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Energia Solar - Cristina Ribeiro Entrevista

Carlo Federiconi

Carlo Federiconi

Representante da Solar Eletrical Systems

"Às vezes penso que só uma catástrofe será capaz de  despertar o povo para que ele deixe de usar as energias convencionais e mude para uma sociedade solar"

O avanço da Tecnologia e a produção de sistemas solares como meio alternativo de energia é o tema desta entrevista com Carlo Federiconi, um bem-sucedido imigrante italiano, formado em fotografia e artes plásticas pela Universidade de Harvard e que, por sua atração pelo trabalho técnico, hoje pertence a "Solar Eletrical Systems" - uma das mais conceituadas empresas Americanas de desenvolvimento de Sistemas Solares.

Localizada em Woodland Hills no Estado da Califórnia, a "S.E.S. - orgulha-se pelos inúmeros projetos residenciais e comerciais executados, tendo como um dos seus clientes, o consagrado Diretor Cinematográfico, James Cameron.



"Quando as pessoas me falam que não têm nada contra a energia nuclear,
eu sempre digo que concordo, contanto que o reator nuclear
fique a uma distância de 93,000,000 de milhas da minha casa..."



Projeto para a American Gothic - Produtora do diretor cinematográfico, James Cameron.


EVIRT: Carlo, quando ocorreu seu envolvimento com Sistema Solar?

CARLO: Eu já tinha lidado com vários aspectos da energia solar desde a minha primeira experiência com o programa VISTA, em 1980, nos meus estudos na SSU, em 1988, e em minha participação como um dos diretores da Northern California Solar Energy Association (NCSEA) durante oito anos, onde eu planejava e organizava eventos e workshops. Também durante minha permanência no SMUD, organizei uma série muito bem sucedida de apresentações por peritos do campo solar, trazendo mais de 60 profissionais de energia solar para o público de Sacramento.

EVIRT: E o que o levou a este caminho?

CARLO: O motivo do meu envolvimento com a energia solar foi por acreditar que tal energia seja a maneira mais prática e inteligente de satisfazer nossas necessidades energéticas, sem pesar desnecessariamente na ecologia do nosso planeta e nosso bem estar geral, pois a energia solar é totalmente limpa, renovável e praticamente infinita, e pode ser aplicada na geração de energia elétrica, aquecimento do lar e de água, até resfriamento de líquidos e ambientes. No design de arquitetura, a adoção de uma filosofia e tecnologia solar permite a criação de prédios que são não só muito econômicos na operação, mas também super- confortáveis e aconchegantes, mais ligados à vivência humana do que os prédios que são artificialmente aquecidos, resfriados, condicionados, com luz e energia "artificial".

EVIRT: Quais são os Sistemas Solares mais usados nos Estados Unidos?

CARLO:
Os sistemas térmicos, os aquecedores de água para uso doméstico, saem bem na frente na corrida de tecnologia solares. Mas esta é uma tecnologia muito antiga, que de alguma forma já foi usada há milênios. Foi aperfeiçoada para aplicações domésticas no início do último século e só ficou abandonada quando chegou a energia "barata" do petróleo, e a gente ainda não se deu conta dos problemas e custos ecológicos e sociais (poluição das terras e oceanos, poluição do ar, efeito estufa, guerras) que acompanham a utilização de combustíveis fosseis.

EVIRT: E a diversificação da Energia solar?

CARLO: A energia solar tem muitas formas, pois trata-se da irradiação do sol que chega à terra todo dia e fica transformada nos ventos, na chuva que enche os rios e lagos, na luz que ilumina, no aquecimento das terras e mares que garantem a nossa vida, na comida que a gente e toda vida do planeta precisa para viver, pois nossa fonte de energia, o que nos mantém vivos, é puramente o sol. Pode-se até dizer que os combustíveis fosseis, criados milhões de anos atrás, são apenas matérias orgânicas, ou seja, energia solar armazenada em restos de plantas e animais. Existem apenas três energias não-solares com alguma utilidade prática no nosso planeta:

  1. a nuclear, a radioativa, que, como os combustíveis fósseis, têm problemas sérios de armazenagem de resíduos e contaminação pela radioatividade, que até agora não foram adequadamente resolvidos e a indústria só está ativa até agora pela força política e econômica que tem;
  2. a energia de gravitação da lua, que e responsável pelas marés que elevam os oceanos; e
  3. a energia geotérmica, do calor do centro do nosso planeta.

EVIRT: E como tem sido seu aproveitamento?

