IB Araripe Soares |
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CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL
Assim
como cada diminuta gota do mar mantém a habitual salinidade, assim também
todo ser humano, independente da raça, religião, idade, sexo,
conhecimento ou posição social, incorpora a centelha espiritual de que
se faz eterno portador, a Divina Luz, ínfima partícula do Oceano
Infinito do Universo. Somos,
contudo, seres celestiais em migração contínua sob a carne grosseira
que nos certifica por ora a consciência, limitada e imperfeita, refratária
à Luz que nos incorpora o espírito em ascensão redentora para a
eternidade. Ainda rastejamos o corpo pela poeira terrena, sem, contudo,
reconhecermos a nobreza infusa nessa rota vestimenta física. Transcender
o corpo físico, a muralha então dos escombros que restou na reforma de
nossa mansão edificada, deverá ser nossa tarefa diuturna. A busca da
dimensão espiritual protelada pelo esquecimento da vida física nos fará
remontar o ser íntegro, que se despedaçou ante as vagas da maldade, do vício
e do degredo voluntário, pela clausura necessária na carne em sua missão
Cósmica designada. Relegamos
por milênios as chaves da porta celestial a convidar-nos à entrada
triunfal. Fomos fracos e covardes diante da luta necessária, preferindo
as migalhas que sobram sobre a mesa, a merecer, pelo esforço e resignação,
a ceia redentora da espiritualidade. Da mesma forma, acomodamos o fardo
pesado na beira do caminho, em busca do caminhar fácil, porquanto
desorientado. Alinhamos assim o espírito à corrente contínua do
inconsciente coletivo, no lugar de, pela vontade, independência e
perseverança, ascendermos aos píncaros da consciência espiritual
libertadora. Ainda
assim sustém, a gota, o sal que se lhe reconhece a hereditária natureza,
o brasão divino a lhe revelar a nobreza paterna inconsciente. Somos
deuses outrora degradados, remanescentes de um mundo de glória que nos
suscita os mais elevados sonhos. Destarte preferir o casebre sujo e rústico
da vida material, intuímos em nós a mansão celestial a nos abrigar no
porvir o espírito alquebrado pelas lidas do cotidiano legítimo e meritório.
Adormecemos ainda no leito de morte para renascermos, pelo batismo
espiritual, e não pela água, para uma vida de amor e de felicidade. Somos
cada um de nós divina flor a enobrecer o jardim celestial deste Universo
infinito, o sal incorporado à gota desprendida do Oceano Cósmico a
manter o sabor espiritual que lhe caracteriza a essência de sua Fonte, do
manancial a lhe certificar a legítima e genuína natureza divina. Somos a
centelha de luz na busca do Sol que amanhece a cada aurora no horizonte,
para entardecer ainda no crepúsculo triste de nossas vidas físicas.
Renascemos e morremos a cada ciclo, distantes por ora da consciência
espiritual latente no espírito, assim como a pedra bruta que vela o
diamante precioso, que resplandecerá, enfim, toda sua encantadora magia. Há
uma corrente espiritual a permear a imensidão do Universo, conectada a
pontos de luz de incomensurável brilho, emanados estes por uma freqüência
vibratória Divina, e embalados por elevada e sublime sinfonia Cósmica. São
notas musicais de uma partitura celestial em infinita execução, expressões
certificadas de um Deus que lhes é a Fonte e a Manifestação em uma só
vibração de vida e de amor. Somos
assim peregrinos em farrapos ao encontro de seus castelos de sonhos em
busca de tesouros materiais finitos que não preenchem o vazio deixado
pela escuridão instalada, porque não têm a luz da espiritualidade da
qual se desconectou. Sintonizar com a centelha espiritual e harmonizar a
consciência aos efluxos de luz que emanam do coração puro e virtuoso
constitui a missão do ser humano. De forma que somos anjos potenciais,
filhos pródigos em retorno à acolhida Paterna, a gota perdida que se
ligará à sua hereditária Fonte, reconhecida pelo sal da espiritualidade
sustentada destarte seu voluntário degredo, e que se banhará enfim no
Oceano Vibratório Divino, por toda a eternidade. Paz,
Luz e Amor! Ib Araripe Soares é Escritor Espiritualista e Autor do Livro: Mensagem de Capela |