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João Batista Lago |
| Sexo dos Anjos
Há dias que autoridades nacionais de todos os Poderes da República discutem um tal teto salarial. É uma discussão mixórdica e que tem servido para desmerecer essas instituições democráticas. À luz da Constituição brasileira, o teto já está definido: R$ 12.720,00. Ora, se essa é uma determinação constitucional, por quê então os atores dos três Poderes da União insistem em discutí-la? Muito simples: há um jogo de interesse em pauta. É bom lembrar que este é um ano eminentemente eleitoral (ou eleitoreiro?). E os atores político-partidários, acostumados a um populismo cancerígeno introjetado no corpo social e no inconsciente coletivo brasileiros, sabem muito bem aproveitar esses instantes cadenciados por valores não-políticos, mas personalísticos. Já do ponto de vista do Poder Executivo, a discussão é quase que missionária na defesa de uma urdida atuação neoliberal onde se deprecia a capacidade e a inteligência da classe trabalhadora que vê o seu mínimo salário cada vez mais distanciado do máximo salário. O terceiro Poder, o Judiciário, de per si , busca assegurar a letra da Lei, mas contraditoriamente também defende privilégios que o distanciam da credibilidade nacional. Particularmente, considero pouco ou quase nada o teto salário de R$ 12.720,00. O mérito não deveria, como não deve, concentrar-se nesse valor. O mérito desse debate deveria, como deve, concentrar-se no valor do Salário Mínimo pago ao trabalhador brasileiro. Uma verdadeira vergonha nacional. O que se tem feito para diminuir a distância existente entre o máximo e o mínimo? Nada. Nada mesmo. Portanto, o que se está discutindo é o sexo dos anjos. Ora, se anjo não tem sexo, é evidente que o salário mínimo jamais será fecundado nesse bacanal de debates que não leva a lugar nenhum, a não ser à infertilidade econômico-financeira da nação brasileira.
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