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IB Araripe Soares


ÍDOLOS DE BARRO
 
 

Há uma corrente contínua de pensamentos no mundo, a influenciar gerações e gerações, subordinada esta aos serviços e ao comando das trevas inferiores, que as tem alienado, desorientado e escravizado, ao longo dos tempos. Impregnam o inconsciente coletivo com suas idéias, princípios, valores e conceitos, através de ideologias políticas, religiões, filosofias de vida e comportamento, estabelecendo o vazio, a ignorância e a escuridão, e propagando ainda uma falsa e dissimulada consciência de liberdade. Como referência e padrão, institucionaliza ídolos, idolatrados pelas multidões cegas e acomodadas, alheias ao direitos inalienáveis de buscarem seus próprios caminhos, frente à prerrogativa do livre-arbítrio a si outorgado. São ídolos de barro, os quais não possuem  legitimidade na escala do valor Cósmico real, alienando e aprisionando seus seguidores sob padrões inferiores de vida e de condição moral.

São esses falsos arautos, referências enganosas a certificarem a ignorância e a desorientação, àqueles que lhes seguem os passos e os roteiros, pelo doutrinamento ilegítimo e ilusório, que corrompe, engana e escraviza mentes e corações sob o jugo da ditadura de seus princípios e ideais. São eles próprios porquanto, mais que todos, escravos da corrente que sustentam, presos assim ao ego que lhes refrata a sensibilidade da luz interior. Embrutecidos, e amedrontados ante os acervos inferiores que sedimentaram em suas inócuas existências, direcionam suas consciências doentias de forma a reconhecerem no espelho da vaidade e do orgulho uma beleza que não se sustenta, e que, como ídolos de barro, perderão a efêmera liga que se desvanece à ação inexorável do tempo.

 Os arautos das trevas ecoam por ora suas trombetas, entorpecendo e alienando os espíritos desavisados, mentes vazias de sabedoria e insensíveis aos apelos sutis e perfeitos do Eu superior, de forma a interromperem, pelo barulho que se deixam impregnar a consciência, o canal legítimo entre o homem e o Verdadeiro Deus.

 São eles pois falsos profetas, ícones de súditos autômatos e dependentes. Seus valores, enegrecidos pela irracionalidade e pelos devaneios, não reluzem como o diamante da espiritualidade redentora. São ídolos de fachada, sepulcros caiados, porque são interpretações falsificadas de uma magia irreal, bengalas de cegos espirituais que tateiam indefinidamente na erraticidade. Seus poderes se sustentam pela ignorância e pela inconsciência de seus desditosos seguidores, não os possuem decerto pela condição legítima e real conquistada. O vendaval do tempo que lhes demarcam o efêmero reinado, os destronarão de suas falsas e ilusórias majestades.  

 Apregoam eles a liberdade, enquanto aprisionam seus súditos sob padrões inferiores de consciência e de vida. Seus pensamentos, orientações e ideais são como grilhões, emanados de fontes doentias e apegados a valores baixos e finitos, não tendo base nas referências sutis e supremas da eternidade. Inoculam seus venenos sob corpos enfermos, embrutecidos e fragilizados, como antídoto ao novo que lhes ameaça a realeza, reacionários que são à evolução da humanidade para a inexorável espiritualidade, para a luz que lhes desvendarão as ciladas e os fundos falsos pelos quais ludibriaram seus infelizes seguidores. Têm eles as entranhas impregnadas do veneno amargo e letal da materialidade que lhes servem de nutrição.

 Multidões se arrastam para reverenciarem seus ídolos exteriores, representantes  hipócritas de uma plebe que lhes sustentam a frágil condição e a miserável realeza. São projeções falsificadas, vultos e expressões de um padrão irreal de vida e de consciência. Seus gestos, mensagens, palavras de ordem, refletem o espectro de que são em consciência, portadores de uma moléstia contagiosa, a qual impregna aqueles que lhes sintoniza similar vibração e freqüência de onda. São dissimulados e pegajosos, referências ilegítimas da real divindade, a chama apagada de uma luz obscurecida pelas nuvens negras da ignorância e da perdição. Em sua aparente felicidade, ansiada por seus pobres seguidores, só lhes restará as cinzas do remorso e da inutilidade, porque seu ouro, seus castelos e sua beleza, são vazios dos verdadeiros tesouros e valores, porquanto sejam apenas carcaças humanas que se enchem de dor, de tristeza e de solidão.

 Somos, cada qual de nós, a expressão legítima da Suprema Alma Universal, que nos certifica a filiação divina infusa no espírito, e cuja paternidade se originou dos tempos remotos para a eternidade. Somos assim semelhantes e emanados da mesma Fonte Espiritual, irmãos gerados do mesmo Ventre Materno, iguais porquanto em essência e, circunstancialmente, distintos em expressão e manifestação. Na escala do valor cósmico, distinguimo-nos, uns dos outros, pelo grau da auto-consciência conquistada, segundo seja então a posição em que nos encontramos na medida da evolução imputável a todos os seres viventes. Somos pois peregrinos em retorno a si mesmos, circunscritos à viagem do Eu ao Nós, da individualidade ao Todo, da inconsciência à iluminação espiritual.

 A miserável veneração aos ídolos exteriores demarca a condição inferior na escala de transcendência humana, expressa pela auto-desvalorização de uma majestade destronada pela inconsciência do verdadeiro Eu. Amar uns aos outros, como a si mesmo, esta deve ser a legítima relação entre os seres humanos. A idolatria, através da adoração insana, sem trocas e reciprocidade, manifesta o aniquilamento do poder real de que somos igualmente portadores, estabelecendo a demência coletiva que alicerça o homem sob as bases da ignorância e da intolerância incompreensíveis.

 Somos espíritos de luz, refratados ainda devido à consciência reprimida e atrasada, sob a influência maligna e nefasta das trevas inferiores, as quais se utilizam de seus doutrinadores de ocasião para eternizarem os poderes baixos e perversíveis de que são fomentadores, subjugando assim a raça humana sobre os cárceres da materialidade, da desilusão e do descaminho. Haverá sempre luz atrás da penumbra, assim como há fogo sob a tênue fumaça, porquanto sejam as trevas o limiar do Nirvana espiritual profetizado, a casa paterna que ao filho pródigo se prepara os festejos, a qual projetará seu halo divino expandido, sobre toda a humanidade.      


  • Ib Araripe Soares é Escritor Espiritualista. 

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