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Ib Araripe Soares

 

Castas Sociais

  

A humanidade, no planeta Terra, configura-se sob blocos políticos, econômicos, culturais e sociais distintos e desiguais, revelando porquanto uma diversidade de povos e nações com características e condições de vida em desnível acentuado. Tais extratos sociais constituem o fator preponderante, a terra fértil para a semeadura e o cultivo do ódio e das indiferenças, produzindo então, desarmonia e desequilíbrio social. O corporativismo de grupos isolados e de regiões expressam assim o meio que se utilizam para preservar suas fraquezas e imperfeições, em uma união onde a base constitui o interesse e a preservação de suas mesquinhas condições. Muito mais pois do que fazer valer algum valor genuíno de que possam se orgulhar.

 O capitalismo selvagem, que privilegia o lucro econômico incondicional, em detrimento do lucro social, e da partilha dos resultados dos esforços comuns com igualdade, vem contribuindo para a prostituição e a degeneração dos reais valores da humanidade, pelas trocas baseadas na ganância e no egoísmo, bem como para desencadear o desequilíbrio irreversível de nosso ecosistema. Seus frutos são a desarmonia, a desigualdade aviltante, a insegurança, a violência, as enfermidades, os cataclismas e sobretudo o desamor.

 O planeta Terra vem reagindo em sua luta de auto-sobrevivência, em contraposição pois à ação nefasta e irresponsável dos seres humanos, de forma a resguardar suas condições vitais, autoaplicando-se soluções curativas cujas doses estarão provocando, nos próximos tempos, fenômenos e manifestações telúricas desastrosas à vida do homem e das espécies. Contudo constituem intervenções irremediáveis no processo de preservação da natureza e dos fatores vitais no planeta. Por certo sejam medicações amargas que implicam em grandes sofrimentos e dor, constituem medidas preventivas ante as circunstâncias instaladas no orbe terrestre, ao mesmo tempo em que ensejam contribuir para a preparação de uma natureza renovada, superior, e indispensável por força de uma nova aurora de consciência a qual se destina a humanidade.

 Esses estados de coisas iminentes, cujos sinais preparatórios já se revelam, e qual processo não se pode mais deter, quiçá pudessem ser atenuados, através de ações eficazes de prevenção e de cooperação do homem com o planeta agonizante, sintonizadas com as leis naturais e sábias da Consciência Cósmica. Pudesse haver tempo ainda para se deter a destruição do planeta, e da vida, onde o homem por meio de sua interferência perniciosa e inconsequente, motivado pela ganância particular e pela ignorância das coisas elevadas, apresenta-se como exclusivo responsável, e pela cuja ação receberá, em reciprocidade, os efeitos do processo dgenerativo que tenha provocado.

Destarte sua irresponsabilidade e seu egoísmo, no tocante às condições vitais do planeta, o homem, zelador por designação divina da natureza, o que faz com seus irmãos inferiores e indefesos ? Para a satisfação de seu paladar sofisticado, empreende uma espécie de negócio lucrativo, onde animais são conduzidos à mortandade em massa, impondo-os sacrifícios dolorosos, insensíveis pela cegueira do lucro acima de qualquer valor moral. Hipócritas que até o fazem sob as escusas de preservação das espécies.

 A mente insana que agride a natureza é a mesma que corrompe, explora, deprecia e prostitui seus irmãos, revelando uma atitude orientada para a predação e a destruição, desvirtuando-se de sua natureza essencial pura, fraterna e sublime. Desprovido por ora de referencial e de padrão elevados de caráter e de moral, conduz-se pelos institntos mais baixos e superficiais de consciência, sendo assim causa das consequências herdadas de suas ações iresponsáveis, que lhe retornam em reciprocidade.

 A base das relações e da convivência entre povos e nações são seus currais e cercas virtuais, revelando um posicionamento arredio e solitário, onde cada grupo constituído limita-se à suas culturas, valores, ideologias, posses e leis de auto-preservação, sendo suas partilhas ancoradas segundo o interesse mútuo, e jamais pela intenção desprovida e desinteressada da legítima fraternidade. Assim porquanto sejam suas trocas, apoiadas sob as bases do egoísmo e motivadas pelos impulsos de seus desejos e necessidades primárias a serem satisfeitas, emergem as castas sociais, extratos vergonhosos que expressam uma mentalidade em que os valores humanos superiores relegam-se pelos institntos inferiores e artificiais da consciência embrutecida.

 Propagam-se então os guetos sociais pelo mundo. Serão necessários volumes de lágrimas de remorso e de remissão de culpa para remover as manchas das desiguldades sociais que se instalaram. A humanidade está inoculada pelo vírus do desamor e da maldade, que são expressões do egoísmo intronizado no coração dos homens. Enquanto algemado sob o jugo do Ego, estará cego e insensível à miséria, à incultura, à escravidão e à predação, quanto às circunstâncias de vida submetidas aos irmãos menos favorecidos e em abandono.

 A distinção de oportunidades quanto ao acesso a padrões de existência superior, bem como, a exploração dos frágeis pelos poderosos, e sobretudo a marginalização dos povos cujas ideologias, culturas e posses não atendem os interesses do mundo civilizado, têm forjado as castas sociais que denigrem e depreciam o planeta. Porquanto suas trocas não satisfazem os interesses mesquinhos daqueles que buscam o domínio e a riqueza a qualquer preço. Suas pecúnias são de pedras como serão seus túmulos, conquanto a real sobrevivência do espírito iguala a todos, pobres ou ricos, poderosos ou indefesos, abastados ou desabrigados, em uma legião única onde a casta seja a humanidade.

 A onda de terror, de ódio, e de lutas intermináveis entre irmãos, são consequências das desiguldades, das diferenças e da desunião que caracterizam a natureza das relações no âmbito da sociedade humana. Motivados pelo poder e pela ganância subjugam-se os fracos e indefesos, ainda que seja através da indiferença, instalando-se a opressão e o descaso, causas porquanto do ódio recíproco, da insensibilidade e do distanciamento entre os povos.

 Encontramo-nos no limiar do portal da Era de Ouro, cuja passagem se obstrui por ora pelos arames farpados que apartam pobres e ricos, opressores e oprimidos, judeus e muçulmanos, católicos e protestantes, irmãos que renegam a aliança fraterna designada pela paternidade Divina. O corporativismo que se instalou, quanto a grupos sociais, comunidades, religiões, povos e nações, constitui a forma que se convencionou para a preservação de suas fraquezas e imperfeições, quais sejam suas naturezas, do que mesmo para garantir um mérito ou uma condição ideal que possam deter.

 Porquanto detemos o potencial para expandir a Consciência Cósmica imanente em cada espírito, de que somos portadores pela hereditária filiação Divina, monopolizamos sobretudo o Ego como consciência inferior, limitada, leviana e superficial, expressando-o através de grupos restritos e mesquinhos dos quais participamos isoladamente, no lugar de transcender a Luz para além dos limites de nossos ínfimos contornos sociais, de forma a abrigar em nossos corações cada irmão necessitado de paz, de sabedoria e de compaixão.

 Será mediante a fraternidade humana, e jamais pelo preconceito, pelas armas e pela disfarçada indiferença que iremos erradicar do planeta as chagas do desamor, das desigualdades e das castas sociais, tornando-nos uma só nação, e portanto uma só humanidade.


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