Parte III
A estrada de ferro Leopoldina
O primeiro automóvel
A chegada da Luz elétrica
Saúde passa a se chamar Dom Silvério
Criação do Brasão da cidade

1887

A estrada de ferro Leopoldina.

Em 20/02/1887 foi inaugurada a estação da estrada de ferro Leopoldina , quando partiu o primeiro trem "Maria Fumaça" o saudoso "mixto", ligando o distrito de Saúde ao Rio de Janeiro. Um ano antes, em 30/06/1886 o Imperador Dom Pedro II, a Imperatriz Tereza Cristina e grande comitiva, vieram até Xopotó para inaugurar sua estação. Pernoitaram na fazenda da família Lana, tradicionais políticos da região de Barra Longa. Na oportunidade, Dom Pedro II, ao adimirar o encontro do rio Ipiranga e do Ribeirão do Carmo que formavam o rio Doce, exclamou:

"Tive muito prazer em vir às portas do rio Doce, trinta anos depois de ver-lhe a foz e de ter navegado alí!"

A fina flor da sociedade saudense compareceu a Xopotó, montada em seus cavalos, para ver de perto o Imperador. A estrada de ferro trouxe para Saúde um proveitoso progresso comercial. Foi um grande acontecimento. Saúde se tornou, como ponto final da estrada de ferro, um local privilegiado para o escoamento dos produtos agrícolas das localidades vizinhas. Foi um sucesso. Saúde foi adquirindo um enorme prestígio. O transporte de mercadorias todo feito pelos tropeiros em lombo de burro, que levava no maximo dois sacos de 60 quilos, percorrendo poucos quilômetros por dia, passou de um momento para outro a atingir o Rio de Janeiro, em 24 horas, cerca de 500 quilômetros de distância.

1891

A Lei estadual número 2 de 14/09/1891 confirmou a criação do distrito de Saúde, objeto da Lei número 2941 de 01/12/1873.

1911

A divisão administrativa de 1911 apresentou o distrito de Saúde como componente do município de Alvinópolis, assim continuando até 1938.

1917

Ezequiel Ubatuba, autor do livro "Zona da Mata", visitando Saúde em 1917, assim comentou:

"Lá ninguém chega a compreender como não esteja ali a sede do governo municipal tal a superioridade comercial e agrária de Saúde"

1920

O primeiro automóvel

No final do século passado, o mundo conheceu um invento que viria revolucionar os meios de transportes até então existentes: o automóvel. Em 1920, o automóvel chegou à Saúde. Com o término da construção da estrada de rodagem, ligando São domingos do Prata à Saúde, e com muito dinheiro rolando no comércio saudense, um dos empreiteiros do nome Lobato, comprou e trouxe para aqui o primeiro automóvel. Foi um alvoroço. O segundo automóvel foi do Sr. Manoel Gomes de Araújo, também empreiteiro da estrada de rodagem. Os moradores daquela época assim descreveram o automóvel:

"alto, apoiado em quatro grandes rodas raiadas, tipo bicicleta, cobertura de lona, um assento mais elevado na frente, tipo boléia, para o condutor e outro assento de couro com dois lugares atrás,mais abaixo para dois passageiros . Na frente do carro, em posição lateral elevada, havia dois holofotes grandes, projetando, à noite, uma luz intensa."

O terceiro automóvel foi do farmacêutico Ubirajara Starling, que, em passeio a Alvinópolis, com sua esposa, sofreu um desastre e o carro tombou, caindo no rio, causando assim o primeiro acidente automobilístico de Saúde.

 

1923

Pela lei 843 de 07/09/1923 Saúde passou à jurisdição de Alvinópolis.

1925

A chegada da Luz elétrica.

