ESCOLA E BOA EDUCAÇÃO
Afinal,
o que significa ser bem educado? Quais seriam os indícios da boa educação? Uma
coisa é certa: a boa educação não tem relação direta e necessária com anos de
estudos formais, que resultam em canudos de papel.
Será que uma pessoa bem educada pode ser insensível à pobreza dos outros? Impossível.
Seria ignorar fato essencial: que não se pode gozar segurança pessoal em meio a um
oceano de miséria, de choro e ranger de dentes. Não se pode, impunemente, gargalhar em
pleno velório.
Revela educação precária, também, aquele cuja atividade profissional degrada o meio
ambiente. Não sabe algo também fundamental: que estará se preservando a si mesmo ao
preservar o meio ambiente. O veneno retorna a quem o lançou no ambiente, sob a forma de
alimentos contaminados, de água e ar poluídos.
Hoje, felizmente, cresce em todo o mundo a consciência de que só é civilizado e
inteligente o conceito de produção sustentável de riquezas. O petróleo vai acabar, mas
a energia do sol, dos ventos, das marés, da biomassa (álcool inclusive) pode durar
enquanto durar a terra. Práticas agrícolas que evitem a erosão e mantenham a
fertilidade dos solos são garantia de safras futuras. É crassa ignorância pensar que
ecologia é assunto de maricas e desocupados.
Gastamos anos e anos de vida nas escolas, mas não sabemos os princípios de funcionamento
das máquinas e dos aparelhos que usamos. Apenas apertamos botões, como qualquer
chimpanzé treinado. Nem mesmo sabemos primeiros socorros. Não é possível ser
especialista em tudo, mas é possível conhecer os fundamentos de máquinas e aparelhos de
uso diário.
Outro sinal inequívoco de ignorância é dirigir-se com furor a quem tenha opiniões
divergentes das suas. A intolerância é admissível em adolescentes ignorantes, mas
ridícula em adultos supostamente educados. Democracia é mais do que deixar vivos e com
os ossos inteiros aqueles que discordem de nossas opiniões. É preciso respeitar o
direito que os outros têm de divergirem de nós, para que também respeitem nosso sagrado
direito de divergirmos deles.
Pode-se perfeitamente discordar de alguém e ainda ser respeitoso e elegante. O ateu pode
ser amigo íntimo do religioso; o socialista não precisa ser inimigo daquele que tem fé
cega na mão mágica e invisível do mercado. Afinal, todos estamos em parte certos e em
parte errados. Humildade é beleza pura. Só ouvindo atentamente opiniões diversas das
nossas é que teremos alguma chance de ver todos os ângulos de uma questão. Sejamos
respeitosos. Não sejamos bestas.
Será que algum dia a escola dará prioridade aos fundamentos da convivência pacífica
com nossos semelhantes e com o meio ambiente? Até quando apertaremos botões sem ter
noção do funcionamento dos aparelhos que utilizamos há décadas? Teremos, algum dia, a
atitude inteligente de ouvir as opiniões e queixas uns dos outros sobre assuntos
polêmicos?
Haverá ainda tempo de aprendermos o respeito?
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