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Wilson Pacheco |
| A ODONTOLOGIA E A EMERGÊNCIA MÉDICA
Ora, não podemos negar que o avanço da odontologia faz com que essa profissão deixe de atuar somente num dente com uma cárie e avance agora dentro de estrutura óssea, faça cirurgias mais profundas e coloque pinos de implantes. Isso caracteriza para o organismo, uma agressividade ainda maior já que todo o processo cirúrgico é encarado pelo organismo como uma agressão, embora o objetivo seja curativo. Além disso, o cirurgião dentista deve encarar o paciente, não só como apenas uma boca, mas um indivíduo completo. Corpo e mente com dores físicas e também emocionais com problemas sociais do tipo familiar, profissional e econômico. Motivos suficientes para que se torne vítima de hipertensão, ataques cardíacos e etc. O avanço técnico da profissão requer uma constante
preocupação com treinamento de atendimento de emergência, mesmo que a estatística
mostre, felizmente, que as incidências sejam poucas. Atendimento pré hospitalar não
requer muito conhecimento de nível superior, basta olhar para o excelente atendimento de
suporte básico da vida dado pelos bombeiros Brasil afora. Mas, desgraçadamente, o
dentista brasileiro não sabe realizar manobras de ressuscitação cárdio-respiratória Se formos mais drásticos, podemos dizer que chega às raias da irresponsabilidade como os professores de cadeiras clínicas tratam a questão sistêmica do paciente odontológico perante seus alunos. Ao aprendiz cabe nada mais que seguir os passos de seus mestres e continuar exercitando a profissão de acordo com seus iniciadores. Quando tocamos em tais assuntos, muitos se interessam, mas infelizmente ainda um número significativo de profissionais e mesmo professores, resiste calcado na relatividade dos números apontados pela Estatística, que é uma ciência interessante para apontar tendência, mas que nada significa ao ínfimo percentual que deparou-se com o problema. Não consola dizer ao morto carbonizado após queda de avião que morreu no transporte estatisticamente mais seguro do mundo.Temos dito que o cirurgião dentista precisa mudar alguns paradigmas mais do que os que já mudaram. Esse profissional da saúde já entendeu que há muito deixou de ser o barbeiro que arrancava os dentes de seus clientes para aliviar a dor. O formando é graduado Cirurgião Dentista que atua numa sala cirúrgica. Esta deveria ser a designação de seu ambiente de trabalho. Hilário é que, para atender uma emergência, na maioria
dos consultórios temos que fazer resgate, ou seja, retirar do ambiente do dentista, pois
não é um local adequado para dar o suporte básico de vida à vítima. Se há uma para
cárdio respiratória , chama-se o bombeiro ou fica-se na esperança que haja por
perto um soldado da Polícia Militar, pois ele sabe o que fazer e manter a vítima
viva até a chegada ao ambiente hospitalar.Numa sala cirúrgica, que aplica anestésicos,
mexe com o estado emocional do paciente, uma vez que a agressão cirúrgica é feita com o
paciente consciente, muitas vezes na espectativa da dor, não há disponível um kit de
emergência com medicação para tal, nem equipamentos mínimos
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