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Ib Araripe Soares

São Paulo

 

Desequilíbrio Planetário


Tanto a magnitude quanto a infinitude constituem, no contexto do Universo físico, estados distintos da dimensão, relativos, porquanto à mesma essência de energia, que se interagem mutuamente através da vibração Cósmica pertinente. De tal forma que seja a partícula sub-atômica a expressão ínfima original da totalidade do Cosmo. A matéria prima primordial latente da dimensão, inerente à energia que anima tanto seja um grão de areia quanto estrelas de primeira grandeza.

Apresenta-se assim o Universo, uma face oculta em relação de interdependência com sua contraparte revelada, estados vibratórios de freqüência diferenciada, a fonte e a emanação na interpretação de papéis complementares. Neste cenário, instantaneamente diminuto e incomensurável, estabelecem-se as trocas recíprocas premeditadas, cujo intercâmbio determina o equilíbrio revelado na harmonia do esforço mútuo prevalente.

O equilíbrio perfeito de forças demanda trocas compensadoras de energias, e não consumo unilateral levado ao esgotamento. O desequilíbrio e a desordem, por sua vez, comumente a atitude preponderante nas relações humanas e do homem com seu ecossistema, manifestam como fonte primária a interrupção do fluxo natural de energias, assim como o amor e o respeito mútuo. Tendo ainda como causa secundária, o atrito e o confronto recíproco, na desagregação da harmonia e da estabilidade mútua, resultando em destruição e fragilidade, dado o desequilíbrio de forças decorrente.

De tal forma que sejam os reveses da natureza, compensações espontâneas frente às agressões de antemão sofridas, um refluxo de forças em oposição natural às interferências estranhas infligidas pelo homem à vitalidade do planeta. Conquanto que se estanque o fluxo ora em curso de energias, obtém-se por conseqüência estagnação e prejuízo vital, tal qual coagula o sangue nas veias ante a interrupção do fluxo sanguíneo. Posto que o intercâmbio de energias, consoante as leis naturais e universais, contanto que seja nos limites permissíveis, resulta na condução natural das coisas, na ordem geral estabelecida ante os desígnios infalíveis da Consciência Cósmica.

A Natureza sempre se impõe porquanto a prevalência de suas leis superiores. E porque regidas por instruções infalíveis, operam-se através de ciclos perpétuos e sob o suporte de correlações infinitas, que não se pode porquanto destruir ou degenerar. Em que pese porventura as agressões externas inconseqüentes, causas da insensata interferência humana, dada a ganância e ignorância peculiares, dispõe dos recursos oportunos de que se vale mais das vezes, na compensação do desequilíbrio de que seja então vítima regular. Posto que ilimitada seja sua fonte, e infinitas suas possibilidades, eterna se apresenta quanto à capacidade de recuperação e de regeneração.

Ao longo da história da humanidade passaram-se inúmeras civilizações, cada qual emergindo, desenvolvendo e desaparecendo sob o testemunho irrefutável da natureza. Em seu curso natural, dera vida e abrigo a todas elas, dada sua materna seiva e sua missão indefinida. Conquanto foram as formas predatórias de convivência humana, sobrevivera ainda assim às suas interferências perniciosas e destruidoras, posto que seja infinita sua capacidade de superação e ilimitadas suas potencialidades, porquanto emanadas da Fonte suprema do amor Divino.

Não entende o homem a sublime função da Natureza, dado que seja sua compreensão de ordinário embaçada pela soberba e ignorância preponderantes. Muitos há que se enganam pela aparente deficiência e limitada condição inerente e que destarte sua exígua visão não percebem sê-los circunstâncias intencionais dada a ocasião, com o propósito de relegar ao homem um paraíso inacabado, obstante latente em plenitude, como que laboratório visando o desenvolvimento permanente da inteligência humana . Na entrevisão da realidade oculta, supõem que sejam autores exclusivos, e não prepostos, na tarefa de aperfeiçoamento do potencial pertinente, sem, contudo perceberem a ação invisível dos princípios naturais em elaboração, na regência e suporte da aplicação dos inventos e progressos conquistados pela civilização.

Obstante assim a liberdade outorgada, confiada à humanidade pelo Criador, retoma o homem através das civilizações, em sua missão planetária, a marcha inexorável do progresso, tanto seja moral, quanto material, sob o contexto dos respectivos referenciais de conduta e ante os padrões potenciais designados. Em que pese as revelações das leis naturais e universais, no curso inexorável da eras, ante a observação metódica e pela sondagem sistemática do desconhecido, confere o homem de imediato a aplicação do conhecimento obtido, de ordinário, em produtos úteis à sua sobrevivência e comodidade, sem contudo manifestar preocupação quanto as conseqüências, negativas ou destrutivas, de que seja deveras autor . Impulsionado pelo ganho direto que lhe proporciona o progresso, não mede os reflexos indiretos a que submete à natureza e à formação moral da humanidade. Medidas degenerativas subvertem assim os padrões e referenciais que lhes deveriam servir de parâmetro incondicional, retornando a si os dejetos morais, sociais e materiais que lançara dada sua irresponsável ação predatória.