CARLO: A energia solar já foi aproveitada em várias formas no último século, com muita tecnologia, tais como máquinas eólicas (pois é o aquecimento do ar pelo sol que gera os ventos) para bombear água ou gerar eletricidade (este é o campo de energia alternativa de grande porte que está crescendo com mais velocidade atualmente); estações hidroelétricas, muito comuns na Califórnia e o nordeste dos EUA; sistemas que aquecem fluidos que propulsionam geradores de energia elétrica; aproveitamento direto no aquecimento e resfriamento de ambientes (conhecido como "passive solar design"); e os sistemas fotovoltáicos, que fazem uma conversão direta da irradiação do sol para eletricidade.

EVIRT: Onde estão localizados?

CARLO:
Onde tiver mais sol, claro! Quanto mais, melhor para ter um maior e mais rápido retorno de investimento no sistema. Quanto aos sistemas eólicos, na Califórnia temos milhares de máquinas, para quem não conhece, que formam uma visão estupenda nas colinas leste do San Francisco, na Altamont Pass, e em vários lugares no sul da Califórnia. Milhares de sistemas térmicos de aquecimento de água, como outros milhares de sistemas fotovoltáicos, adornam os telhados de residências e comércios em muitos estados dos EUA, como em outros países do mundo, sobretudo na Europa.

EVIRT: A questão climática influi na montagem dos Sistemas Solares?

CARLO:
Sim, mas também depende do tipo de sistema. Sistemas de aquecimento de água precisam de muito sol, com preferência de ambiente quente, quanto mais melhor para converter os raios do sol em água quente. Os sistemas fotovoltáicos preferem muito sol, mas de preferência sem temperaturas elevadas, que tendem a baixar o rendimento de energia elétrica. A elevação também contribui na produção de energia, pois quanto mais alto o ambiente , menos atmosfera tem para bloquear os raios do sol. Finalmente, o que é mais importante na seleção da locação para instalar um sistema solar, é o clima particular daquela locação, quantas horas de sol recebe tanto diariamente como anualmente. E pode até ser uma locação com ótimas caraterísticas climáticas, mas se o acesso ao sol for dificultado por prédios ou árvores, não tem como captar o sol.

EVIRT: Como funciona o Sistema Solar?

CARLO: Bom, pergunta simples com resposta complicada. Os sistemas térmicos dá para entender com facilidade e trata-se essencialmente do efeito estufa aproveitado para aquecer o ar ou um líquido, como água. Os raios do sol entram numa caixa passando por um lado transparente, de vidro ou plástico. Eles batem contra e são absorvidos por uma superfície escura, normalmente preta e por causa da energia, que era luz, ficar presa no material (pois material escuro não permite a saída de luz), acaba virando energia térmica, a da movimentação das partículas ao nível atômico. Esta energia, uma radiação de freqüência muito mais baixa do que a luz, consegue escapar do material escuro, mas ao contrário da luz, não é capaz de passar pelo material transparente e se avoluma, presa entre o vidro e o material escuro, até que é aproveitada de alguma maneira, tipicamente por um líquido que absorve o calor e o leva para um tanque, ou por ar que vai circulando pelo ambiente a ser aquecido.

Mas o processo fotovoltáico é bem mais complicado para explicar aqui, e eu costumo dizer que é "magia técnica", desenvolvida pelo programa espacial dos EUA, nos anos 50. Tem a ver com semicondutores, aqueles engenhos que viraram transistores nos rádios e computadores. O processo de fabricação de células fotovoltáicas é muito parecido com o da fabricação de chips de computador, até usando o mesmo material básico, a sílica. A célula fotovoltáica é fabricada de um cristal de sílica com certas impurezas que criam um desequilíbrio de elétrons, e vamos dizer, para simplificar, pois na verdade não é tão simples assim, que a luz que atinge as células derruba estes elétrons, força-os a correr por um circuito para ser utilizados como energia elétrica, pois eles voltam para o início da corrida, para ser energizados de volta. Como dá para ver, nada é consumido neste processo e os painéis fotovoltáicos têm duração de vida praticamente sem fim, e na indústria são geralmente garantidos por 25 anos de vida. Muitos painéis criados mais de trinta anos atrás, com tecnologia até inferior à de hoje, continuam funcionando.


"
A energia solar traz a esperança de se viver uma vida melhor, sem as preocupações de comprar combustíveis fósseis e sofrer problemas ecológicos"


Escritorio da Western


Projeto Residencial em Los Feliz

Escritório da Western Area Power Administration.  Concessionária Elétrica em Folsom.

Projeto Residencial em Los Feliz - Los Angeles.


EVIRT: Como é empregada a energia para o Meio Rural?

