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Ib Araripe Soares

São Paulo



O Princípio da não resistência

 

            O Universo opera através de regras complexas, que a despeito se manifestam naturalmente em que pese as correlações ilimitadas de que se dispõe para expressar o potencial infinito da Consciência Cósmica em permanente estado criador. Destarte esta infinita dinâmica de possibilidades, a base de sustentação se fixa no equilíbrio mútuo, decorrente da interação e correspondência perfeita entre os astros, assim como na energia do amor universal, expressando o sentimento da Divindade por toda a imensidão do Cosmo.

             Porquanto seja tal harmonia, o sol não conflita com seus planetas, nem estes com seus satélites naturais. As estrelas, por sua vez, têm em cada outra o ponto necessário de sustentação, sem o qual despencariam alhures no espaço sideral, promovendo um desequilíbrio em cadeia de proporções incomensuráveis. Felizmente, sustentam os astros entre si uma correspondência de mútua sustentação, nutrida sob os liames do Amor Universal, que determinam a harmonia prevalente, promovendo uma sinfonia Cósmica  sob a regência das notas sublimes da sabedoria Divina.

             O homem, da forma como se manifesta em nosso planeta, dado seu livre arbítrio e o estado circunstancial de evolução espiritual, constitui o único ponto destoante em seu ambiente natural. Posto que mantém ainda, em regra geral, uma postura orientada para a prostituição da sociedade e para a predatismo da natureza e das espécies. De forma a promover todo o tipo de violência, injustiça social, desequilíbrio ecológico e desorientação mental, fruto do descontrole proporcionado por sua irresponsabilidade, e sobretudo dado o comportamento de resistência contra as forças naturais do Universo, e em última instância contra a energia sublime do Amor Universal.

             Toda resistência cria uma energia condensada em torno do ambiente, objeto da luta empreendida, que gera assim desarmonia e conflito, fruto do fluxo do amor retraído ante as barreiras opostas da reação. São como águas estagnadas onde as larvas encontram ambiente propício para nascer e criar. Conquanto seja tal oposição, a interrupção do fluxo natural da vida relega ao homem paralisação e sofrimentos. Ao favorecer contudo a emanação do Amor Universal em sua vida, alinha-se à corrente do Sentimento Divino em sua direção, obtendo infinitos recursos de sua necessidade legítima, posto que subtraído da reação contrária, se dispõe à canalização de forças ilimitadas a seu favor. 

             Observemos como opera a natureza. O sol não se esforça para dar sustentação aos planetas que o orbitam, nem por certo para emanar calor e luz, energias indispensáveis à geração e sustentação da vida na Terra, sendo de sua natureza cumprir o papel designado. Posto que esse esforço esteja alinhado com as regras sublineares da Consciência Cósmica, opera assim espontaneamente, sem qualquer resistência, sem ao menos se revoltar contra as forças naturais de que precisa para operar.

             Constitui a natureza o campo das potencialidades ilimitadas, onde se organizam e operam todos os eventos demandados pelo Universo, expressão infinita do poder mental da Divindade, porquanto oportuno e infalível. Assim, sugere-nos a sabedoria agir em consonância com suas regras e princípios, pensando e operando em sintonia com suas forças e energias favoráveis, no lugar de estabelecer resistência e revolta injustificáveis, bases de conflito, de desunião e de desarmonia.

             Assim como a primavera se expressa espontaneamente através do desabrochar das flores, manifestando encanto e beleza, deve o homem submeter sua vontade mesquinha, seu esforço limitado e seus desejos perecíveis à ação inefável da Consciência Cósmica,  à grandeza da natureza que opera naturalmente em sua mente. Cabe então a si, pelo livre arbítrio outorgado, escolher pensar e agir segundo os preceitos sábios e infalíveis da natureza, e de certa forma não opor resistência às suas forças e princípios, alinhando-se assim ao fluxo da energia do amor universal, que emana a todos indistintamente do Divino coração.

             As relações sociais no planeta carecem de amor e por isso caracterizam-se pela competição recíproca. As religiões, as ideologias políticas, as nações e comunidades conflitam interesses, opondo-se resistência mútua, em discordância com os desígnios naturais e superiores de fraternidade. Baseando-se suas interações sob os alicerces do egoísmo e da vaidade, projetado coletivamente no campo social, na verdade dispõem resistência ao fluxo da energia do amor, promovendo desarmonia e conflitos recíprocos. Canalizam assim voluntariamente para toda a humanidade os dejetos de que sejam fonte, operando irresponsavelmente contra o Universo e contra sua própria felicidade.

             Podemos ainda, dada perversidade extrema, contribuir para a extinção de todas as espécies vivas do planeta, quiçá em segundos, quando a natureza dispôs milhões de anos para criar. Contudo, não obstante a ação irresponsável e seu pseudopoder, não poderá o homem extinguir o gérmen da vida, latente e preservado no laboratório Divino sob os segredos mais profundos e sagrados da natureza. E em que pese toda a atual e propalada ciência humana, não será capaz  de desvendar.

             Ainda mesmo quando bem intencionado, e disposto sinceramente a conquistar qualidade de vida, bem estar social, paz mundial e a felicidade, o homem dispõe uma postura equivocada, pensando e agindo na contra-mão do fluxo natural necessário. De forma que, em busca de suas conquistas, luta contra a violência, a fome, a miséria, a guerra, e por fim contra seus defeitos e imperfeições de caráter, sob pena contudo de perpetuar indefinidamente, dada a resistência imprimida, as situações indesejadas que combate. Tal atitude responde ainda à mentalidade predatória e de conflito interno de que seja por ora  portador.

             No lugar de sustentar uma postura de combate sistemático, de resistência às forças contrárias ao bem, à evolução e à felicidade, devemos manter uma postura natural de        não-oposição, e alinharmo-nos ao poder infinito e ilimitado do Amor Universal, que emana sua energia sistematicamente para toda a humanidade. Ao resistir, criamos uma resistência  imediata de oposição, de igual ou maior intensidade, porquanto neutralizando assim nossa força, de forma que os êxitos ou resultados serão mínimos, desproporcionais à luta imprimida, dada a energia inocuamente desperdiçada.

             As forças de oposição ante uma situação que nos incomoda não estão alinhadas ao fluxo de energia do Amor Universal, dado que se instrumentalize pelo escudo da resistência. Tampouco lhe confia seu apoio. O rio caudaloso desce e não sobe a montanha, assim como deve o homem pensar e agir favoravelmente em concordância com os ditames do amor.  Resistir demanda energia negativa, de baixa freqüência, que instala o homem nas águas paradas do desamor e do desequilíbrio, divorciado assim da Fonte genuína da vida.

             O botão jamais opõe resistência às forças naturais que operam sobre a flor para que desabroche, apenas desabrocha, estimulado pelas forças que agem sobre sua vontade favorável. Como assim também o homem não se esforça para respirar, apenas inspira e expira o fluido da vida que lhe perpassa a corrente sanguínea para viver. E, através da natureza, assim como do campo das potencialidades infinitas, operando em nossa mente e coração, canalizamos o fluxo do Amor Universal a nos ofertar a dádiva da verdadeira e sustentável felicidade.

                                                                         


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