Em 01/01/1925, inaugurou-se em Saúde a luz elétrica. A empresa concessionária chamava-se "Companhia Força e Luz Saudense", cujo escritório funcionava à rua Direita, hoje denominada João Barcelos, no mesmo prédio onde, hoje, está sediada a CEMIG. A usina geradora estava instalada no rio do Peixe, onde existia uma pequena cachoeira, perto da estação da estrada de ferro, no perímetro urbano. Consistia de turbinas Hilperte de 100 cavalos, queda de 5,5 metros, alternardor de 75 kwa. Era uma luz muito fraca, de pouca capacidade. A iluminação das ruas, apoiada em postes de ferro, era do tipo de trilhos usados nas estradas de ferro. A luz elétrica foi recebida com certa desconfiança pela população. Acostumada a usar em suas residências lamparinas, lampiões de querozene e luz de candieiros a óleo de mamona, de poucos gastos, a população agora teria que pagar pela luz elétrica. O eletricista Luciano, figura muito conhecida na época, passou a dar o seu jeitinho instituindo o uso de "gatos" (ligações clandestinas) para os seus amigos íntimos. Alguns anos mais tarde, a Cemig encampou a Companhia Força e Luz Saudense, o que tornou possível a instalação de indústrias no município.

 

1938

Saúde passa a se chamar Dom Silvério.

Durante 177 anos, de 1761 a 1938, nossa comunidade se chamava Saúde. Anteriormente, quando foi fundada, seu nome era "Circuito", passando, posteriormente, a se chamar Ciriquito, corruptela da palavra Circuito. O Decreto Lei estadual nº 148 de 12/12/1938 determinou a mudança do nome de Saúde para Dom Silvério. As autoridades quizeram homenagear a figura carismática de Dom Silvério Gomes Pimenta, primeiro arcebispo de Mariana e do Brasil. Dom Silvério Gomes Pimenta nasceu em Congonhas do Campo em 12/01/1840 e faleceu em Mariana a 30/08/1922. "Nasceu na mais extrema pobreza e atingiu a golpes de ciência e virtude a nobreza eclesiástica" no dizer de seus biógrafos. Era órfão de pai e teve uma única irmã, Jacinta Gomes Pimenta, que sobreviveu à sua morte. Menino paupérrimo, de cor parda, teve muitas dificuldades em cursar as primeiras letras em sua terra natal. Até mesmo alimentação lhe faltava, recebendo auxílio de pessoas caridosas do lugar, para sobreviver. Com todas as dificuldades conseguiu entrar para o seminário de Mariana e se ordenar padre. Tornou-se notável pela piedade e pela operosidade. Homem de rara cultura, figura de apóstolo, poliglota, versado em conhecimentos de grego, hebraico, latim, línguas neolatinas, além do inglês e alemão. Foi um grande intelectual, escritor, orador sacro e bispo de Mariana, sagrado em agosto de 1890. Tinha o título honorífico de bispo de Camaco (Armênia). Foi camareiro do Papa Leão XIII em 1878 e membro da Academia Brasileira de Letras.

Na divisão territorial determinada pela Lei 148, a cidade de Dom Silvério ficou com dois distritos: Sem Peixe e Rio Doce.

 

Pela Lei estadual nº 1058 de 03/12/1943, Dom Silvério ficou com parte do distrito de Major Ezequiel, do município de Alvinópolis e Sem Peixe, perdendo o distrito de Rio Doce.

1953

Pela lei estadual 1039 de 12/12/1953 Dom Silvério passsou à jurisdição da comarca de Alvinópolis.

1976

Criação do Brasão da cidade

Em 16/12/1976 o prefeito José Morcatti Ferreira sancionou a lei da Câmara Municipal que criou os símbolos do município de Dom Silvério: brasão, bandeira e hino. O brasão foi de autoria do professor de heráldica Arcinoé Antônio Peixoto Faria. A bandeira contem as cores azul e branca. O hino ainda não foi composto.

1996

Com a emancipação de Sem Peixe, Dom Silvério permaneceu com a comunidade de São Tomé que foi elevada a distrito..

 

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