Everaldo d'Alverga |
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Clovis Scarpino: Homenagem Póstuma No dia 14 de novembro de 2003, um infarto arrancou do nosso convívio Luiz Clóvis Scarpino aos 73 anos, 53 dos quais dedicados à profissão. Clóvis Scarpino era formado em economia e iniciou no jornalismo como repórter de rua, mas não resistindo à magia da fotografia se rendeu ao fascínio da imagem e não demorou muito se tornou um fotógrafo de primeiríssima linha. Scarpino dedicou uma boa parte da sua vida ao cinema e a pesquisa da música popular brasileira, dirigiu diversos documentários sobre o samba e nessas andanças conheceu Pixinguinha, Nelson Cavaquinho, Zé Kéti e Silas de Oliveira, conviveu com Ismael Silva e muitos outros bambas do samba e da imagem. Por ser um exímio pesquisador do samba era sempre procurado por colegas de profissão, estudantes e diversas pessoas interessadas na boa música brasileira. Era uma apaixonado pelo Brasil e por causa dessa paixão pagou um preço caro e nunca perdeu a dignidade. Scarpino tinha sempre um sorriso amigo e uma palavra de esperança mesmo passando por dificuldades causadas pela perseguição política dos homens insanos que tomaram o poder em 1º de abril de 1964. Cada conversa com Scarpino era sempre uma lição de vida. Despojado, perseguido político, não conseguiu deixar um patrimônio sólido, muito mais pela condição política, pela perseguição, do que pelo despojamento. Seu arquivo fotográfico está espalhado, muita coisa foi perdida. Tentaram destruir seu arquivo, conseguiram em parte, mas não conseguiram destruir sua memória. As diversas entrevistas deixadas trazem-nos fatos e curiosidades que marcaram a historia do jornalismo brasileiro. Scarpino se foi e não recebeu a indenização do Banco do Brasil a que tinha direito por ter trabalhado lá quando houve a tragédia de 64. Esperamos que, no mínimo, seja feita justiça, que o reconhecimento desse grande brasileiro, pelo menos, seja feito aos seus herdeiros.
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