EVIRT - ENSAIOS
MARCAS DO PASSADO
Fotos: Everaldo d'Alverga
Texto: Cláudio Costa Silva

 
Já havíamos pensado ter ficado longe os tempos da ditadura, da repressão e da insanidade administrativa, mas esta é só uma ilusão levada a termo, por quem almeja desesperadamente uma democracia justa e igualitária.

Tempo de direitos a protestos pacíficos, a opiniões adversas de uma população que vê com olhos solidários e comunitários qualquer tentativa de um possível benefício em prol do povo, diferentemente dos governantes que se manifestam e prestam serviços quase sempre a interesses próprios.


Um olhar admirado e meio que perdido para o centro da manifestação, nos faz observar um triste quadro, trazendo lembranças de épocas que lutamos para esquecer.
 
A multidão avança célere, protestando contra o que acha uma afronta à estabilidade e a soberania nacional, usa toda a sabedoria e experiência de povo sofrido e batalhador, de direitos quase sempre aviltados, ignorados solenemente por dirigentes de Estado autoritários e intransigentes, que sem visão política, seguem com os planos inabaláveis, lançando mão do que de mais covarde pode haver ao seu dispor que é a repressão policial violenta.
 
 
  Ela é implacável com os labutadores protestantes que apenas usufruem dos seus direitos e não cometem crime algum com a asseveração. Mas a milícia segue as ordens de seus superiores e não dá trégua ao burgo até que estejam totalmente oprimidos e suprimidos. 

Política democrática se faz com situação e oposição e cabe a essa mesma oposição averiguar os desmandos, fiscalizar e resguardar o que por direito pertence ao povo, exercendo assim o seu dever de protestar quando julgar necessário ou quando uma situação beirar ao extremo, lesando, desfalcando ou subtraindo patrimônios públicos da nação.

 
A violência militar como instrumento de opressão, repressão e circulação empregada largamente por governantes insensíveis é o que de mais execrável pode haver em matéria de uma tentativa de organização por parte desses senhores.

 
Mesmo tendo adquirido experiências com um passado nem tão longínquo assim, a prática da repressão policial violenta continua ativa entre nós e é profundamente lamentável que ainda tenhamos que conviver com ela, talvez por muito tempo ainda, até que a consciência política e o comportamento dos nossos parlamentares em relação ao povo mudem de uma forma a comportar melhor a vontade de toda uma população que aguarda ansiosa, já algum tempo, por essa transformação.