| EVIRT: A Economia brasileira está vivendo atualmente um dos seus
mais críticos momentos, onde a alta dos juros e o desemprego têm sido fatores de grande
preocupação. Que perspectiva o Professor de Economia Cesar Maia poderia apresentar para
o atual quadro?
CESAR
MAIA: Creio que o enfoque do governo e da
oposição está errado. Este enfoque cinge-se à questão fiscal diretamente (governo),
via déficit primário, ou indiretamente (Ciro), via dívida pública. De fato, a questão
dos juros tem relação direta com o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos.
Se houver uma reversão sustentada desta tendência atual, os juros poderão ser reduzidos
e, aí sim, será possível reverter o quadro fiscal.
EVIRT: Com a atitude da moratória e ao aglutinar em torno de si outros
Governadores, Itamar Franco acabou constituindo-se no novo Líder da oposição, deixando
de lado conceituados nomes da esquerda tradicional. Que análise o senhor faz dessa
inusitada situação?
CESAR MAIA: Ainda é prematuro. É um fato conjuntural, por enquanto.
EVIRT: A articulação dos Governadores de Oposição e os compromissos
firmados na Carta de Brasília podem ser a saída para o endividamento dos Estados?
CESAR MAIA: Os governadores não querem pagar nenhuma dívida. Isto já
aconteceu outras vezes.
EVIRT: Enquanto Deputado Federal pela oposição, o Senhor se tornou uma
referência para assuntos econômicos, ouvido e entrevistado sempre que a Economia
brasileira apresentava um novo quadro. Hoje, sua postura tem estado mais próxima ao
Palácio do Planalto. Quem mudou, o Governo, a Oposição ou Cesar Maia?
CESAR MAIA: O que dizem é que minha postura independente me tem criado
problemas a nível federal e que a má vontade durante a campanha eleitoral é exemplo
disto.
EVIRT: Recentemente, na Argentina, o presidente Fernando Henrique falou
da criação de uma moeda única para o Mercosul. Esta declaração soou mais como
Marketing do que como uma visão econômica. Como Economista, o Senhor realmente acredita
que as condições sócio-econômicas dos países que compõem o Mercosul permitem uma
projeção deste porte?
CESAR MAIA: Permitem, embora os desdobramentos só possam ocorrer a longo
prazo, na medida que a unificação de parâmetros macroeconômicos não é tarefa
simples.
EVIRT: A transferência da fábrica da Ford para a Bahia, vitória
política do Senador Antônio Carlos Magalhães sobre o Governador de São Paulo, Mário
Covas, pode indicar um novo lobby para o Nordeste?
CESAR MAIA: Não. Este lobby sempre existiu, mas foi apropriado de forma
privada e concentrada pelas elites nordestinas.
EVIRT: Até que ponto a queda na popularidade de Fernando Henrique
Cardoso beneficia candidatos automáticos à Presidência, como Lula, Ciro Gomes e
estimula o surgimento de outros?
CESAR MAIA: Não beneficia particularmente a ninguém, mas abre prematuramente
a temporada de caça às eleições de 2002.
EVIRT: O que muda no cenário Político do Rio com sua dissidência do
PFL e ingresso no PTB?
CESAR MAIA: O PTB, na cidade do Rio, passa a ser a principal força política
da capital e o PFL se desintegra, sobrevivendo apenas por um ano como máquina
governamental.
EVIRT: Em relação ao Governo do Rio, na sua avaliação, o que tem
sido administrado com competência por Anthony Garotinho?
CESAR MAIA: Não me lembro de um governo tão desnorteado em matéria
administrativa. Neste momento estamos vendo isso. A administração estadual está se
desintegrando. Era de se esperar em função da inexperiência relativa.
EVIRT: E o que tem sido mal administrado?
CESAR MAIA: Simplesmente não há administração. Simplesmente um esforço,
caro, de se manter altas as expectativas, o que vai gerar, em meses, uma enorme
frustração.
EVIRT: A próxima eleição municipal poderá ser uma das mais acirradas
dos últimos tempos. No pleito, poderemos ver, além do seu nome, o Prefeito Conde, pela
reeleição, Benedita da Silva, certamente apoiada pelo Governador do Estado, e Sérgio
Cabral Filho. Imaginando a confirmação desses nomes, que vantagens o senhor levaria
sobre os demais?
CESAR MAIA: Este quadro reproduzirá as eleições de 96. As pesquisas mostram
isto. Sérgio Cabral e Cesar Maia na frente, Benedita um pouco mais atrás e Conde abaixo
dos 10%.
EVIRT: Considerando-o candidato vitorioso, o que mudaria nesta sua
segunda passagem pela Prefeitura carioca?
CESAR MAIA: O grande compromisso é continuar alavancando a reversão da grave
crise que o Rio viveu até a Rio-92. Os detalhes virão da confecção de um programa
aberto e com participação.
EVIRT: O Senhor publicaria um Livro pela Internet?
CESAR MAIA: Com a atividade que tenho, creio que o mais útil seria publicar
artigos sobre assuntos os mais diversos como fiz entre 1997 e 98 no JB.
EVIRT: Que mensagem o Senhor deixaria aos nossos Leitores?
CESAR MAIA: Não há nada melhor na vida que estudar, ler e escrever.
@@@@@@
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