FILHO DE DEUSES
O
faraó, feliz coincidência, passeava a sós por ali e seria a única testemunha
do acontecimento. As gigantescas máquinas voadoras envolveram a planície numa
nuvem de fumo que ocultava seu trabalho de olhares indiscretos, ignorando
a presença da pequena unidade de carbono.
Partiram
minutos depois, deixando plantadas no solo as intrigantes construções.
Enquanto a cortina de fumo se dissipava, o faraó foi esquecendo o medo e
tentou vislumbrar na situação alguma forma de ganho político. Que bastante
falta lhe fazia, tão desastrosa se vinha exibindo a sua governação. Legitimar
o poder era sua prioridade e talvez sua salvação.
Quando
as imponentes pirâmides se revelaram às centenas de súbditos que ali se
haviam reunido, a figurinha do faraó surgiu da bruma com uma solução para o
mistério. Altivo, esticou o braço na direcção das maravilhas e gritou
com sua voz de falsete:
-
Fui
eu que fiz!