Uma Nova
Maneira de Amar
Todas as concepções
que temos sobre o “Amor” continuam perpetuando-se quase
que imutáveis desde o século passado, e nós,
mesmo conscientes de que os demais valores mudaram, continuamos cultuando
o amor com sofreguidão numa corrida contra o tempo, rumo ao
tão sonhado paraíso que denominamos felicidade. Isso é um fato.
Mas como entender a mecânica que rege o amor, como explicar
suas nuances, suas armadilhas e artimanhas se o relacionamento não
evolui e as regras de convivência mudam a cada minuto, a cada
nova invenção científica.
Pela experiência da vida, o amor nasceu para ser eterno, fundamental
e fonte de tudo, até o momento em que – segundo a nova
lei - não interfira na vida particular de cada um (individualidade),
não exija sacrifícios (liberdade) e não faça
questionamentos entre ambas às partes envolvidas.
Hoje vemos que ele pode ser a “bola da vez” naquele exato
momento e no dia seguinte, ser colocado em segundo plano com a mesma
intensidade à que veio.
É tão concorrido e cobiçado como um jóia
de valor inestimável. Chega a causar inveja quando mostrado
na TV, nas revistas ou mesmo em comunidade. Virou objeto de desejo
como faca de dois gumes; se por um lado arma-se uma guerra para conquistá-lo,
de outro, descartamo-lo com apenas alguns leves golpes.
Será que o amor praticado no século passado era mais
intenso do que está sendo nos dias atuais?
Vale lembrar que são as cartas registros fidedignos dos amores
ardentes de então, bastando lê-las para sentir o coração
de James Joyce batendo por Nora Barnacle, Franz Kafka por Felice Bauer,
Zelda para Scott Fitzgerald e Agnes von Kurowsky a Ernest Hemingway.
O grande porem é que o amor nunca mudou – nós
sim é que estamos regredindo nos quesitos básicos que
são os alicerces do amor pleno e absoluto; quesitos estes que
são: dialogar, perdoar, dividir, compartilhar e viver com intensidade
regidos pela nossa intranet: nosso bom e velho coração.
Este meio de que hoje me utilizo para escrever-lhes estas palavras
é um exemplo do que estou dizendo.
Construída pela suprema inteligência humana, a Internet
é um dos meios de comunicação mais frios, individualistas
e solitários do planeta.
Dificilmente as pessoas podem navegar por ela aos pares. Cada um quer
o seu horário próprio, seus links, seus chats...sua
conta de e-mail.
Sobrou algum lugar para o amor?
Só se for uma nova maneira de amar que está nascendo:
o “Amor Virtual”.
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