Thiago Franco


Somente Cinzas


As correntes pesam como nunca
Grilhões que apertam cada vez mais
Não estão enferrujando
mas se fortalecendo

Os corais atravessam a pele
Se alojam na carne rubra
Gigantescas vagas quebram em suas costas
como quebram nos rochedos

Tão perto da praia
tão impossível alcançá-la
Suas amigas dunas,
como as inveja!
Se formam, desfazem
separam-se
unem-se
à vontade do vento
como determina o tempo

O belo crepúsculo é aviso da agonia
Some a luz
Quando os olhos se fecham
A maré o afoga com tristeza
Ao acaso acorda no meio da noite
O brilho dos anéis de metal
em seus pulsos e tornozelos
traz à tona o desespero

Vasculha a mente
em busca de solução
Não encontra maneira
de fazê-lo sozinho
Torce pela chegada do maremoto
Que o destrua sem dor
ou que liberte do sofrimento


A branda, mas incansável chama
que segura em seu peito
alimenta o desejo de mudança
para assim poder se expandir
e ser forte
Até o dia da extinção
Até quando somente cinzas.

E-mail: thiago_franco@hotmail.com


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