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Espiritualidade
Pura A semente deve então
morrer, por natural e espontânea condição, para germinar enfim a vida,
e desenvolver assim o potencial da árvore latente, para destarte produzir
afinal seu fruto, em uma gestação
mágica da natureza em permanente doação. Potencializa assim o gérmen a
árvore que replica sua fonte, efeito e causa em um ciclo vital que
demanda ao infinito, expressão de uma Consciência Cósmica em sua etérea
e sublime manifestação. Assim como a
natureza, a humanidade também expressa a vida. Energia cujo princípio
engendra o homem, porque seja sua parte sutil, invisível, e que manifesta
a expressão condensada pertinente, de qualidade material, espelho embaçado
do ser real imanifesto, decerto a contraparte de sua polaridade
espiritual. A matéria precisa morrer também para libertar o espírito do
jugo físico, de forma a renascer na dimensão sutil do plano pertinente,
e cuja qualidade expressa assim a aplicação proporcionada pela consciência,
como compensação e fruto de sua existência. Possuímos todos o
gérmen da espiritualidade, homens ou mulheres, adultos, jovens ou crianças,
posto que fazemos parte de uma legião de seres celestiais, estrelas
ascendentes de uma constelação sideral. Santos ou sicários, pobres ou
ricos, virgens ou prostitutas somos todos pérolas de um colar precioso, a
ornamentar de luz esse Universo infinito. Portamos o mais valioso
brilhante, e porque o deixamos esquecido sob o porão frio e úmido,
ornamentamo-nos com bijuterias as quais não nos agrega valor algum. Dado
à herança nobre de que somos oriundos, não devemos apreciar as réplicas
falsificadas do legítimo diamante olvidado.
Conquanto ainda sob
as vestes pesadas do corpo material, refratamos qual nuvem negra nosso sol
interior, acomodados assim à sombra da árvore da indolência e das paixões
inferiores, porquanto nutrindo-nos do fruto proibido que não nos exige o
esforço nem suscita a vontade para a conquista do alimento substantivo.
Preferimos contudo o alimento escasso, a inanição espiritual à
vitalidade genuína do espírito. De forma que passarão as nuvens negras
da tempestade iminente sobre nossas cabeças descobertas, dado a que não
nos prevenimos o abrigo previdente, o acolhimento seguro visto a proteção
necessária. Tal qual a
natureza, que não se esforça para potencializar-se em manifestações
infinitas de criação, posto que incorpore imanente o potencial da
plenitude, assim também deve o homem alcançar a espitiritualidade inata,
sem porquanto utilizar-se do esforço desnecessário e inócuo, dado que
seja divindade em essência, bastando assumir então por direito a condição
latente. Desabrocha o botão a
flor, exalando o perfume natural inerente à qualidade pertinente, a sutil
mensagem, que seja assim a forma como se manifesta para expressar sua
singela gratidão. O homem contudo, em que pese a herança Divina
outorgada, revela-se deveras ingrato, porquanto sejam sóbrias, mesquinhas
e finitas suas partilhas. Instalado assim em seu egoísmo particular,
reparte tão somente as sobras de suas avaras posses circunstanciais,
dando de si a ínfima parte ante a incomensurável fortuna recebida,
detentor que seja da potencialidade infinita em latência, se dispõe
apenas dos resíduos que o satisfazem a inapetência e a indiferença
espiritual. Posto que fadado à felicidade, ao belo e à imortalidade,
limita-se por ora à busca relativa do ganho artificial, tanto quanto
perecível e finito. Ao desabrochar da
consciência, exala o espírito o perfume etéreo da espiritualidade
restabelecida, expressando assim a potencialidade infinita de que seja
portador, herança de uma dinastia celestial, que o habilita a manifestar
o aroma vibratório da harmonização com sua Fonte interior. Sintonizado
enfim ao fluxo da corrente Cósmica construtiva, estabelece conexão
irreversível com o Belo e o Puro, em estado sublime de potencialidade
infinita, assumindo por fim a condição Crística potencial, porquanto
