ÍDOLOS DE BARRO
Há
uma corrente contínua de pensamentos no mundo, a influenciar gerações e
gerações, subordinada esta aos serviços e ao comando das trevas
inferiores, que as tem alienado, desorientado e escravizado, ao longo
dos tempos. Impregnam o inconsciente coletivo com suas idéias, princípios,
valores e conceitos, através de ideologias políticas, religiões,
filosofias de vida e comportamento, estabelecendo o vazio, a ignorância e
a escuridão, e propagando ainda uma falsa e dissimulada consciência de
liberdade. Como referência e padrão, institucionaliza ídolos,
idolatrados pelas multidões cegas e acomodadas, alheias ao direitos
inalienáveis de buscarem seus próprios caminhos, frente à prerrogativa
do livre-arbítrio a si outorgado. São ídolos de barro, os quais não possuem legitimidade na escala do valor Cósmico real, alienando e
aprisionando seus seguidores sob padrões inferiores de vida e de condição
moral.
São
esses falsos arautos, referências enganosas a certificarem a ignorância
e a desorientação, àqueles que lhes seguem os passos e os roteiros,
pelo doutrinamento ilegítimo e ilusório, que corrompe, engana e
escraviza mentes e corações sob o jugo da ditadura de seus princípios e
ideais. São eles próprios porquanto, mais que todos, escravos da
corrente que sustentam, presos assim ao ego que lhes refrata a
sensibilidade da luz interior. Embrutecidos, e amedrontados ante os
acervos inferiores que sedimentaram em suas inócuas existências,
direcionam suas consciências doentias de forma a reconhecerem no espelho
da vaidade e do orgulho uma beleza que não se sustenta, e que, como ídolos
de barro, perderão a efêmera liga que se desvanece à ação inexorável
do tempo.
Os
arautos das trevas ecoam por ora
suas trombetas, entorpecendo e alienando os espíritos desavisados, mentes
vazias de sabedoria e insensíveis aos apelos sutis e perfeitos do Eu
superior, de forma a interromperem, pelo barulho que se deixam impregnar a
consciência, o canal legítimo entre o homem e o Verdadeiro Deus.
São
eles pois falsos profetas, ícones de súditos autômatos e dependentes.
Seus valores, enegrecidos pela irracionalidade e pelos devaneios, não
reluzem como o diamante da espiritualidade redentora. São ídolos de
fachada, sepulcros caiados, porque são interpretações falsificadas de
uma magia irreal, bengalas de cegos espirituais que tateiam
indefinidamente na erraticidade. Seus poderes se sustentam pela ignorância e pela inconsciência de seus
desditosos seguidores, não os possuem decerto pela condição legítima e
real conquistada. O vendaval do tempo que lhes demarcam o efêmero
reinado, os destronarão de suas falsas e ilusórias majestades.
Apregoam
eles a liberdade, enquanto aprisionam seus súditos sob padrões
inferiores de consciência e de vida. Seus pensamentos, orientações e
ideais são como grilhões, emanados de fontes doentias e apegados a
valores baixos e finitos, não tendo base nas referências sutis e
supremas da eternidade. Inoculam seus venenos sob corpos enfermos,
embrutecidos e fragilizados, como antídoto ao novo que lhes ameaça a
realeza, reacionários que são à evolução da humanidade para a inexorável
espiritualidade, para a luz que lhes desvendarão as ciladas e os fundos
falsos pelos quais ludibriaram seus infelizes seguidores. Têm eles as
entranhas impregnadas do veneno amargo e letal da materialidade que lhes
servem de nutrição.
Multidões
se arrastam para reverenciarem seus ídolos exteriores, representantes hipócritas de uma plebe que lhes sustentam a frágil condição
e a miserável realeza. São projeções falsificadas, vultos e expressões
de um padrão irreal de vida e de consciência. Seus gestos, mensagens,
palavras de ordem, refletem o espectro de que são em consciência,
portadores de uma moléstia contagiosa, a qual impregna aqueles que lhes
sintoniza similar vibração e freqüência de onda. São dissimulados e
pegajosos, referências ilegítimas da real divindade, a chama apagada de
uma luz obscurecida pelas nuvens negras da ignorância e da perdição. Em
sua aparente felicidade, ansiada por seus pobres seguidores, só lhes
restará as cinzas do remorso e da inutilidade, porque seu ouro, seus
castelos e sua beleza, são vazios dos verdadeiros tesouros e valores,
porquanto sejam apenas carcaças humanas que se enchem de dor, de tristeza
e de solidão.
Somos,
cada qual de nós, a expressão legítima da Suprema Alma Universal, que
nos certifica a filiação divina infusa no espírito, e cuja paternidade
se originou dos tempos remotos para a eternidade. Somos assim semelhantes
e emanados da mesma Fonte Espiritual, irmãos gerados do mesmo Ventre
Materno, iguais porquanto em essência e, circunstancialmente, distintos
em expressão e manifestação. Na escala do valor cósmico,
distinguimo-nos, uns dos outros, pelo grau da auto-consciência
conquistada, segundo seja então a posição em que nos encontramos na
medida da evolução imputável a todos os seres viventes. Somos pois
peregrinos em retorno a si mesmos, circunscritos à viagem do Eu ao Nós,
da individualidade ao Todo, da inconsciência à iluminação espiritual.
A
miserável veneração aos ídolos exteriores demarca a condição
inferior na escala de transcendência humana, expressa pela
auto-desvalorização de uma majestade destronada pela inconsciência do
verdadeiro Eu. Amar uns aos outros, como a si mesmo, esta deve ser a legítima
relação entre os seres humanos. A idolatria, através da adoração
insana, sem trocas e reciprocidade, manifesta o aniquilamento do poder
real de que somos igualmente portadores, estabelecendo a demência
coletiva que alicerça o homem sob as bases da ignorância e da intolerância
incompreensíveis.
Somos
espíritos de luz, refratados ainda devido à consciência reprimida e
atrasada, sob a influência maligna e nefasta das trevas
inferiores, as quais se utilizam de seus doutrinadores de ocasião para
eternizarem os poderes baixos e perversíveis de que são fomentadores,
subjugando assim a raça humana sobre os cárceres da materialidade, da
desilusão e do descaminho. Haverá sempre luz atrás da penumbra, assim
como há fogo sob a tênue fumaça, porquanto sejam as trevas
o limiar do Nirvana espiritual profetizado, a casa paterna que ao
filho pródigo se prepara os festejos, a qual projetará seu halo divino
expandido, sobre toda a humanidade.
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