekaan@br.inter.net

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