LULA LÁ...
DATA
HISTÓRICA
A vitória de Lula, no domingo, dia 27 de outubro, é uma data histórica.
O poder que sempre esteve nas mãos de latifundiários, empresários, banqueiros, comerciantes passou pela
primeira vez na história para as mãos de um operário. Parece um
sonho para muitos que, desde aquele domingo, dormem e acordam com esperança,
sem medo de serem felizes. Mas é um pesadelo para outros que vão dormir
sobressaltados e acordam assustados com medo de... não sabem bem de quê.
RESISTÊNCIA
Bem que
fizeram de tudo para impedir a vitória de Lula. Primeiro foi Roseane
Sarney, que devia garantir a permanência da direita no poder. Parecia dar
certo até que apareceram os milhões de reais no cofre de seu marido. Aí
lançaram Ciro Gomes. Ele começou bem, mas logo depois desencantou. Então
veio a declaração do americano Soros, dizendo que a eleição já estava
decidida por “eles” , pois desde sempre é o “Império” e não
a “colônia” que indica os governantes. E havia ainda a tentativa dos
evangélicos que lançaram um candidato sustentado pelo cooperativismo e
pelo populismo.
SEGUNDO TURNO
No segundo turno, a tática da direita, já meio
desesperada, foi a do medo e do despreparo. A discriminação contra os não-letrados
andou solta. “Só sabe administrar quem cursou universidade.” O
convite insistente de Serra para a realização de 04 debates na TV acabou
sendo um tiro que saiu pela culatra. Enquanto Lula, nos programas
gratuitos, falava da educação, da saúde, do emprego e da moradia, Serra
cansava de repetir seu convite a Lula para os debates: “Serra
vai!”. E acabou indo para o brejo.
TRANSIÇÃO
Lula começou muito bem a fase de transição.
Seus pronunciamentos,
lembrando sua trajetória de luta no sindicato e falando dos companheiros
que caíram nessa luta, impressionaram. Sua proposta para garantir comida
a todos os brasileiros é um desejo legítimo, difícil de ser contestado
por qualquer um. Vem ao encontro do “mutirão contra a fome”
proposto pelos Bispos do Brasil a toda a
sociedade brasileira. Pode tornar-se o ponto de união da nova política
do País, desde que não se transforme em mais um programa de mero
assistencialismo.
MUDANÇA
Afinal, que mudança podemos esperar? Pela lógica, o Governo de Lula será
o primeiro que vai governar a partir dos pobres e excluídos. Pela
primeira vez os sacrifícios serão pedidos mais às elites e aos
privilegiados. Deve-se tirar de quem tem para dar aos que não têm,
realizando uma melhor distribuição de renda no país. De início, isto
pode ser garantido por programas assistenciais, mas a curto e médio
prazo, devem-se
mudar as regras do jogo, garantindo trabalho e salário
justo a todos, diminuindo os lucros das empresas, promovendo acesso à
terra dos lavradores, cobrando os impostos sonegados pelo latifúndio e
pelas grandes empresas etc.
INIMIGOS
O primeiro inimigo dessa mudança é o egoísmo
das classes privilegiadas, que não vão querer perder suas mordomias. Mas
existem outros inimigos, como a pressa daqueles que pela primeira vez
votaram em Lula e querem ver resultados imediatos. Ou então o interesse
dos partidos que querem ocupar cargos que prometem vantagens, repetindo os
vícios da velha política. Já agora, mesmo antes do novo Governo
assumir, começa-se a ouvir críticas neste sentido. A importância histórica
da vitória de Lula será maior na medida em que os velhos mandantes do País
se rendam à vontade (quase) geral de que haja mais justiça e
oportunidades de vida para todos.
Vamos “Viver e não ter a
vergonha de ser feliz!” deixando que os outros também o sejam.