Apresentação
Num mundo onde o individualismo castiga nossas conveniências, encontrar homens que insistem em doar o que sabem, o que conhecem, renova as nossas esperanças. Gostaria de iniciar este prefácio, falando da virtude da generosidade. A gratuidade do gesto de Aloysio Penna é admirável. Desejo neste prefácio estimular a todos, principalmente aos jovens o interesse pela história, pelo Primeiro Livro de História da cidade de Dom Silvério, outrora chamada Nossa Senhora da Saúde.
A palavra história em todas as línguas românicas e em inglês, deriva do grego antigo historie. O grego histor, quer dizer "testemunha" no sentido de "aquele que vê'. Considerando a etimiologia da palavra temos então que ver é fonte essencial de conhecimento, aquele que vê é aquele que procura saber, procura informar-se. Historie significa pois "procurar". A história nos coloca então um simultâneo problema, ver e saber.
É aqui então, que descobrimos a generosidade deste trabalho. Como o próprio autor nos informa em sua introdução, foram mais de 15 anos de pesquisas. Só quem já empreendeu uma tarefa destas, sabe o que significa tecer por entre lacunas, um fio condutor que permita ver e tentar compreender os vestígios da história. Os fatos não existem por si, não se encontram disponiveis à espera do investigador. Os fatos se dão a conhecer pela ótica do autor, sua particular maneira de abordar a história.
Precisamos preservar a memória coletiva como forma de manter nossa identidade social, cultural e histórica. Em tempos onde o mundo perde suas fronteiras, seus contornos definidos, conseguir estebelecer alguma forma de lealdade com o passado, o presente e o futuro aumenta nossas chances de preservação enquanto povo. Mais do que nunca então, a história, o que ela nos faz ver e compreender torna-se importante. Aloysio Penna dispensa maiores apresentações, mas como genealogista das famílias pioneiras de Dom Silvério, merece apenas que ressaltemos o pioneirismo de sua iniciativa. Ele nos presenteia com este livro e nos instiga com seu convite, para que continuemos os seus esforços. Temos mais de 250 anos de história e pouquíssimos registros da mesma.
As cidades mineiras guardam entre suas montanhas suspiros, saudades, sonhos acalentados, casos pitorescos e uma forma particular de sociabilidade. É esta a oportunidade que Aloysio Penna nos abre, a de sermos também generosos e contribuirmos para que o imaginário social dos outrora chamados saudenses possa ser enriquecido. Se cada um de nós puder preencher as lacunas que se abrem perante a história, se cada um de nós puder fazer perguntas e se interessar pelas respostas, então poderemos compartilhar a generosidade e enriquecer a memória coletiva.
Refazer os passos do que fomos, retornar até onde recebemos o legado de nossos antepassados é reconciliação, é perdão, é renovação.
Vânia Aparecida Moraes
Dez/98
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