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Joćo Batista Lago 

Rondōnia

 

ENTRE O BRASIL E A BELINDIA

Qual é o quadro estatístico da fome brasileira? Essa é uma pergunta que perpassa na cabeça de cada um de nos, brasileiros, pelo menos teoricamente, e que será o principal desafio do governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva: acabar com a fome. Isso significa e simboliza resgatar milhões de brasileiros que estão exclusos da dignidade humana, para incluí-los num processo de cidadania.

Para melhor entendimento tomemos por base dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Fundação Getulio Vargas (FGV). Segundo o IBGE (1997), 54 milhões de brasileiros estão abaixo da linha da pobreza (pessoas que sobrevivem com apenas meio salário mínimo) e 24 milhões estão abaixo da linha da indigência (pessoas que sobrevivem com apenas um quarto do salário mínimo). Por sua vez, a FGV (1996 a 1999) denuncia que o maior índice de pobreza encontra-se nos estados nordestinos - exceto Rio Grande do Norte - com mais de 50% da população vivendo abaixo da linha da pobreza.

Um outro dado estatístico que, infelizmente, agrava ainda mais a penúria brasileira foi levantado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e o IBGE (1999). Esse levantamento, em nível nacional, apurou que 1% da população brasileira mais rica detêm 13,8% da renda total do pais, enquanto que os 50% da população brasileira mais pobre detêm 13,5% da renda total.

Com base nesses dados, acima mencionados, e, ao mesmo tempo, contrastando com a vontade cognoscente da Presidência da Republica, nos permitimos teorizar sobre os mesmos. E, num primeiro momento, a formulação teórica que produzimos esta nucleada nas seguintes indagações: será possível construir uma democracia política, tendo como pano de fundo esse fosso entre esses dois brasis? Será possível, em áreas onde a desigualdade é tão profunda, implementar a democracia política? Não pretendo dar respostas prontas e acabadas a essas indagações. Meu propósito, neste artigo, é deixa-las para a reflexão de cada um dos leitores.

Entretanto, neste ponto introduzo uma teoria proposta pelo economista Edmar Bacha, para quem, habitamos uma Belindia. O que Bacha quis simbolizar é que convivemos com dois extremos: um Brasil rico, outro miserável; um Brasil do caviar, outro da sopa de pedra; um Brasil capitalista, outro em estado de natureza; um Brasil contratualistico, outro em estado de guerra.

Nesse contexto o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer inferir-se. Introjetar-se mesmo. Para ele, diminuir esse fosso é uma questão de honra pessoal, alem de institucional. Para ele o importante é eliminar a "belindia" e (re) construir um Brasil brasileiro. Para ele não basta construir uma democracia social. Para ele não basta construir uma democracia econômica. Para ele e indispensável construir a democracia política.

Quando o Presidente Lula afirmara, em seu pronunciamento de posse, que sua eleição representaria o encontro do Brasil consigo mesmo, simbolizara a inclusão do brasileiro comum em um processo de democracia política. Reside ai um recorte: o resgate da cidadania desses milhões de brasileiros, hoje inclusos na pobreza e na indigência.
Quem viver verį! Ou não!


  • Joćo Batista Lago - é jornalista, comunicólogo, pesquisador, consultor de marketing político e diretor do Instituto Rondoniense de Pesquisa de Opinião Pública
    E-mail (profissional): irpop@estadao.com.br
    E-mail (pessoal): joaobatistalago@hotmail.com

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