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O Maluco
Os porteiros eram vários, alguns com camisas brancas bem passadas, outros
de macacão, fingiram movimentar-se para perseguí-lo, mas, como quem
representa uma cena ensaiada, movimentaram-se só o necessário para
provocar sua fuga, em meio a desafios mútuos, alguns falsamente ameaçadores,
outros delirantes. Era uma manhã ensolarada de maio, depois de alguns dias de chuva, e a luz
outonal carioca a todos inebriava de felicidade. Perfeição! O azul
profundo do céu, o sol carinhoso e não-cáustico, a nitidez da vegetação
do Aterro no ar limpo e transparente. O maluco, que devia ter sentido frio
nas noites anteriores, era a própria alegria de viver. Atravessou a rua, ligeiro e ainda xingando. A calça imunda e rasgada deixava as nádegas à vista. Ficaram, os porteiros, rindo, divertidos e satisfeitos, cônscios de seu juízo, pois, afinal: por que se aborrecer com alguém cujas nádegas aparecem pelos rasgos da calça?
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