João Batista Lago |
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Confesso, minha opinião em nada altera ou alterará o atual quadro. O Salário Mínimo continua R$ 151,00 até maio do ano que vem. Vergonha nacional ou não, não é o tema ou mérito central deste artigo. Entretanto é preciso retornar ao enredo para fazer uma nova releitura sobre os fatos protagonizados pelos senadores Antonio Carlos Magalhães (BA) e Jader Barbalho (PA) e relacionados a ele (salário mínimo). O disse-me-disse-não-disse entre os eminentes senadores é uma farsa. O bate-boca entre o pefelista e o peemedebista coloca uma cortina de fumaça no debate central que é ou seria o Salário Mínimo. Seu valor real. Sua capacidade de poder aquisitivo. É um jogo de cartas marcadas. Tanto Magalhães como Barbalho são mestres na criação de novos fatos com o objetivo sintético de esconder o debate de assuntos relacionados com a vida nacional e de seu povo. Para agradar ao rei são capazes de tudo. Daí a invenção dessa discussão idiota que se vem assistindo pelas tevês nacionais e pelos grandes jornais: cobrança de dignidade, competência e honestidade deles próprios, inclusive com ameaças de apresentação de dossiês nos quais conteriam denúncias seja de um lado ou de outro. Para evitar um debate mais conciso sobre o salário mínimo, os senadores esqueceram de resguardar até mesmo a instituição à qual pertencem: o Congresso Nacional. O achincalhe interpessoal de ambos acaba jogando o Poder Legislativo no ralo comum da indignidade política. E o povo (coitado!) acaba introjetando essa briguinha de comadres de fundo-de-quintal como uma cultura nacional. Que pena! E lá vai ele (o povo) para a feira ou o supermercado discutir a briga entre os senadores sem se dar conta que deixou de questionar o juízo de valor do seus míseros reais. E para completar: o Chefe da Nação, o Presidente Fernando Henrique, do lado de fora do país, diz que não fora eleito para apartar brigas de senadores. Ora, isso é o óbvio, o ululante. Pouco interessa ao inquilino do Palácio da Alvorada a farsa, pois sabe bem que está sob a cortina de fumaça, e portanto não será visto ou questionado sobre o salário mínimo que não é o suficiente ou não atende às necessidades básicas do cidadão ou da cidadania nacionais.
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