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O deserto quente e frio chora. Lágrimas nele derramadas são evaporadas e sobem aos céus, formando densas nuvens de tristeza e angústia. Choro e lamento são ouvidos com o silvar do vento frio que corta a carne. Mas
não é só o vento que corta a carne. A intolerância
e a ganância estão cortando milhares de vidas. Cortando
a carne de inocentes, tirando a vida dos frágeis e humilhando
os que já se encontram humilhados. O deserto quente e frio chora. As lágrimas nele deixadas foram levadas pela tempestade, chegando em outras cidades, misturando-se às que já ali estão derramadas. Olho para o céu e vejo as luzes da destruição prontas para ao solo caírem e formarem grandes buracos, como covas profundas que engolem suas vítimas. Clamo a Deus que me livre deste sofrimento, que me afaste da dor e que me leve consigo, pois neste momento não vejo esperança. Quero morrer, mas não posso cerrar meus próprios olhos. Deus me abandonaria. Clamo a Deus novamente, mas sopra um vento frio e traz com ele vozes mostrando que Deus está sendo chamado para proteger e abençoar atos que nos fazem sofrer. Clamam a Deus para justificar o que é injustificável, para aliviar a própria escolha que gera trevas no coração e coloca Deus à margem de suas vidas. Oh,
Deus! Clamo teu nome na tentativa de não ouvir vozes que o
clamam, vindas da escuridão. .
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