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João Batista Lago 

 

Os Ricos, os Pobres e a Globalização

 

Questionar o processo de globalização é malhar em ferro frio. Ela é irreversível. Cada dia mais se configura a previsão de MacLuhan: O Universo, o Mundo é uma aldeia global. E isso se concretiza na medida em que o computador e a Internet são democratizados e principalmente socializados. Mas com o advento da globalização, das quedas das barreiras comerciais entre ricos e pobres, do aumento do processo mercantil entre os blocos econômicos, as transformações econômico-sociais, e até mesmo políticas, têm sido inevitáveis.

Entretanto, ao contrário do que imaginaram os idealizadores dessa ferramenta econômica mundial, a globalização tem servido para aprofundar as diferenças sócio-financeiro-econômicas entre as nações. Em síntese, a globalização tem favorecido só os países ricos, sobretudo os que integram o Grupo dos Sete, o conhecido G-7.

Paradoxalmente, entretanto, essa mesma globalização que serviria para engordar a burrinha dos ricos, não dimensionara uma vertente: a migração da pobreza e da miséria que se estão espalhando, que se estão globalizando entre as nações e entre os blocos econômicos.

A Inglaterra, por exemplo, jamais vira vendedores ambulantes de hot-dog aos montes. E pior: em frente ao palácio da rainha-mãe, que chegara inclusive a ficar incomodada com o cheiro ou mau-cheiro do apetitoso cachorro-quente, como é conhecido entre nós.

Esqueceram-se, pois, os ideólogos da globalização, que a pobreza e a miséria poderiam, como podem, constituir-se em causa-e-efeito desse paradigma universal. Também a França vem enfrentando problemas desse naipe. Os Estados Unidos da América não ficam atrás.

Muito embora não se perceba, o bloco econômico ao qual pertencemos, o Mercosul, já começa a dar sinais desse processo migratório, para infelicidade dos quatro países que o compõem. E por aqui essa migração tem uma conotação mais dolorosa: ela se faz entre países pobres, onde a opção ou perspectiva por uma vida melhor se igualam.

Mas se olharmos por outro prisma, veremos que, internamente aqui no Brasil, de há muito esse fenômeno globalizante de pobres e miseráveis já se concretizara: levas e levas de retirantes nordestinos buscam dias melhores em estados mais ricos do Sul e do Sudeste. Infelizmente acabam engrossando o colar da marginalidade ao redor dos grandes centros urbanos.

lagoro@folhaderoa.com.br

  • João Batista Lago é jornalista, comunicólogo, pesquisador, consultor de marketing político e diretor do Instituto Rondoniense de Pesquisa de Opinião Pública - E-mail (profissional): irpop@estadao.com.br - E-mail
    (pessoal): joaobatistalago@hotmail.com

                      [Volta]joaobatistalago@hotmail.com