CARLO: De maneira geral, pode se usar tanto a energia eólica quanto a fotovoltáica para bombear água para irrigação ou criação de animais. Estas são as aplicações mais comuns, dependendo da quantidade de sol ou vento do lugar. E pode-se também utilizar sistemas de geração de energia elétrica de qualquer porte para sustentar as atividades de um comércio, ou residência. Mas no meio rural de países em desenvolvimento, marcados principalmente pela pobreza e pequenas propriedades usadas apenas para sobreviver, a energia solar traz a esperança de se viver uma vida melhor, sem as preocupações de comprar combustíveis fósseis e sofrer problemas ecológicos e de saúde, e até de aumentar a renda familiar com maior produção agrícola (com bombeamento de água, por exemplo), ou de criação de animais (com cercas eletrificadas, muito mais baratas do que cercas convencionais).

EVIRT: O que vem a ser a Radiação Solar?

CARLO:
Quando as pessoas me falam que não têm nada contra a energia nuclear, eu sempre digo que concordo, contanto que o reator nuclear fique a uma distância de 93,000,000 de milhas da minha casa, uma distância que eu considero bastante segura. Pois é o nosso sol que fica a esta distancia, o mais poderoso reator nuclear que a gente tem, que vem trabalhando há bilhões de anos e tem ainda mais alguns bilhões de anos de vida pela frente. Este nosso sol maravilhoso até trabalha com a fusão de átomos, uma tecnologia que não é ainda viável na terra. Aqui temos a fissão nuclear que é responsável por um sistema muito ineficiente e perigoso de geração de energia elétrica. Mas o nosso sol continua nos enviando energia todo dia, na forma de raios de luz, partículas fotônicas ou ondas, você quem escolhe segundo sua preferencia quântica. Esta luz é geralmente absorvida por superfícies escuras, como o mar, a terra, as folhas das plantas, e até nós mesmos, onde é geralmente convertida em calor, ou usada em processos químicos e convertida em outra forma de energia (como nos alimentos).

EVIRT: Quando foi criado o primeiro grupo de Energia Solar nos E.U.A?

CARLO: Imagino que nos anos 70, quando a indústria solar renasceu e cresceu. Os grupos principais nos EUA são a American Solar Energy Society (ASES), que faz parte do International Solar Energy Society (ISES). O nosso grupo local, o NCSEA, faz parte da ASES. Tem também muitos outros grupos, mais técnicos ou comerciais, que representam os cientistas, fabricantes, vendedores, instaladores, etc.

EVIRT: Explique a Distribuição Espectral de Radiação Direta?

CARLO:
Tem a ver com a qualidade, vamos dizer, de uma certa radiação. Dentro da gama de luz, o nosso sol emite uma radiação onde consta principalmente luz visível, mas também radiação além das duas pontas da gama visível, ou seja, de luz ultravioleta e infravermelha. Para os sistemas térmicos, a luz visível e a infravermelha servem para criar calor, mas os sistemas fotovoltáicos aproveitam principalmente a gama visível. Outros sistemas que aproveitam de outras áreas da distribuição espectral estão sendo experimentados, para eventualmente ter um sistema mais eficiente e mais barato, que permite uma maior conversão de radiação solar para eletricidade.

EVIRT: Quais são, para a humanidade, os benefícios apresentados pelos Sistemas Solares?

CARLO:
Já falei um pouco sobre este assunto, sobre as vantagens de uma ecologia basicamente limpa. Mas vamos além disso e falamos de um ponto de vista que, acho, pode beneficiar a humanidade: o do respeito pela natureza, por esta inacreditável criação que é o mundo. Já nos foi concedida, desde o início do mundo, uma fonte interminável, segura, saudável, e confiável de energia. Para saber aproveitar esta esta energia, não precisamos de muita alta tecnologia, mesmo se esta tal tecnologia estiver nos trazendo sistemas solares sempre melhores. Mas precisamos de amor por nosso planeta e por nós mesmos e nossos descendentes. Pois nossa maneira atual de viver, com fontes de energia convencionais, está trazendo destruição ao do nosso planeta, a extinção de milhares de espécies, genocídios nas guerras, poluição, problemas de saúde e sociais. Mas se fizermos as coisas com carinho, com cuidado para o nosso planeta, tentando deixar o lugar melhor de como o encontramos para futuras gerações, a solução é a utilização de energia solar. É uma idéia complemente abrangente, não estamos falando só de energia, que é apenas uma comodidade, uma coisa que a gente paga na conta cada mês. Mas estamos falando, por exemplo, que se decidimos não usar combustíveis fosseis, vamos ter que utilizar métodos orgânicos para nossa produção agrícola, com o resultado de comida mais saudável e menos destruição do nosso planeta. Sem gasolina para colocar nos nossos carros, vamos ter que encontrar uma solução, como bicicletas, transporte coletivo, andar a pé (que idéia esquisita!!!), ou até outros energéticos como combustível, tal o hidrogênio, ou álcool, ambos com mínimos prejuízos ao nosso ambiente.

