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Ib Araripe Soares

São Paulo


Culto à Personalidade

Malgrado seja a tendência preponderante para o reforço da personalidade, no campo social da atividade humana, não obstante contrário aos princípios fundamentais prescritos pela Natureza, e revelados ante a diversidade de suas aparentes manifestações, cabe ao homem despertar do instinto inferior prevalente, para que liberto dos condicionamentos do isolamento pessoal, há de assumir, destarte livre dos grilhões lendários do ego, sua missão Cósmica impostergável.

Na seara do Universo haverá de ser assim o fruto da árvore do amor, conquanto a universal colheita do bem e da fraternidade. Obstante seja que nenhuma forma de vida, ao contrário do homem, se desvela pelo recurso da personificação individual, qual troféu exposto no quadro das ilusões ante a ocupação supérflua e inócua, em detrimento das práticas inefáveis da solidariedade humana. Destarte o instinto selvagem na prevalência invertida frente os apelos sutis da bondade e da compaixão inerente, revela-se porquanto o homem como sendo o único ser vivente o qual, obstante o poder da intelectualidade e da razão, enseja adotar um comportamento individualista, porquanto reacionário à ordem natural e perpétua das coisas.

A humanidade confere ao homem, debalde os esforços coletivos com vistas ao fortalecimento social, como sendo o elo mais frágil na corrente da Natureza. E dado assim que vulnerável ante o isolamento voluntário, destarte a postura de independência e autônoma ante os desafios da vida, sucumbe em sua maioria conquanto a luta desigual e egoísta no campo sanguinário da sobrevivência humana. Há de apresentar nesse mister um comportamento recessivo, malgrado sua natureza dominante, porquanto solidária e orientada para a socialização responsável e criadora de oportunidades recíprocas. A despeito de seu caráter social, e dada a consciência individual suscetível às armadilhas ardilosas do ego, tendemos a reforçar a aura da personalidade, aprofundando-nos sem perceber nas cavernas abissais do egoísmo e da perdição humana. Havemos assim de preferir deter de ordinário, como posse pessoal, as moedas mesquinhas da sustentação e da riqueza relativa e supérflua, do que partilhar com o outro os tesouros infinitos e imensuráveis da espiritualidade coletiva.

Apresenta-se a sociedade como um organismo vivo, cujas células representam o conjunto dos indivíduos os quais determinam sua vitalidade e sobrevivência. E porque inerentes ao mesmo corpo social, cada qual há de portar em regra a consciência do todo, de forma a engendrar uma alma coletiva humana auto-sustentável, onde as contribuições individuais hão de conferir satisfação às necessidades predominantes da humanidade. A célula que então enseja isolar-se, desligar-se do elo natural com o qual mantém mútua cooperação, há de perder sua referência principal quanto à função do todo, tornando-se assim um ponto de rejeição espontânea do sistema no qual por natureza íntrínsica se insere. A humanidade, qual um organismo vivo, representa a alma coletiva onde executamos funções inerentes à natureza humana designada, pelas quais somos responsáveis por delegação Cósmica consignada, na observância das leis supremas do Universo. Infringi-las, em que pese as prerrogativas do livre-arbítrio individual, significa atrair para si uma corrente invisível de sanções punitivas, dado o ônus das infrações inconsequentes infligidas à coletividade.

Não obstante, ao próprio indivíduo não compete porquanto a finalidade de sua existência. Por certo, cada vida há de transcender os limites da sobrevivência pessoal e os contornos exíguos da personalidade, como expressões efêmeras e finitas, para atender como prioridade da existência os pressupostos superlativos da humanidade. Assim como discreta gôta d' água isolada do mar, há de deixar de ser por um instante o oceano potencial, cada personalidade humana, destacada face voluntária distinção, há de desconectar-se do feixe que houvera de iluminar uns aos outros em sustentável conexão de luz, rejeitado circunstancialmente malgrado a atração permanente do corpo universal.

Decerto, na unidade há de habitar a magia infinita da imortalidade, conquanto garantida dada a preponderância do Todo sobre o isolamento circunstancial. Unidos haveremos de nos tornar imortais, contudo isolados haveremos de padecer o frio cinzento da desolação e porquanto a indiferença do abandono voluntário. De ordinário, há aqueles que, iludidos ante as compensações e satisfações perecíveis, apreciadas dada a mente polarizada sob a âncora dos apelos inferiores, face o convencimento suspeito do ego, hão de erigir suas estátuas e pedestais da auto-admiração doentia, no concurso da desnecessária demonstração de superioridade.

