A EDUCAÇÃO, BASE DA COOPERAÇÃO
É preciso que se conheça na escola, por parte de professores, direção e alunos, esta rede intrincada de ações e reações, de ajustes e desajustes do ensino à economia, por meio de uma discussão coletiva, para o estabelecimento de relações mais críticas entre a sociedade, a escola e o indivíduo; partindo-se do cotidiano, da observação, da análise de situações concretas vividas por todos. É preciso que, ordenadamente, todo grupo de pessoas da comunidade escolar seja levado a discutir seus problemas e buscar soluções em conjunto para estes. quivocadamente, E sempre se associou educação do homem ao modelo econômico reinante. Porém, educação só se associa adequadamente à transformação interior do homem. O que se associa a modelos econômicos são, em verdade, os adestramentos, os treinamentos, as instruções mecânicas, etc. Educação não combina muito bem com competição, mas rima perfeitamente com colaboração, entre os entes humanos.
Já se adestrou o homem para a economia de escala, ensinando-lhe a apontar parafusos, nos modelos fordismo-taylorismo, executando rotineiramente tarefas simples, etc. Mas, agora, adestra-se o homem para modelos mais complexos de operações no trabalho, adequando-o à tecnologia moderna, aos meios de comunicações sofisticados, ao modelo neoliberal, à economia global, etc. Ninguém fala em educar o homem para empatia, eduzindo de seu interior os seus erros e ajudando-o nas transformações de seus defeitos em virtudes; elevando-o na escala da seidade interna, da ética, da moral, etc. E é uma pena, porque se assim agíssemos na educação deste homem, o social, o econômico, o ético, o desenvolvimento tecnológico, etc., viriam como conseqüência direta desta formação cêntrica.
É bom que todos nós educadores saibamos, que se são as exigências do sistema produtivo que determinam, em cada etapa histórica, os conhecimentos, os valores e os modos de comportamentos, que deverão ser inculcados nos nossos alunos, através dos sistemas de ensino, então aí não poderá haver educação. Se não, tão somente instrução, treinamento, adestração, etc.
Se nós educadores que compreendemos isto, não contestarmos incessantemente este sistema produtivo injusto; e o modo como nossos alunos são inseridos nele para serem treinados, domesticados e para serem adequados a esse tal sistema, estaremos cometendo uma grande falha; cumpre-nos capacitarmos constantemente, por hora, para nos tornarmos competentes mesmo que neste sistema que aí está; para daí adiante transformar a maneira de se enfocar as relações dentro da escola, direcionando a adestração, que o sistema impõe aos alunos, para uma verdadeira educação. Começando por levar todo o grupo a discutir seus problemas, construtivamente, e buscar respostas em conjunto, solidariamente.
Professores, diretores, funcionários, alunos e a sociedade, em geral, estão bastante desencantados com esta pseudo educação, que se dá nas escolas, e com a vida de modo geral.
Os educadores, em geral sabem, que os processos administrativos, a burocracia, etc., são fantasmas que pairam sobre as escola; onde os diretores, os supervisores, etc., se preocupam demasiadamente com a infra-estrutura da sua escola; mas, se preocupam muito pouco com o estudantado e que, de modo geral, são portadores de uma mentalidade conservadora e retrógrada.
É preciso incentivar em todas estas escolas, em que a direção anda com o freio-de-mão puxado, o uso da quadra, da sala de projeção, do palco, da biblioteca e de todas as dependências, para realização de festa, olimpíadas, gincanas, campeonatos, teatros, shows, etc.; com o objetivo de integração e de educação dos alunos; e com o estabelecimento de novos valores, diferentes dos tradicionalmente estabelecidos.
A escola burocrata deve ser transformada, gradativamente, em palco de discussão e de crescimento para todos; onde os desejos dos alunos, suas necessidades, suas falas, suas culturas e seus cotidianos, constituem os principais parâmetros para se elaborar as diretrizes gerais de organização da escola e educação formativa do estudantado.