João Batista Lago |
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A comemoração dos 500 Anos da Descoberta do Brasil foi um fiasco. Triste constatação, infelizmente. Em menos de uma semana, a elite nacional - política e econômica - trucidou de forma violenta as manifestações de índios, negros, mulheres e minorias marginalizadas no processo de desenvolvimento da Nação brasileira. Para amenizar o constrangimento nacional e internacional que mexeu com o sentimento e o orgulho próprio de todos nós, cidadãos que ainda acreditamos e esperamos (muito embora pareça utopia) ver e assistir à convivência pacífica entre ricos e pobres, brancos e negros e cafusos e caboclos e índios, a Igreja Católica resolvera, no dia da missa. fazer o mea culpa. Nada mais justo e oportuno. Mas é preciso lembrar que essa mesma Igreja que pedira desculpas a índios, negros, mulheres e outras minorias, além de apoiar a elite conservadora, ela própria, ao longo da história, praticara violentos abusos contra a cidadania dessas gentes. Em verdade a comemoração que ensejasse uma festa transformou-se em uma verdadeira pancadaria. E sem nenhum medo de passar por idiota ou coisa que o valha ou tampouco cometer injustiças contra as elites que dominam o Brasil - sejam nacionais ou internacionais... os atos e fatos ocorridos revelaram a cultura discriminatória e discricionária contra índios, negros, cafusos, caboclos, sem-terra, mulheres... que se já praticada em 500 anos. Evidente que somos um País jovem. Mas mais evidente ainda é que devemos ou deveríamos queimar etapas e atingir um estádio de desenvolvimento mais avançado em direção ao respeito à cidadania ou à democracia social e socializada. Paradoxalmente, entretanto, creio e espero que este País jovem não fique dormindo em berço esplêndido. Se considerarmos os ensinamentos da história mundial. chegaremos a uma triste conclusão: ainda não tivemos nossa guerra civil. Mas ela virá, pois as mudanças - estruturais ou conjunturais - encerram em si o amor e a dor. E no caso brasileiro, creio, as mudanças ocorrerão pela dor. Triste constatação, infelizmente.
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