Na compulsão de se destacar, apenas se isolam, retraindo-se qual pássaro migratório destacado da revoada que já então se alonga no horizonte lomgínquo. Hão de ser assim qual faíscas mal percebidas, um fogo fátuo, não possuindo porquanto a chama genuína da identidade coletiva original. Rejeitados e ignorados por espontânea manifestação, sujeitam-se à segregação e à solidão, qual misântropos ante o culto pessoal exclusivo. Obstante assim ao valor distinto em relevo, malgrado apoiado sob as argilas arenosas do egoísmo pessoal, e tecido pelas ações improdutivas da personalidade reclusa, haverá de romper o elo de conexão como o corpo nutritivo da humanidade, minguando-se então às expensas da inanição voluntária cultivada em seu coração.

A afirmação da personalidade individual constitui campo favorável à regressão face a referência infinita da luz e do amor, de onde nos desviamos dada a busca prevalente e infértil da auto-promoção. Representa assim o reinado do ego, os limites exíguos em cuja circunscrição se aprisiona a consciência desavisada e iludida ante a malícia da idolatria pessoal, retraída então não obstante o potencial ilimitado de possibilidades de que seja deveras portadora. Faz-se mister contudo inibir o posseiro interno das ilusões o qual reverenciamos ante mesquinha devoção, posto que represado sob os contornos obtusos da personalidade , forjada por hábito sem barreiras ou contestação. Renegar de antemão, enquanto o tempo propício, a crença profana cultuada no templo e no altar do deus pessoal, conquanto o entorpecimento mental preponderante. E suscetível assim ao despojamento decorrente, dinamitar os diques da obstrução que ora protegem as águas impuras dada a paralisação da corrente do amor estagnado no poço da privacidade, expondo-as enfim ao efluxo vibratório da regeneração espiritual. Suscetível então à transcendência do amor que opera espontaneamente em sua consciência, posto que isento agora dos grilões da exclusividade, tocado de vez obstante o instinto superior de preservação da raça humana, haverá de se impregnar do sentimento de auto-compaixão, como antídoto à destilação do próprio veneno outrora autoaplicado. E assim sensível dada a auto-piedade suscitada, haverá de render-se face ao abatimento natural à solidariedade coletiva, levado por fôrça da corrente sublime do amor universal.

Haveremos de fazer longa viagem pelo transcurso do Eu, singular, ao Nós, plural. Obstante assim a medida da evolução em consciência, conquanto a expansão da mente individual pela imersão no oceano vibratório infinito da Mente Universal. Transcender porquanto a dimensão restrita, insignificante, da personalidade, com vistas a expressar a Divindade manifesta via a conexão sustentável da espiritualidade inerente. E porque vestidos por ora com os hábitos sociais grosseiros no casulo da predominância pessoal, conectamo-nos aos apegos relativos e frágeis do mundo material, os quais nos compelem à ruptura com a sintonia espiritual imanente . E assim, dado os alicerces insuspeitos da dimensão insustentável abrigada, havermos de ruir e desmoronar.

Debalde acentuamos a distinção e a diferenciação pessoal como recurso para compensar a inferioridade do espírito vencido e abatido conquanto o ardil sem escrúpulo e nefasto do ego. E face aos recalques oriundos da modelagem superficial ante a personalidade reduzida à insignificância que não representa o legítimo estado de consciência, obstante a condição plena consignada, haveremos de nos ratejar qual vermes na crosta infecunda da inconsciência humana. Preso assim às algemas da personalidade irreal, haveremos de renunciar à majestade instrínsica da espiritualidade inerente, e adiar por tempo indeterminado à libertação inexorável do espirito ante os grilões da personalidade obtusa e restrita, obstante o despojamento das armaduras brutalizadas e insensíveis do egoísmo pegajoso.

Circunstancial, e não porventura eterno, haverá de ser o culto individual à personalidade, posto que nos suscita ao aniquilamento da expressão genuína residente por então em eventual recessão provisória. E qual raios de sol sombreados ante as nuvens negras da tempestade passageira de verão, hão de ocultar a luz e o calor prevalentes que por enquanto se inibem face as trevas obscuras que se formam no contexto da mente aprisionada nos porões da ignorância e da irracionalidade. De modo que seja assim da natureza intrínsica do ser humano a interação e consequente integração com o todo da humanidade, não apenas com o mundo pequeno e insignificante da personalidade, e porquanto pelas vias favoráveis da empatia e da solidariedade suscetíveis por espontânea condição humana, obstante a abdicação dos apelos e prerrogativas mesquinhas do ego.

E dado que ao abrigo da unidade esteja a fôrça impulsora da evolução coletiva da humanidade, o isolamento como atitude, malgrado sob a bandeira altiva da individualidade porquanto destacada, enseja fragilizar a sustentação da corrente universal no sentido do progresso moral sob a égide da genuína fraternidade. Desconetados então do elo do amor, por voluntária permissão, haveremos de amargar o licor da expiação e da dor moral, sintomas de grave enfermidade e não contudo mera punição, obstante enfermo circunstancial em quarentena face moléstia contagiosa. E porque enfermo no isolamento do quarto sombrio da personalidade, haveremos de purgar o lodo que se formou na consciência por ora isolada, dada a estagnação do fluído sublime do amor universal.


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