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CESAR MAIA

De Referencial da Oposição a aliado do Planalto.
Quem mudou? o Governo, a Oposição
ou Cesar Maia?

Deputado Federal em dois mandatos e Prefeito do Rio de Janeiro no período 93/96, quando se licenciou para disputar o Governo do Estado sendo derrotado no segundo turno pelo atual Governador Anthony Garotinho, o Professor de Economia Cesar Maia tem o hábito de surpreender por suas decisões. Mas como poucos, sabe atrair a mídia através do total domínio da expressão e dos precisos ataques aos seus adversários políticos. Nesta entrevista exclusiva à EVIRT dá sua opinião sobre diversos temas como: Alta dos Juros, Carta de Brasília e Mercosul. Defende-se da crítica à sua proximidade junto ao Planalto, fala do seu recente ingresso no PTB e prevê a desintegração do PFL e ao analisar o atual quadro do Estado carioca, qualifica de "desnorteado" o Governo de Anthony Garotinho.

EXCLUSIVO


"Não me lembro de um governo tão desnorteado em matéria administrativa. Neste momento estamos vendo isso. A administração estadual está se desintegrando. Era de se esperar em função da inexperiência relativa"  

"Simplesmente não há administração. Simplesmente um esforço, caro, de se manter altas as expectativas, o que vai gerar, em meses, uma enorme frustração".                

 

EVIRT: A Economia brasileira está vivendo atualmente um dos seus mais críticos momentos, onde a alta dos juros e o desemprego têm sido fatores de grande preocupação. Que perspectiva o Professor de Economia Cesar Maia poderia apresentar para o atual quadro?

CESAR MAIA: Creio que o enfoque do governo e da oposição está errado. Este enfoque cinge-se à questão fiscal diretamente (governo), via déficit primário, ou indiretamente (Ciro), via dívida pública. De fato, a questão dos juros tem relação direta com o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos. Se houver uma reversão sustentada desta tendência atual, os juros poderão ser reduzidos e, aí sim, será possível reverter o quadro fiscal.

EVIRT: Com a atitude da moratória e ao aglutinar em torno de si outros Governadores, Itamar Franco acabou constituindo-se no novo Líder da oposição, deixando de lado conceituados nomes da esquerda tradicional. Que análise o senhor faz dessa inusitada situação?

CESAR MAIA: Ainda é prematuro. É um fato conjuntural, por enquanto.

EVIRT: A articulação dos Governadores de Oposição e os compromissos firmados na Carta de Brasília podem ser a saída para o endividamento dos Estados?

CESAR MAIA: Os governadores não querem pagar nenhuma dívida. Isto já aconteceu outras vezes.

EVIRT: Enquanto Deputado Federal pela oposição, o Senhor se tornou uma referência para assuntos econômicos, ouvido e entrevistado sempre que a Economia brasileira apresentava um novo quadro. Hoje, sua postura tem estado mais próxima ao Palácio do Planalto. Quem mudou, o Governo, a Oposição ou Cesar Maia?

CESAR MAIA: O que dizem é que minha postura independente me tem criado problemas a nível federal e que a má vontade durante a campanha eleitoral é exemplo disto.

EVIRT: Recentemente, na Argentina, o presidente Fernando Henrique falou da criação de uma moeda única para o Mercosul. Esta declaração soou mais como Marketing do que como uma visão econômica. Como Economista, o Senhor realmente acredita que as condições sócio-econômicas dos países que compõem o Mercosul permitem uma projeção deste porte?

CESAR MAIA: Permitem, embora os desdobramentos só possam ocorrer a longo prazo, na medida que a unificação de parâmetros macroeconômicos não é tarefa simples.

EVIRT: A transferência da fábrica da Ford para a Bahia, vitória política do Senador Antônio Carlos Magalhães sobre o Governador de São Paulo, Mário Covas, pode indicar um novo lobby para o Nordeste?

CESAR MAIA: Não. Este lobby sempre existiu, mas foi apropriado de forma privada e concentrada pelas elites nordestinas.

EVIRT: Até que ponto a queda na popularidade de Fernando Henrique Cardoso beneficia candidatos automáticos à Presidência, como Lula, Ciro Gomes e estimula o surgimento de outros?

CESAR MAIA: Não beneficia particularmente a ninguém, mas abre prematuramente a temporada de caça às eleições de 2002.

EVIRT: O que muda no cenário Político do Rio com sua dissidência do PFL e ingresso no PTB?

CESAR MAIA: O PTB, na cidade do Rio, passa a ser a principal força política da capital e o PFL se desintegra, sobrevivendo apenas por um ano como máquina governamental.

EVIRT: Em relação ao Governo do Rio, na sua avaliação, o que tem sido administrado com competência por Anthony Garotinho?

CESAR MAIA: Não me lembro de um governo tão desnorteado em matéria administrativa. Neste momento estamos vendo isso. A administração estadual está se desintegrando. Era de se esperar em função da inexperiência relativa.

EVIRT: E o que tem sido mal administrado?

CESAR MAIA: Simplesmente não há administração. Simplesmente um esforço, caro, de se manter altas as expectativas, o que vai gerar, em meses, uma enorme frustração.

EVIRT: A próxima eleição municipal poderá ser uma das mais acirradas dos últimos tempos. No pleito, poderemos ver, além do seu nome, o Prefeito Conde, pela reeleição, Benedita da Silva, certamente apoiada pelo Governador do Estado, e Sérgio Cabral Filho. Imaginando a confirmação desses nomes, que vantagens o senhor levaria sobre os demais?

CESAR MAIA: Este quadro reproduzirá as eleições de 96. As pesquisas mostram isto. Sérgio Cabral e Cesar Maia na frente, Benedita um pouco mais atrás e Conde abaixo dos 10%.

EVIRT: Considerando-o candidato vitorioso, o que mudaria nesta sua segunda passagem pela Prefeitura carioca?

CESAR MAIA: O grande compromisso é continuar alavancando a reversão da grave crise que o Rio viveu até a Rio-92. Os detalhes virão da confecção de um programa aberto e com participação.

EVIRT: O Senhor publicaria um Livro pela Internet?

CESAR MAIA: Com a atividade que tenho, creio que o mais útil seria publicar artigos sobre assuntos os mais diversos como fiz entre 1997 e 98 no JB.

EVIRT: Que mensagem o Senhor deixaria aos nossos Leitores?

CESAR MAIA: Não há nada melhor na vida que estudar, ler e escrever.

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