Debalde, busca através do progresso, destarte o desequilíbrio natural e moral proporcionado, a harmonização do ser com a vida e com o ambiente terreno, em que pese na contramão das leis Divinas, transgredidas de forma vil e irresponsável. Dada então a inteligência, os recursos e os conhecimentos ainda primários que dispõe, limita-se por enquanto, suas ações inconseqüentes, aos contornos exíguos do planeta, não tendo assim conseqüências e amplitude no contexto do Universo. Graças porquanto ao atraso moral prevalente, não se permita ao homem a sondagem de conhecimentos mais profundos e ilimitados, cujo patrimônio fosse oportunidade para a produção de destruições irreparáveis no seio da Natureza.

A insensatez do homem o impele a utilizar-se do conhecimento ora incipiente e precário disposto, em aplicações motivadas visando a satisfação de desejos e de caprichos fúteis e desnecessários, que não agregam valor substantivo à humanidade. Revelam assim o estado de seus valores morais fundamentais em escala inferior de evolução espiritual. Que em questão o estimula a esgotar recursos limitados ou perecíveis, diante da desmesurada saciedade particular que penaliza o equilíbrio e a estabilidade das forças vitais do planeta e os princípios morais da sociedade.

Em que pese o estágio primitivo da ciência atual humana porquanto vulgar, no que tange ao princípio atômico, obstante a gravidade de suas conseqüências invisíveis para o contexto de nosso ecossistema, aplicam-se em experiências nucleares como fossem distrações mundanas usuais. Nem tampouco conseguem entrever a destruição oculta e silenciosa que ocorre lenta e passiva sobre nossa biosfera. Entretem-se como brincadeira inocente ao fazer emprego da fonte primária da vida orgânica e inorgânica, desprovidos, contudo de conhecimento suficiente para a adoção de medidas preventivas demandadas ante as conseqüências devastadoras de que sejam ora responsáveis inconseqüentes.

Decerto, aquelas nações que têm amiúde contribuído com a poluição nuclear emergente, hão de ser as que de princípio e mais significativamente sofrerão os cataclismas regeneradores em curso, dada a reação natural do planeta, que se forja relativamente por ora nas entranhas da terra e dos oceanos. Hão de ser estas sepultadas pela revolução espontânea da Natureza, posto que em desequilíbrio induzido, sob os restos mortais de que foram antes progressiva civilização.

A ocupação desordenada e irracional do planeta pelo homem civilizado, fruto da atitude predatória e egoísta que o tem caracterizado, enseja produzir com a sociedade e a Natureza uma relação recíproca conturbada e em processo de desequilíbrio irremediável.

Representam assim forças antagônicas em choque contínuo, que dado ao atrito sistemático, geram porquanto conflito e degeneração mútua. Resultando por certo em desarmonia social e desequilíbrio ecológico, cujos reflexos reproduzem danos e devastação recursivos ao próprio homem então fragilizado. Cabe a si, como preposto da Divindade, interagir com a Natureza ante os referenciais e pressupostos de suas leis naturais, aplicando-as com conhecimento e domínio pleno, em suas demandas de sobrevivência e de progresso sustentado. Utilizando ainda seus recursos consoante a preservação do potencial inerente, assim como de suas fontes naturais perecíveis, de forma a prover harmonia e desenvolvimento sustentável, no lugar de conflito e destruição. Porque sejamos viajantes ocasionais, estando apenas de passagem, não convém ser causa de desordem e de desequilíbrio, dado porquanto que o futuro nos aguarda neste planeta, assim como recebemos hoje o ambiente que outrora forjamos no passado.

Vivemos sob um ambiente natural propício à felicidade genuína, dado que se forja no sentido da plenitude potencial inerente. Nosso paraíso planetário do porvir. Desde que se estabeleça com o planeta uma relação de qualidade legítima, quanto ao respeito às suas leis naturais e às suas forças vitais, haverá equilíbrio, harmonia e prosperidade sustentáveis. Isenta porquanto de conflitos, quanto aos embates sistemáticos contra a humanidade transgressora, diante da necessidade imperiosa de preservar sua vitalidade e seus princípios universais, haverá a Terra de revelar seus poderes e riquezas ilimitados, ora protegidos ante a ganância e a insensatez humana. Infinita se revelará então a Natureza.

E posto que não mais se ocupará em ocultar a potencialidade latente, de que seja portadora porquanto ilimitada expressão planetária da Providência Divina manifestará ao homem toda sua plenitude. E obstante a legitimidade da integração homem-natureza, alicerçada ante a harmonia entre os interesses da humanidade e as forças e leis naturais, grandes conhecimentos e recursos ocultos se revelarão enfim às civilizações moralmente regeneradas, como cumprimento da aliança sustentável que se celebrará no despertar deste terceiro milênio.

 


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