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ARTIGOS EVIRT |
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Desculpem-me é que às vezes esqueço da minha condição de morto mumificado. Quando em vida sempre fui pobre, nunca tive grandes ambições além de viver. Após a morte, única certeza da vida, se fosse consultado, gostaria de ser sepultado como todos os meus pares. Mas o destino levou-me para uma cova cheia de líquido sufocante. No primeiro momento, pensei até que não fosse resistir; a minha carne pouca, mas acabei acostumando-me e para minha surpresa continuo inteiro até hoje. Pois bem; diante do exposto, peço, em nome de Deus, a todos aqueles que possam ajudar-me que não permitam, enfiar minha cara na lama depois de morto. Mesmo quando pobre e excluído nunca envolvi-me com a polícia. Morri com ficha limpa. Não envergonhei aos meus. Por tudo isso eu vos peço que não deixem matar-me novamente. Morrer de vergonha deve ser cruel. A morte natural e de verdade se doeu já nem me lembro. Mas hoje tenho vergonha de sair na rua, escondido na calada da noite como se bandido fosse. Deixem-me na minha sepultura líquida do Departamento de Morfologia da UFPB e por favor respeitem-me como fazia o grande Professor Asdrúbal Marsiglia de Oliveira. E apesar de resignado com minha condição de livro de carne e osso; servindo para algo nobre, coisa que não consegui fazer em vida. E caso não sirvam mais meus inertes músculos para dar dinâmica aos vossos pensamentos de futuros benfeitores da humanidade; sepultem-me numa cova de verdade pois há tempos que deixei o mundo das mentiras. Este artigo surgiu como forma de protestar o
roubo de um cadáver do departamento de Curso Médico da UFPB. |