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A
velocidade do carro de boi era de cinco quilômetros por hora.
Havia uma bela tarde de sábado do mês de setembro.
Penso que Maracajá, boi da direita, queria andar mais rápido,
mas Curió, da
esquerda, por ser mais forte e novo impunha a sua vontade de cinco
km por hora.
Quando o sol começou a cair no horizonte o chiado do carro
de boi parecia, todos concordavam, ficar mais triste, principalmente,
naquela tarde que por si só já tinha motivos para
tristeza profunda. Alice com dez anos de idade morrera afogada na
tarde do dia anterior quando retornava da escola
com seu dois irmãos menores e duas colegas do mesmo tope
de Alicinha, como era conhecida na fazenda Macaíbas, onde
residia com sua família. Filha mais velha do vaqueiro João
Samuel e Maria Veras que nasceram e criaram-se naquela produtiva
fazenda.
O casal tinha onze filhos, donde três eram adotados. Influenciada
pelas colegas, Alice entrou no açude para tomar banho, apesar
da proibição cautelosa da mãe. Alice, como
de costume, simulou
afogamento e ninguém deu importância aos gritos de
socorro! socorro! socorro! dados por Alice. Dez minutos foram suficientes
para aquelas águas escuras do açude porão encharcarem
os pulmões da pequena e inocente Alice. Matando-a por asfixia.
Quanto choro e tristeza medonhos apresentava aquele povo humilde,
mas feliz até o acontecimento fatídico da tarde do
dia anterior. Era como se a comunidade daquele lugarejo tivesse
morrido pela metade. O açude fora aterrado e sobre o mesmo
construída a Igreja Santa Alice. Segundo os mais crédulos
a menina virara santa e operava milagres.
Somente as crianças pediam e alcançavam as graças
almejadas. É como se fosse um castigo para os adultos por
negligenciarem com os menores que tomavam banho em açudes
da redondeza. Por conta disto somente as crianças eram atendidas
pela santa, mesmo que o pedido fosse feito em favor dos
adultos.
A fazenda virou um parque infantil dirigido por um colegiado mirim
que era renovado sempre que as crianças completassem dezoito
anos de idade. Hoje, no local, existe a cidade da criança
onde os adultos não participam de sua administração.
Não há roubo, violência e nem corrupção.
Comenta-se,
nas cidades circunvizinhas que países da Europa e da Ásia
querem adotar aquele modelo de administração, mas
que os norte-americanos são contrários.
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