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Elizabeth Chelle

Paraná


LÁGRIMAS E
ESPERANÇA

O deserto quente e frio chora. Lágrimas nele derramadas são evaporadas e sobem aos céus, formando densas nuvens de tristeza e angústia. Choro e lamento são ouvidos com o silvar do vento frio que corta a carne.

Mas não é só o vento que corta a carne. A intolerância e a ganância estão cortando milhares de vidas. Cortando a carne de inocentes, tirando a vida dos frágeis e humilhando os que já se encontram humilhados.

O vento sopra e mais gritos de lamento sobem aos céus, fazendo-se ouvir em diversos territórios que, inconformados, se mobilizam para que ventos novos não soprem levando embora a paz, antes que tempestades futuras se formem para destruir o mundo.

O deserto quente e frio chora. As lágrimas nele deixadas foram levadas pela tempestade, chegando em outras cidades, misturando-se às que já ali estão derramadas. Olho para o céu e vejo as luzes da destruição prontas para ao solo caírem e formarem grandes buracos, como covas profundas que engolem suas vítimas.

Clamo a Deus que me livre deste sofrimento, que me afaste da dor e que me leve consigo, pois neste momento não vejo esperança. Quero morrer, mas não posso cerrar meus próprios olhos. Deus me abandonaria.

Clamo a Deus novamente, mas sopra um vento frio e traz com ele vozes mostrando que Deus está sendo chamado para proteger e abençoar atos que nos fazem sofrer. Clamam a Deus para justificar o que é injustificável, para aliviar a própria escolha que gera trevas no coração e coloca Deus à margem de suas vidas.

Oh, Deus! Clamo teu nome na tentativa de não ouvir vozes que o clamam, vindas da escuridão.

O vento sopra e traz com ele uma pequena esperança. Meu coração neste instante vibra porque ouço vozes do bem que clamam por Deus, implorando a paz. Sei que não estou sozinha. minhas lágrimas e meu sangue no deserto quente e frio não serão esquecidos, pois as vozes de outros povos às nossas se juntaram para que a paz seja bem-vinda.

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