EVIRT: Você tem acompanhado os programas que envolvem o Sistema Solar no Brasil?

CARLO:
É uma pergunta muito difícil. Nos quatro anos que estive no Brasil, vi muito progresso nesta área, muita atividade do governo na criação de programas e leis, e muito influxo de empresas estrangeiras tentando se estabelecer no país. Vários programas cooperativos entre os governos do Brasil e países estrangeiros, principalmente os EUA, trouxeram milhares de sistemas solares para os moradores do sertão, e até alguns sistemas eólicos de maior porte foram instalados. Mas pelo que eu vi, o progresso era lento, apesar da abundância de irradiação solar na grande parte do país, e da múltiplas aplicações que podiam ser beneficiadas pela energia solar.

EVIRT: Quais são as perspectivas para o Novo Milênio?

CARLO:
Às vezes penso que só uma catástrofe será capaz de despertar o povo para que ele deixe de usar as energias convencionais e mude para uma sociedade solar. Que vai acontecer, vai, pois as energias fósseis vão ficar sempre mais difícil de se extrair do solo, e os problemas da queima deles só vêm aumentando, com atenção particular ao efeito estufa. Talvez seja este último problema que vai afetar o globo inteiro, que vai mudar a opinião da gente, mas espero que não cheguemos a tal situação drástica. E temos que tomar cuidado com as soluções técnicas que vem vêm sendo oferecidas pelos poderes econômicos que querem nos vender estas tecnologias mais caras. Tem gente que fala que a energia nuclear é a mais barata e segura que existe, mas ninguém até agora fez o cálculo dos custos de desarmar uma usina nuclear, como as primeiras que estão precisando disso agora, nem dos custos de eventuais acidentes que com certeza vão acontecer. Tem outra gente que fala da energia da fusão, como a do nosso sol, que traria para o mundo toda a energia que a gente quisesse gastar sem pensar duas vezes, só que aí as leis de termodinâmica também não permitem isso, pois toda energia vira energia do nível inferior, ou seja, calor, assim o uso ilimitado de energia da fusão só iria aquecendo demais o nosso planeta, que é ainda maior consideração com o crescimento logarítmico da população.

Mas a indústria solar tem também crescido, se fortalecido, e se aperfeiçoado. Agora tem sistemas e tecnologia de qualquer tipo, comprovados por anos de experiência em uso atual. E o futuro promete mais avanços, de células mais eficientes até combustíveis como hidrogênio, fabricado em processos com energia solar. Mas na minha opinião, o sistema mais futurístico é o mais antigo, pois a energia solar é uma coisa muito básica, que a gente tem nos nossos corpos, e por todo lado do nosso ambiente. O mundo pode sobreviver muito bem sem energia nuclear, mas sem o sol, a terra seria inferno, não teria vida nenhuma. O sol faz parte da nossa natureza, nós somos o sol. E para aproveitar o sol, não precisamos de muita tecnologia, pelo menos quanto aos nossos ambientes e comida. Mas agora que estamos viciados na eletricidade, vamos precisar pensar em quanta eletricidade a gente precisa mesmo, e quanta sai desperdiçada com usos exagerados, ou realmente não essenciais. Quando soubermos identificar nossas necessidades, visando a saúde da população e do nosso planeta, poderemos aproveitar as ótimas tecnologias que convertem a luz do sol em eletricidade.

EVIRT: Como você analisa a questão do custo?

CARLO:
De maneira geral, economizar é sempre importante, pois economizar qualquer coisa significa economizar dinheiro, e quem não quer ter mais dinheiro? No caso da energia, já foi comprovado sem dúvidas que economizar energia, na maioria dos casos, sai muito mais barato do que usar mais energia. Parece óbvio, mas muitas vezes tem que se fazer investimentos na melhoria de equipamentos para realizar esta economia, e muitas pessoas acham estes investimentos proibitivos. Na verdade, os investimentos em melhorias de equipamentos mais eficientes são uns dos melhores investimentos possíveis hoje em dia, melhor do que jogar dinheiro na bolsa, ou na Internet. E tem mais uma vantagem de até maior conseqüência: economizar energia de origem fóssil reduz a poluição, o efeito estufa, e problemas sociais e de saúde, assim garantindo um mundo melhor para as futuras gerações.


Projeto Residencial


Carlo Federiconi

Projeto residencial realizado em Mandeville Canyon -  Los Angeles.

Carlo Federiconi


Para maiores informações sobre instalações de Sistemas Solares Fotovoltáicos nas áreas de Los Angeles e Ventura Counties - entre em contato com a SOLAR ELETRICAL SYSTEMS
Phone: 805-373-9433 - (California - U.S.A)
- Falar com Greg Johanson.


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