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Wilson Pacheco



JUÍZO FINAL


Mais alguns parcos dias e estamos entrando no ano 2001.  O pronunciar do número, dois mil e um, me leva de volta a infância e me traz tantos pensamentos relacionados à referida data... Uma odisséia no espaço; robots; discos voadores urbanos; Jetsons etc e tal. Que nada! Na verdade o que mais está marcando a chegada do ano dois mil e um é o exercício do paradoxo, das incertezas, do desenvolvimento retrógrado de alguns setores, do aumento da fome sem que existam pílulas baratas para saciar o desejo de comer e outras coisas mais...

Não é que eu queira morrer, todavia acho que é a única saída para o pessoal da minha geração não amargar tantos goles de venenos empurrados goela abaixo da gente.

Talvez, de todos os males, o paradoxo existencial seja o mais marcante e esteja, quem sabe, carimbado com o timbre 2001. Não agüento mais, com quarenta e cinco anos, ser obrigado a votar em representantes do que existe de mais indesejável hoje entre a população brasileira. Saio de casa, contrariado, e percebo que do voto obrigatório, uma parcela significativa da população tem o voto facultativo e se quiser, define a eleição.

Dias atrás me dei conta que, num país onde existe o sigilo bancário, o desconto do CPMF ( blaaarrrrrrrrrggghhhhhh! ) nominal é a transparência das contas bancárias à revelia do correntista. Diga-se de passagem, (estou esperando o relatório das benesses para a saúde que tal montante trouxe).

Finalmente a telefonia me convenceu: Eu sou um burro, ignorante, despreparado que, apesar de Doutor em Ciências, não tenho inteligência mínima necessária para entender o sistema de telefones e seus defeitos (que não existem, são apenas ilusões de minha incapacidade).  Claro, cada vez que se acessa as centrais para reclamar, todos os funcionários, se depois de uma longa gravação e opções milhões para acessar possibilidades não tiver feito a gente desistir, são treinados para convencer-nos de que primeiro, não sabemos usar o aparelho ou o serviço internacionalizado quase gratuitamente. Depois de fazer um breve curso pelos disponíveis funcionários, extremamente fiéis às empresas, não conseguindo lograr o funcionamento adequado, submete-se ao completo calvário das gravações novamente e então o servil servidor do amo e senhor sistema de telefonia, chega à conclusão que o defeito é do aparelho e deve-se procurar a assistência técnica. Praticamente um mês depois, dado à fila de espera em consertos de aparelhos então adoentados pela neurolingüística dos funcionários das telefônicas brasileiras (teleitália, teleespanha, teleEUA,  teleAmos e Senhores etc), conclui-se de que o aparelho não tinha nada e o problema era da central.

Recorrer a quem, justiça? Ora, façam-me o favor. Quando reclamo preciso da razão, pelo menos, em menos de cinco anos, pois pode ser que quando a justiça se digne a ser menos morosa eu já não esteja mais vivo.

Vivi os anos sessenta. Revoluções de todos os gêneros explodiam pelo mundo: musical, política, sexual, literária etc. Ideologias políticas tão bem definidas que dividiam o mundo em dois blocos. E hoje heim?

Ai, ai... aqui no Brasil, vivemos partidos de direita alinhados com de centro e até de esquerda, objetivando eleições; governantes que não lêem o que assinam; corruptos sendo investigados, mas continuando legislando e definindo destino de todos nós.

A sombra do aumento do salário (?) mínimo, vão empurrando outras reformas que usurpam os direitos adquiridos de tantas lutas e sangues derramados. Ora sangue derramado...Quanto foi derramado na Segunda guerra em troca de uma siderúrgica e depois vendemos a troco de banana.

Se há uma outra vida, que eu não acredito, imaginem a vontade de vomitar que não está dando naqueles que tombaram em Pistóia?

Pois é...Nem quero falar mais, senão dá vontade de apressar a partida. Mas tenho ou não tenho razão de dizer que, NÃO SE QUER, MAS ACHO QUE É PRECISO MORRER...(ou eles, né...?).


  • Wilson Pacheco é Doutor, Mestre e Professor de Anatomia da Universidade Federal de Santa Catarina.

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