Ivan de Almeida |
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Em
férias, encontrei-o no Arpoador. O Vaca estava sentado na areia,
segurando um par de pés-de-pato. Era um tipo fanático. Às vezes estudávamos
à noite, e, se parávamos para descansar, ele ia até a praia e corria
meia hora enquanto conversávamos. Ao
me ver, propôs-me nadarmos até à Praia do Diabo, contornando a pedra
pelo mar. -Não sei nadar bem.- argumentei, mas o Vaca ofereceu-me o pé-de-pato,
para compensar. Disse ser fácil, e que o mar estava calmo. Lançamo-nos
na água. Mesmo sem nadadeiras, o Vaca ia na frente. No início foi
fácil. Quando percebi, não via mais a praia de onde saímos, nem via a
de destino. Apenas a pedra, forrada de mariscos cortantes, para a qual as
ondas, menos amistosas que na areia, empurravam-nos. Preocupei-me.
De repente achei a empreitada maior do que minhas possibilidades, e não
havia como voltar. Meio aturdido, chamei pelo Vaca, já distante. - Aí!...
O negócio aqui está esquisito! – não sei bem o que esperava; se
apoio, socorro, ou uma orientação, mas chamei-o, enquanto via as ondas
quebrando na pedra ameaçadora. - Ô!
Não dá pr’a ficar parado aí não! – respondeu-me, e continuou
inabalável. Vendo-me
só com o problema, resolvi salvar-me, e pus-me a nadar de costas,
pausadamente, persistentemente. Fui aos poucos me afastando da pedra, até
que vi a praia, ainda longe. Quando a alcancei, minhas pernas estavam
inchadas pelo esforço, e tremendo. Até hoje, mais de vinte anos depois, me envaideço da façanha, e, principalmente, desenvolveu-se em mim uma grande agudeza em perceber as situações nas quais não se pode ficar parado.
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