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FÁTIMA SANTOS
Umuarama - Paraná



A Roma dos fofoqueiros é aqui mesmo


Segundo historiadores, a fofoca data da Roma antiga onde foi lançada como arma eficaz para desnortear inimigos. O imperador Júlio César foi um mestre em espalhar boatos sobre seus adversários do Senado, chegando, dizem, a pagar a peso de ouro pessoas para difamarem senadores que não comungassem com suas idéias. Imagine, naquele tempo, uma fofoca resultava em um fim trágico para o acusado, já que tal denúncia era plantada onde se dizia que este ou aquele estaria traindo Roma; a morte era certa.

A palavra boato é derivada do grego boatu e cujo significado é mugido ou berro de boi. Na Grécia, os boateiros de plantão já existiam, mas com conseqüências menos graves, já que ali valia a palavra pública.
Vamos encontrá-la no teatro em peças de renome como “Otelo” onde vemos Iago espalhando que Desdêmona, esposa de Otelo é adúltera. O resultado para quem já assistiu a peça é desastroso já que resulta em um banho de sangue. Em o “Barbeiro de Sevilha”, de Pierre Beaumarchais, vamos encontrar outra fera de língua afiada, Don Bartolo. Com a continuidade desta em “As Bodas de Fígaro”, vemos um elenco onde todos são boateiros de carteirinha. O fato é que as duas peças inspiraram Rossini e a Mozart a comporem músicas neste sentido: “La Calunnia È um Venticello”.

No século passado, Hitler e seus seguidores utilizaram-se da fofoca para enganar seus adversários e assim dar início a maior e mais terrível guerra que o planeta já vivenciou. Aliás, a fofoca é uma constante entre os políticos que a utilizam para confundirem o eleitorado dos seus adversários.

Nos tempos atuais, ela é um dos maiores problemas do mercado financeiro. Nas bolsas de valores, é a fofoca bem plantada que faz subir ou descer os preços dos papéis causando prejuízos de ordem de milhões, como aconteceu com o caso do Unibanco em 1998, quando fofoqueiros de plantão, espalharam que o banco teria sido comprado pelo Citibank e seus acionistas entraram em polvorosa. Em outro caso, o banco francês CCF perdeu 100 milhões de Reais quando espalharam que ele teria falido.

Se na vida financeira a fofoca provoca grandes desastres, imagine na vida pessoal. É ai que entra a indústria do sensacionalismo, ou seja, antiprofissionais, na maioria das vezes, jornalistas e apresentadores frustrados e que não decolaram na mídia por pura incompetência e passam a dedicar seu tempo e esforços para inventarem mexericos sobre esse ou aquele artista.

A fofoca uma vez plantada na mídia onde existe uma indústria de revistas e de programas especializados no tema, vira uma bola de neve, ganha status de notícia. Se por um lado, odiamos que fofoquem sobre nós, temos um interesse malévolo em assistir ao que estão falando dos outros.

Artistas são diariamente invadidos em sua privacidade e depois que a coisa pega, nem mesmo os desmentidos conseguem apagar o fogo. O historiador Nicolau Sevcenko disse uma vez que “Os boatos agem como um sismógrafo dos sentimentos e emoções mais recônditos”.

Até há alguns anos, o grande mote era dizer que fulano estava com Aids, dada a sua magreza, seu sumiço das paradas ou do jet-set. Que o digam Cláudia Raia, Ney Matogrosso, Natália do Valle, Lulu Santos e Fafá de Belém. Agora, as coisas tomaram outro rumo, principalmente em programas “fim de feira” estilo Leão Lobo, Nelson Rubens; revistas “baixo nível” e colunas sociais de pseudoprofissionais, que colocam em pauta: homossexualismo, traições e mexericos do arco da velha de gente honesta, que, todavia, famosa, deveria ser apreciada apenas por seu talento.

Na minha sincera opinião - e olha que fui colunista social por mais de dezoito anos - é ridículo o modo de agir de tais pessoas e isso por si só, já mostra de onde elas vieram, como foram educadas e sua completa falta de personalidade e respeito pela integridade do ser humano. Nunca precisei usar tais artifícios até porque no interior, o que vale é a divulgação dos eventos sociais e das personalidades que formam esse contexto.

Em meu livro Mulher, páginas 56 e 57, dedico algumas linhas ao procedimento que o profissional deve ter frente ao seu trabalho. Chego até a aconselhar que pessoas e empresas atingidas por tais elementos, entrem na justiça para defenderem seus direitos, desde é claro que seja descoberta a fonte das calúnias. Como o boato espalha-se de forma coletiva, para muitos muitas vezes é impossível identificar a origem, mas caso ele seja divulgado por um veículo de informação, esse é alvo de processo.

Até 1988, os processos nesses casos eram regidos pela Lei de Imprensa, cuja indenização não poderia passar de 13 salários mínimos. Hoje, a pessoa prejudicada pode invocar calúnia, difamação e injúria, o que faz aumentar o valor por danos morais a limites impensáveis.

 

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