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Wilson Pacheco

 

OLIMPÍADAS

 

            Cá estamos acompanhando as olimpíadas de Sydney  e, mais uma vez, vendo nossa mente sã em corpo são esvaindo-se pelos sucessivos fracassos, com raras exceções de poucos que não dispõem da megalomania brasileira de melhores do mundo.

            No decorrer deste mês de olimpíadas, acho que batemos alguns recordes mundiais que, não menos merecidos, devem ocupar as páginas de fronte dos melhores jornais do mundo. Afinal, devemos ser o único país do mundo ou o melhor país do mundo em escândalos do judiciário, festival de besteira no horário político (aliás, causou-me asco perceber que a transmissão dos jogos estava sendo interrompida  pelo horário político). É bem verdade que devemos ser campeões disso também: invasão institucional de domicílios e privacidade. Como se já não bastasse o horário político obrigatório acabar com o horário nobre de televisão, associado geralmente ao horário nobre de jantar e reunião crepuscular da família, agora também tem propagandas soltas colocando no limite a resistência da musculatura escrotal, (de quem tem, pois a maioria já se encontra com a mesma estourada, faz tempo).

            Mas voltando às olimpíadas de Sydney, pobre brasileiro pobre, cuja única certeza que alimenta sempre é a sua pseudo-hegemonia mundial de futebol. Esporte composto por heróis desapegados de dinheiro, abnegados pela camisa que os projetou, orgulhosos do país ao qual pertencem (haja vista a perfeição com que solfejam os acordes do hino nacional tão exaustivamente executado por qualquer cidadão grevista reivindicando um mísero aumento no escandaloso salário mínimo de 151,00 reais).

            Infelizmente minha boca maldita já havia diagnosticado que a seleção brasileira, tanto olímpica quanto a principal, são pacientes em estado terminal: não morrem hoje, morrem amanhã, principalmente dirigidas pelo não menos boçal, a exemplo do staf que dirige o país nesses 6 anos de deboches, mentiras e escândalos, o mauricinho luxemburro, desculpem, Luxemburgo, pois de burro, ao que parece e segundo colocam os jornais ultimamente, de burro não tem nada.

            É pena, e me dá mais pena do pobre brasileiro, cuja maioria passa o dia com dieta quase zero, mas vai se mantendo com o circo que pouco a pouco vai morrendo e deixando o país afogado com suas lágrimas de poucas proteínas muito sal e água, que daqui a pouco também vão estar poluídas.

            De qualquer forma, embora os meios de comunicação encontram-se em surdez, mudez e cegueira coletivas e contagiosas, é inegável que estamos vivendo em pleno processo revolucionário, seja no campo com posições claríssimas dos contendores, como na cidade onde ainda não ficaram definidos os lados em contenda.

            É lamentável chegar aos quarenta e cinco anos de idade escutando, desde que soube o que era ouvir, que vivia no país do futuro e pelo jeito, era isso mesmo: o futuro brilhante de alguns que permanecem escondidos e escondendo muita gente.
  • Wilson Pacheco é Doutor, Mestre e Professor de Anatomia da Universidade Federal de Santa Catarina.

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