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Ib Araripe Soares

São Paulo



Tesouros Genuínos

  

Este nosso mundo constitui um lugar de vida primária, onde se valorizam os aspectos relativos e insustentáveis da existência humana, em lugar de valores e princípios de sustentação legítima e real. Preferimos, dado o entorpecimento mental e ignorância das coisas elevadas, as concepções de vida alicerçadas sobre as ilusões e os referenciais relativos e perecíveis, que não se sustentam além  do controle e do poder das mentes subsidiadas pelo inconsciente coletivo. Somos assim, em nossa maioria, impregnados das energias condensadas, que entorpecem a consciência humana, privada de luz e de  autonomia mental.

          A dependência dos estímulos que se ofertam, alheios às genuínas necessidades e liberdades de escolha, de conteúdo frágil e relativo constitui atitude predominante, posto que fruto das ocupações e das tendências inclinadas para a materialidade, em detrimento dos apelos da realidade sublime e absoluta, fonte porquanto da espiritualidade imanente em todos os seres humanos, em que pese jazem sob a lápide fria da inconsciência, por ora então  embrutecidos e  alienados ante suas responsabilidades cósmicas designadas.

          Não obstante este contexto, a humanidade segue seus passos, por voluntária concessão, à deriva da corrente do progresso autêntico e real, condicionada assim às repetições mundanas que lhes fornecem a máscara da personalidade primitiva e irreal. Decerto, está desconectada do elo sustentável da espiritualidade certificada, a qual desalinha a maioria de nós do eixo de sustentação da Fraternidade Cósmica, por força dos devaneios, da  ignorância, dos vícios morais e sobretudo da voluntária deserção espiritual.

            Polarizada assim sob as amarras frágeis e insustentáveis dos valores e ideais inferiores, e ainda nas consciências centradas em ocupações e pensamentos primários, renega porquanto sua hereditária filiação Divina, estabelecida dado o Amor Universal gerado da Maternidade Cósmica em infinito processo criador. Contudo, preferem-se as circunstâncias pegajosas dos prazeres finitos e ilícito  da materialidade inconsciente, ao da expressão do bem, do puro e do sagrado, ou seja, inclinam-se para as escolhas desproporcionais  ante a distinção de valores, entre o apego material que aprisiona o espírito e a sutilidade espiritual que o redime para a eternidade.

          Por certo, o barulho do mundo exterior, ecoado pelos vendilhões insensatos e hipócritas, e impregnando-nos de vibrações em escala negativa quanto ao solfejo universal, contribui para a desatenção e a alienação mental, refratando-nos assim  a atenção para o silêncio interior, fonte porquanto de infinitas possibilidades de renascimento e de realizações legítimas. Enquanto regimentam nossas vidas, sob os referenciais e princípios enganosos, cujas barganhas não possuem a legitimidade da dimensão espiritual, buscando então preservar seus tesouros de pó e de ilusões, destarte seus valores mesquinhos e perecíveis. Suas posses e suas riquezas são como castelos de areia ao sabor das ondas do mar.

          Por que buscar valores que servem unicamente às satisfações estéreis e insignificantes do ego, que não frutificam para a eternidade? Possuímos, no entanto, eterna fonte dos valores genuínos que não se limitam às satisfações perecíveis da materialidade. E posto assim que nos afastamos da condição espiritual inata, restringimos nossa percepção para aquém da visão relativa e limitada da consciência materializada, de tal forma que nos acomodamos a um canto, quando possuímos as asas da liberdade, e além do horizonte para explorar. Contudo, preferimos as posses das quais não detemos o alvará de propriedade, dado a que sejam bens alienados a este mundo, no lugar da certificação espiritual recebida de nossa herança Divina.

          Na encruzilhada da vida, fazemos nossas escolhas pessoais, que em sua maioria acompanham as tendências do inconsciente coletivo que nos serve de referencial. Nossos parâmetros interiores, adormecidos dado que não nos acostumamos consultá-los, são assim preteridos ante a natural inclinação para os apelos exteriores que nos dominam a vontade e a autonomia subjugada. Dependentes então das vibrações inferiores na escala de valores da consciência, rendemos ao apego material, aos hábitos nefastos, e a todo tipo de tesouros ilusórios e insignificantes, em que pese a força atrativa de seus chamamentos. Dado a que nos pegam em desatenção, ou mesmo em estado de carência e de privação, apresentam-se como tábuas de salvação imediata, não obstante por limitado tempo e por relativa sensação de prazer, poder ou riqueza insustentáveis.

          O real valor se revela no mais íntimo do ser, sem publicidades ou trocas insensatas, posto que se faz conquista eterna e infinita. O ouro nem o diamante  não possuem o brilho dos tesouros genuínos da alma, porquanto não se comparam com a riqueza da consciência iluminada. Posto então que sejam valores depreciáveis, não tendo fora da dimensão material, transitória e insustentável, reconhecimento e apreciação.     

          Nossos apegos ilegítimos são expressão de uma consciência inconsciente de sua autêntica natureza. Dado assim a que não reconhece sua essência espiritual, apega-se a ideais, princípios e valores de contexto material, subjetivo, oriundos do campo das sensações. São tesouros que não sustentam a felicidade permanente, nem satisfazem o espírito sedento dos valores que o devem ascender enfim à eternidade. 

           Os valores materiais constituem ferramentas e não tesouros. Conquanto, são instrumentos importantes como meio de sobrevivência e de comodidade, não devem assim ser objeto de apreciação e de valorização fútil e irreal. Os verdadeiros tesouros são aqueles que transcendem a dimensão transitória da vida, e perpetuam seu valor para toda a eternidade, posto que sejam de riqueza espiritual. Quando então nos apegamos aos valores perecíveis acumulamos tão apenas pêsos e não tesouros legítimos, que decerto obstruem o espírito na conquista dos valores genuínos da espiritualidade.

          Feito poça de água fétida e paralisada assim se apresenta aquele que não estabelece um canal com um lago de águas puras para sua limpeza. Ao abrirmos porquanto a consciência para o manancial de vibrações sublimes da Consciência Cósmica, substituímos aos poucos os valores ilusórios dos sentidos, do poder temporal e dos prazeres inferiores, pelo tesouros emanados dado a nossa definitiva iluminação interior, de potencialidade infinita e real.  De forma que haveremos de fazer as trocas necessárias para a transcendência inexorável do espírito,  destarte a dimensão espiritual precedente.

          Os prazeres da dimensão material são transitórios e mesquinhos, posto que nem se sustentam nem possuem valor autêntico. Dado o desconhecimento dos tesouros genuínos, da dimensão espiritual,  constituem assim referenciais de vida usual, em que pese não prover satisfação legítima ao espírito inconsciente de sua herança Divina. Por intuição, possuímos a lembrança dos tesouros genuínos, cujo acesso se refrata pelas trancas mesquinhas do ego. Porquanto seja sua vitalidade, preserva-se a autoridade pelo receio de que perca suas insignificantes riquezas ilusórias, mantendo assim a consciência fragilizada sob seu domínio e poder.   

          Assim como a flor não serve ao riacho que nem lhe aprecia a beleza, destarte ao artista se revela sublime paisagem. Tanto quanto, nos devem ser objetos de apreciação os ideais e valores que suscitam felicidade e prazer legítimos à alma, sensível porquanto às vibrações sutis da harmonia, da paz, da compaixão e das virtudes morais. São assim tesouros genuínos, de eterna e infinita satisfação, ornamentos da consciência ascencionada às elevações sublimes da Mente Universal.         

                                                                            


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