Jeremias Torres |
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A
VOLTA DO CHUPA-CABRA. Eu precisava ver para crer.
Comentava-se pela redondeza daquele sítio
distante que um ser
sobrenatural andava por ali, assustando a vizinhança e devorando animais
domésticos, contem-se entre estes, os porcos,
as galinhas, os patos e o preferido daquele “bicho horrendo”:
as cabras. Cansado de tanto ouvir boato sobre tal assunto e
ninguém tomar providência sobre, “comprando” as dores daquela
gente, assumi a frente e defini a ação para tentar, pelo menos,
minimizar a situação das
cabras, que já andavam em polvorosa. Primeiramente, usando de alguma influência de um político
candidato à reeleição, consegui um contato com o presidente para, de
vez, resolver a questão. Não, não foi o presidente do Brasil, foi um
contato com a “White House”. Em vista da ousada recusa, esse mesmo político
me pôs em contato com o “Parlamento Britânico”, mas sem retorno... Que remédio? Recorri então à Polícia Federal... Americana, o F.B.I., a qual, com o auxílio da C.I.A e da S.W.AT., concluiu que não era assunto de sua alçada e me indicou o PENTÁGONO, responsável por assuntos estratégicos. Mas diante da demora, fui direto ao órgão certo que trata de casos típicos e atípicos: a Agência Nacional de Aeronáutica e Espaço, a NASA. Mas qual nada! Esses “aparelhos investigativos” não deram a menor importância a tão relevante questão. Desenganado, voltei mesmo para a América do Sul, atravessei o Brasil e fui direto pedir orientação das FARCS, ou dos “para” que topam tudo. Porém, nada. O jeito foi tentar o apoio de “Don
Corleone”, mas me informaram que o moço, ou o “chefe”, já tinha
morrido. Melhor assim, porque contar com apoio dessa gente ilegal me
deixaria numa posição desconfortável. Fui mesmo pra Bahia, para, quem
sabe, num bom “pai-de-santo”, conseguir encontrar alguma esperança.
De repente, poderia ser só um “exú” que andaria atazanando a vida da
boa gente e, talvez, com auxílio místico, tudo voltasse aos seus devidos
lugares... Nada, nada... Que remédio? Foi então que tive uma idéia luminosa e brilhante:
pegaria o bicho no tapa, “no
peito e na raça”. Por vários dias esperei de “campana”. Perdi noites
de sono, mas tudo em prol de uma boa causa: prender e mostrar em primeira
mão ao mundo:o “Chupa Cabra!” Após alguns dias de espera e expectativa, já bem alta
madrugada, pude finalmente vislumbrar algo estranho num matagal próximo.
Eu me enchi de coragem e iluminei... era o bicho! E tinha uma perna só...
Gente, era o “saci-pererê”. O “super star”,
personagem das histórias de Monteiro Lobato, em carne e osso... Já não tinha perdido a viagem... Porém, notícia boa me deu o “Sucupira”que vinha
logo atrás: “o Chupa-Cabras vem mais tarde, pois tá correndo atrás de
uns lobos que andaram comendo as suas cabras... e o home tá brabo e tá
vindo c’um exú”. Já estava desiludido quando aterrizou um “disco
voador”, de onde desembarcaram seres muito estranhos. Desceram, olharam
e se mandaram. Vi ainda: a “mula-sem-cabeça”, o “lobisomem”, o
“Conde Drácula”, diversos
“ghosts”, até o Fred
Krugger apareceu, mas “Chupa-Cabras”, nada... Sabe de uma coisa? Esse negócio
de “Chupa-Cabras” é
lenda...
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