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Fátima Santos

 

"EM TEMPO DE ‘BRASIL 500 ANOS’, É HORA DE REDESCOBRIR O MARANHÃO"

"...e se um dia eu for embora, pra bem longe desse chão
Eu jamais te esquecerei São Luís do Maranhão"
(César Nascimento-cantor/compositor)

 

No passado, o Maranhão foi holandês, francês, português e brasileiro, é claro. Hoje eu o considero e não apenas a capital São Luís, todo ele, um dos maiores "Patrimônios da Humanidade".

Em 1612, os franceses eram puro encantamento e fundaram a bela ilha de São Luís em homenagem ao rei de França, querendo ali criar a França Equinocial. Depois vieram os holandeses como que hipnotizados e também queriam ali fincar raízes e quem sabe, para terem uma opção para fugir da Holanda quando esta afundasse juntamente com seus diques e alagadiços. Já os portugueses tiveram mais sorte, ficando definitivamente com a ilha, com o Maranhão e com o Brasil. Foram eles que construíram São Luís. Mas novos descobridores foram chegando, como os estudiosos da Unesco que, encantados, decidiram que a ilha não seria de um só povo, mas de toda a Humanidade.

Entre as muitas belezas de São Luís estão as fachadas de azulejos dos casarões e seus mirantes voltados para a Baía de São Marcos e os recantos das igrejas seculares, as fontes e suas carrancas. É o maior e mais homogêneo conjunto arquitetônico colonial de origem civil portuguesa das Américas.

Vizinha de São Luís, vamos encontrar Alcântara. A pequena Alcântara ainda guardando os casarões e ruínas dos tempos em que era uma rica cidade do Império. Curiosamente, essa atmosfera colonial convive com um avanço tecnológico: a base de lançamento de foguetes de Alcântara, que fica a poucos quilômetros da cidade. É em Alcântara que acontece a tradicional "Festa do Divino" (maio) e de "São Benedito" (agosto). Mas é possível também visitá-la na quietude de suas ruínas rodeadas de verde, ao som do mar e saboreando os deliciosos "doces de espécie". Um lugar guardado pelo tempo para o mundo.

A natureza foi generosa com o Maranhão. Criou ali um grande deserto cercado de lagoas de águas cristalinas, um extenso e belo litoral, parte da floresta amazônica, a vegetação de cerrados, uma chapada repleta de cachoeiras e o único delta em mar aberto das Américas. O deserto, chamado de Lençóis Maranhenses, possui área maior do que a cidade de São Paulo, com imensas dunas em movimento constante ao sabor dos ventos.

No Delta do Parnaíba, o visitante pode conhecer o único delta em mar aberto do continente com cinco braços e dezenas de igarapés e 80 ilhas, das quais merece destaque a Ilha do Caju.

E no litoral oeste do Maranhão, existem as Reentrâncias Maranhenses, um rica área de proteção ambiental, ótima para pesca esportiva e mergulhos. Navegando mar adentro, chega-se ao Parcel de Manuel Luís, o maior banco de corais da América do Sul e um verdadeiro jardim zoológico submarino, repleto de navios afundados há séculos.

No interior, para quem chega ao Maranhão via Brasília, encontra em meio às chapadas, entre formações geológicas e cerrados, as cachoeiras de Carolina, tais como Itapecuruzinho, São Romão, Prata e Pedra Caída, esta última, um verdadeiro santuário, cercado por paredões rochosos com 50 metros de altura.

"O que mais no fenômeno me espanta, é ainda existir um pássaro no mundo que se fique
a escutar quando outro canta!.
.."     (Poesias Completas – O Irapuru – Humberto de Campos)

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Séculos de História em seus casarões e centros históricos.

Uma viagem ao passado na cidade, na ilha,
no Patrimônio da Humanidade.

 

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