certificada ante a incorporação dos alicerces da virtude, da compaixão
e da sabedoria. O homem, dado ao
seu estado vibratório mental e emocional, utiliza-se de preferência de pontes
para transcender sua condição instintiva, brutalizada e irreal, para
a intuitiva, espiritualizada e genuína. Devido assim à consciência
polarizada sob os valores, ideais e princípios no oceano vibratório da
energia condensada, de frequência baixa e negativa, submete-se a artifícios
de igual diapasão, materializado, com vistas à busca da espiritualidade
designada. Porquanto seja assim, adotam-se doutrinas e estilos de vida, no
contexto das compreensões distintas de que se identificam e afinam-se, de
forma a empregar pontes circunstanciais,
de suas exclusivas escolhas, para atravessar a dura e longa viagem da
existência. Somos todos nós
espiritualidade pura em latência, energia e consciência em plenitude. A
vida, em estado material, constitui tão somente o ensaio singelo do
imortal e do infinito suscetível ao ser humano. Obstante a hereditária
filiação Divina, portamos a essência espiritual em estado pleno de
potencialidade, em que pese a distonia entre o ser relativo, em evolução,
e o ser real, imanifesto. Alcançar a graça da espiritualidade, pela
expansão da consciência em legítima devoção, constitui a meta do ser
humano, e que seja porquanto através do Portal de luz o canal para nossa
legítima redenção. Ainda assim, nos são
oferecidas pontes circunstanciais,
que ensejam conduzir o ser para a conquista da espiritualidade prometida,
como fosse posse, um bem distinto que se consegue pela forma que se ganha
os tesouros finitos e relativos apreciados por nossos sentidos objetivos.
Posto que sejam recursos condicionais, não imperativos, e ainda que
sejamos por designação Cósmica espiritualidade inata, não dependentes
de mecanismos artificiais para expressar o ser Cósmico legitimado por
certificação Divina. Somos luz
celestial, expressão autenticada pelo Criador, porquanto prescindimos de pontes para deveras manifestar o ser genuíno em essência. Posto
que não seja assim o sol que brilha através da lua, não precisamos
decerto de meios primários para expressar o Absoluto em nós, nem por
isso de imposições doutrinárias ou de leituras alheias, relativas e
artificiais. A essência jamais demanda a forma para manifestar-se em
plenitude. A sabedoria forjada
sob o fogo da devoção Cósmica, constitui o elo que nos conecta com a
Luz imanente ao ser. Vivemos permanentemente, conquanto desligados e
dispersos, em sintonia com o oceano sublime da espiritualidade pura, a
qual não se macula nas águas impuras de nossas ocupações degeneradas.
Conectamo-nos com a Luz espontaneamente, tal qual a flor desabrocha da
primavera, como virgem imaculada despojada dos dotes escusos na aquisição
de sua virgindade. Os contraventores
do bem, travestidos de doutrinadores de ocasião, ocupam-se em nos vender
mercadorias que não dispõem. São assim falsos mercadores, que nos
enganam a fé, oferecendo-nos passaportes
os quais os falsificam sob os porões da ignorância e da hipocrisia. Suas
pontes são na verdade piquetes,
obstáculos levianos que visam desviar o ser do reconhecimento natural
quanto à sua espiritualidade inata. Sobretudo, não
carecemos de pontes para
transcender nossos estados de materialidade para a espiritualidade
designada, dado a que a possuímos em essência, assim como não carece o
sol de luz para resplandecer seu poder e glória. Na verdade somos
espiritualidade pura, a chama eterna prevalente, e não a efêmera fumaça
que se desvanece à mais tênue brisa. E porque somos luz potencial, não
se conforma as trevas em que nos sustentam. O cascalho bruto despercebido
ao chão, representa em essência, e não na forma disfarçada, o diamante
valioso enrustido, e que a forja do trabalho meticuloso e perseverante, há
de revelar afinal a pedra preciosa em latência.
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