Agostinho van den Broek |
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GUERRA
ENTRE O BEM E O MAL Um ato terrorista como o que
aconteceu contra o World Trade Center, indubitavelmente, mexe com qualquer
pessoa. Todos se sentem atingidos pessoalmente por aqueles aviões que
levaram à morte milhares de inocentes. O fato de terem derrubado os
principais símbolos dos poderes econômico e militar dos Estados Unidos só
aumenta o impacto desse ato de terror. Certamente, esse atentado irá para
os livros da história da humanidade como um marco de crueldade e
insensatez da mente humana. Sacudiu e acordou o mundo inteiro,
despertando-o para a fragilidade da nossa vida. Surgiu um certo “alarmismo”:
a
que ponto chegamos!? E aonde será que ainda podemos chegar!? Mas enquanto a poeira ainda não
baixou, as reflexões sobre o acontecido já começam a mudar de tom. Ao
lado da condenação e da declaração de guerra, puxadas principalmente
pelo país atingido, outras vozes começam a levantar-se. Todas concordam
a respeito da necessidade de investir fortemente contra o terrorismo no
mundo, mas cada vez mais gente começa a apontar para outras formas, mais
silenciosas, de terrorismo. Liberar 43 bilhões de dólares para a retaliação
a um país já todo marcado pelas chagas da pobreza não seria
terrorismo maior do que aquele ato que todos condenamos? Deixar dezenas de
países africanos e asiáticos se acabarem em guerras civis sem fim também
não é terrorismo? Emprestar dinheiro aos países pobres e cobrar juros
impagáveis não seriam uma violência que mata muito mais gente do que o
atentado do dia 11 de setembro? E ainda não falamos do terrorismo do tráfico
de drogas, do sistema carcerário, da perseguição aos sem-terra e tantos
outros! O profeta Amós já dizia:
“Escutem, exploradores dos pobres do país. Vocês, que diminuem as
medidas e aumentam os pesos, falsificando a balança; vocês, que compram
o necessitado com um par de sandálias, Javé jura pelo orgulho de Jacó:
Nunca esquecerei o que vocês fizeram!” Am. 8, 4-7. O que dizer do
terrorismo do desemprego que cresceu assustadoramente durante o período
de privatizações! O que dizer da política salarial que vai na direção
contrária daquilo que foi prometido ao povo em campanhas eleitorais! O
atual salário mínimo alcança hoje – em vez dos 100 dólares
prometidos – apenas 66. É o terror instalado num país que esquece de
respeitar sua própria Constituição, que garante ao trabalhador um salário
que atenda às necessidades básicas. As principais vítimas desse terror
são as crianças (não só as de Magé!) que chegam na segunda-feira
desmaiando nas escolas, pois não tiveram o que comer em casa no fim da
semana. Abrir as escolas aos sábados e domingos para fornecer a merenda
é louvável, mas não elimina o terrorismo da fome. A
guerra do bem contra o mal não se trava entre Bush e Osama Bin Laden e
sim entre aqueles que querem a partilha e a igualdade e aqueles que
concentram riquezas, deixando milhões e milhões de pessoas na miséria.
E essa miséria é o chão mais fértil para produzir todo tipo de pessoas
revoltadas, que se poderão transformar, inclusive, em terroristas.
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