João Batista Lago |
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UM
PAÍS DE INSOLVENTES O
Departamento Econômico do Banco Central (Depec) divulgou na manhã de
ontem a dívida externa brasileira: US$ 211.709 bilhões. Permitam-me a
insistência por extenso: duzentos e onze bilhões e 709 milhões de
dólares (americanos). Será que o brasileiro comum consegue (de
fato) imaginar o montante ou a dimensão dessa dívida? Vamos
tentar torná-la mais compreensível. Atualmente, US$ 1,00 (dólar
americano) custa R$ 2,30 (resguardadas as variações diárias).
Assim sendo, em reais, a dívida externa brasileira seria de mais ou menos
R$ 486.930.700.000,00 (Será que escrevi o montante corretamente?).
Insistimos por extenso: quatrocentos e oitenta e seis bilhões, 930
milhões e setecentos mil reais (ufa!). Vamos
descartar um discurso voltado para a origem dessa dívida. Aliás, o
espaço é diminuto para a empreitada que merece, com certeza, um
tratado econômico-financeiro. Nosso
objetivo neste artigo é mostrar que somos uma nação de cidadãos
insolventes (pessoas que não têm meios para pagar o que devem). Desde
a época do Império, os sucessivos governos nacionais vêm construindo
essa estratosférica dívida em nome do cidadão brasileiro,
sobretudo do mais humilde, que desconhece totalmente as causas e
efeitos dessa dívida. Pois
bem, se considerarmos que atualmente somos mais ou menos 173 milhões de
brasileiros, a dívida de cada um (dos brasileiros) é
de aproximadamente R$ 2.800,00 (insistimos por extenso: dois mil
e oitocentos reais, mais ou menos). Grosseiramente
vamos considerar um crescimento vegetativo da população brasileira da
ordem de 3% (5.190.000 pessoas) nos próximos dez anos, ou seja, em 2012
seríamos aproximadamente 179.574 milhões de brasileiros. Assim
sendo, esses novos brasileiros já nasceriam responsáveis por uma dívida
per capta de R$ 2.700,00 (considerando que a dívida fosse estancada nos
atuais valores, o que seria pouco provável). Conclusão: somos uma nação de cidadãos insolventes!
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