Elizabeth Chelle |
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MORADA
DE LUZ Um
dia, acordei achando que podia o mundo transformar. Li as notícias dos
jornais e deixei a revolta se manifestar e, indignada, com os olhos
atentos, não acreditava no que lia: mortes na China, fome na África,
intolerância na Irlanda, no Oriente Médio, discriminação racial,
social e outras revigorando mentes atrasadas. A fome alimentando a
vergonhosa estatística da indústria da mortalidade infantil. A corrupção,
hoje tão falada, praticada e exibida como títulos de mestrados formando
abutres da honestidade.
Mas,
cansada de ler as injustiças dos homens que culpam o mundo, olhei para o
céu azul claro, límpido, de onde uma luz solar dourada dava vigor às
cores da natureza, me fazendo lembrar do criador.
Olhei
para mim, me senti impotente. Além da revolta, uma frustração dominava
meu coração, achando-me sozinha. A tristeza pesava nos ombros.
Flashes
de imagens absorvidas vagavam em minha mente e, cada vez mais apertado, o
coração angustiado sofria. As lágrimas não contidas brotavam em abundância,
fazendo–me soluçar. Neste momento, me sentindo incapaz, com as mãos
escondia o rosto envergonhado, deixando esse sentimento de impotência
dominar a alegria de viver. Mas não podia deixar que esse sentimento
fosse mais forte do que a vida, tinha que reagir. Se não podia
transformar o mundo, poderia me transformar, buscar evoluir, compreender,
ser justa, auxiliar, tolerar e perdoar, contagiando o ambiente ao meu
redor com harmonia, esperança e determinação, para que outros se
sentissem motivados por sentimentos nobres.
Percebi
que a própria caridade que cobrava muitas vezes não praticava. Que a
intolerância que repugnava, sem me dar conta, por vezes utilizava. A
justiça que questionava e exigia convenientemente ficava esquecida. Assim
refletia; como podia exigir, questionar se não praticava plenamente os
conceitos fundamentais no dia-a-dia?
Apontava
erros alheios quando os meus procurava justificar. Mas acordei. A vida
voltou a ter brilho não cabendo espaços para tristeza. O mundo em
diversos cantos chora e compreendi que, antes de transformar esse mesmo
mundo, é necessário que cada um de nós sofra essa transformação,
aprimorando valores e sentimentos hoje esquecidos, neutralizando a
escravidão, a ambição e a injustiça daqueles que se julgam poderosos,
para que o mundo seja uma morada de luz e benção para todos.
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