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Mil
interrogações surgem no meu cérebro quando
vejo o conhecidíssimo João Batista, na contramão
da estrada e a pé. Onde moras? Para quem trabalhas? Quem
te espera quando voltas do trabalho? E que “trabalho”!
Quando choras,
por quem será? E por ti quem chorará? Serás
um pecador aos olhos supremos ou um demônio aos nossos? O
que fazes neste Mundo, ó homem de papelão? Tu não
pedes esmolas, nem sequer um copo d’água. Não!
Não és parasita, mas, com certeza parasitado.
Até os
cachorros te ignoram, nem ladram quando passas. Talvez nem tenhas
adrenalina, própria dos medrosos, para aguçar a ira
canina. Os homens não sabem da tua existência e há
quem, até, duvide que Deus saiba.
Chamar-te de
incógnita seria simplificar, por demais, a tua complexa existência.
Não comes nem bebes, todavia não pareces doente. E
os teus dentes não incomodam? E as lombrigas que habitam
os teus intestinos não morrem de inanição?
E teu coração
bate ritmicamente ou é tal qual a bateria da Malandros do
Morro, capaz de derrubar passistas experimentados?
Tantos morrem
de forma súbita, quando esbanjam saúde.
Há lendas
sobre ti, João Batista! Dizem que és um belo tribuno
preso aos esgotos da vida, e que tens mulher e filhos virando-lhes
os rostos. Certamente, invencionice das pessoas criativas...
Quando todos
festejamos o Natal e o Ano Novo, próximos passados, empanturrados
de comidas e bebidas caras, como estivera o teu estômago?
Alguns comensais,
até mesmo, pensando num regime rigoroso após as festas
para não sair da boa forma física.
Será
que tens cérebro, estômago, fígado, coração,
intestinos, sentimentos e alma ou serás um homem de papelão
a engabelar nossas inteligências de legítimos filhos
de Deus?!
Por isso que
tento escrever! Peço desculpas aos homens que tentarem ler-me;
a João Batista, peço perdão e a Deus, clemência.
E que todos os Santos te protejam dos incendiários de Brasília
para que não tenhamos mais um Índio Galdino a bater
nas portas de nossas consciências.
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