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Nelcides Raymundo Entrevista
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MAURÍCIO DA SILVA

Professor, Escritor e Coordenador
do Projeto Vivavida Com Paz.

Violências nas Escolas

Aos 49 anos, casado, pai de 2 filhos, Maurício da Silva é um bem sucedido professor de Matemática, Física e Ciências. Já lecionou em várias escolas e cursos conhecidos em São Paulo. Este mineiro radicado em Santos poderia estar simplesmente desfrutando os benefícios do seu trabalho. Entretanto, descobriu que tinha algo muito mais importante a fazer. Reuniu seus conhecimentos, observações e experiências principalmente em relação aos jovens, com quem tem tido contato diário ao longo dos seus 22 anos de magistério e transformou em livros. Inicialmente, lançou aqui pela EVIRT "Violência nas Escolas, Caos na Sociedade", onde aborda um tema que tem ocupado os nossos noticiários;agora lança sua segunda Obra: Violência, o Desafio da Paz!

Defensor entusiástico da Pedagogia revolucionária do Fundador da Gnosis Contemporânea, Samael Aun Weor, (1917-1977) - quem coloca numa relação de mestres da humanidade ao lado de Jesus Cristo, Buda e Mahatma Gandi, entre outros, concomitante com o seu trabalho literário criou o Projeto VIVAVIDA COM PAZ – Um Movimento de Solidariedade, através do qual propõe um Projeto Mundial de Combate à Violência Generalizada. E é justamente sobre este Movimento e suas pretensões que fizemos questão de ouvi-lo.

 

EVIRT: Professor Maurício, como e quando surgiu a idéia do VIVAVIDA COM PAZ?

MAURÍCIO: A idéia surgiu em maio, após conhecer a EVIRT, ler um artigo no jornal A Tribuna de Santos acerca de um movimento daqui, de mães que tiveram seu filhos vitimados pela violência, denominado VIDAVIVA e do ideal de trabalhar integradamente na tarefa de construção da paz.

EVIRT: Qual é a pretensão deste Movimento?

MAURÍCIO: Aglutinar pessoas e instituições afins, que possuam o desejo de construir a paz através do combate às causas da violência. Trabalhar gratuitamente em prol da melhoria de qualidade da massa humana, elevando o nível de consciência, de compreensão, de solidariedade entre os seres humanos; lutar para resgatar os valores éticos, morais e espirituais perdidos e divulgar a Psicologia Revolucionária do VM. Samael.

EVIRT: A Paz Mundial é um sonho que pode ser tornar realidade ou será sempre vista pela ótica da utopia?

MAURÍCIO: A paz sempre será um sonho utópico para quem não dissolver dentro de si mesmo os germes da violência contidos no ego. A paz é um estado de espirito produzido pela ausência de atuação dos "eus". A paz é algo a ser construído dentro de cada um de nós através dos três fatores de revolução da consciência. Ela não surge do nada, casualmente, como supõem. Portanto, a paz mundial seria realidade se cada um de nós se transformasse internamente. Porque a massa social é soma dos indivíduos e cada indivíduo é o reflexo da massa.

EVIRT: No livro Violências nas Escolas, Caos na Sociedade, o Senhor se refere ao Lar como a base da Paz. Na sua opinião, quem tem falhado? A Família, as Autoridades ou a Sociedade?

MAURÍCIO: Dialeticamente, a família é a base de sustentação da sociedade, de onde emergem as autoridades e ambas se sustentam na educação e se realimentam reciprocamente. A falha é do sistema educacional, que não tem tido, ao longo da história da humanidade, condição de transformar o educando, por não possuir um currículo fundamentado nos fatores de revolução da consciência. Daí a família se desfez, as autoridades se corromperam e a sociedade está em franca decomposição.

EVIRT: Quais são os passos iniciais rumo à sonhada Paz mundial?

MAURÍCIO: Tomar consciência do estado caótico que nos encontramos atualmente no beco-sem-saída que a violência nos deixou. Sentir vontade de mudar radicalmente a si mesmo,  eliminar os agentes internos da violência, criar as virtudes da paz e trabalhar gratuita e intensivamente para ensinar esta didática de construção da paz aos demais.

EVIRT: Que outros Movimentos, no seu entender, têm contribuído também neste objetivo?

MAURÍCIO: Os movimentos de regeneração do ser humano, que concretamente possuam os três fatores de revolução da consciência, como o Movimento Gnóstico, por exemplo.

EVIRT: Sua vida tem sido dedicada ao Magistério, o que lhe dá uma grande bagagem para falar de cadeira sobre a violência nas Escolas. Que perfil pode ser traçado sobre os jovens que têm feito da violência uma prática mais que natural ?

MAURÍCIO: Através da entropia, vão buscando níveis cada vez mais baixo; falando socrasticamente, estão em franca degeneração humana, em decadência progressiva do nível de consciência. Há que se dizer que existem vários tipos de violência, que podem ser agrupados em evidente e sutil. Os crimes absurdos de morte, uso de drogas, pichação, depredação do patrimônio escolar, etc. constituem o tipo de violência evidente, não menos grave que a violência sutil das agreções verbais dos alunos aos professores e aos funcionários da escola, o desrespeito para com professores, diretores, funcionários e a indisciplina generalizada que é o próprio ego em ação no interior de uma sala da aula.

EVIRT: Quando vemos um novo caso de violência como os dos jovens estudantes americanos, temos a impressão de estarmos diante de um replay. A seu ver, o que tem determinado estes repetitivos acontecimentos?

MAURÍCIO: Há uma lei cósmica chamada entropia, muito conhecida para nós que estudamos física, de igualação de todas as coisas para baixo. E há a sua oponente chamada lei das oitavas ou do sacrifício de igualação de todas as coisas para cima. Infelizmente, é mais fácil ir para baixo do que para cima, porque é automático. Por exemplo, os alunos justificam a seus responsáveis que fazem bagunça na escola, revidam às agressões, desrespeitam ao Professor porque a maioria da classe faz isto também. É a lei da entropia agindo na energia psíquica destes alunos. É mais fácil para eles imitarem o mal. É muito difícil alguém dizer à sua mãe que está fazendo a lição, respeitando, etc. porque há na classe outros que fazem isto também. A mesma coisa acontece com os degenerados da criminalidade nas escolas, coadjuvados pelas informações da mídia que, ao divulgar um crime, revela a estes as técnicas e as estratégias para construção dos próximos crimes.

EVIRT: As desigualdades sociais que poucos conseguem administrár não constituem um fator determinante, principalmente aos jovens?

MAURÍCIO: Mahatima Gandhi dizia que a pobreza é a pior violência. Concordo com ele, acrescentando: a pobreza é a pior violência e os responsáveis por ela, os dententores do poderio econômico e político, os maiores criminosos do planeta, por instituírem e reproduzirem articuladamente este crime, por causa do egoísmo descomedido.

EVIRT: Que País ou Países têm administrado bem esta questão?

MAURÍCIO: Como disse o Dr. Samael "Os seres humanos sempre estiveram entre dois monstros: de um lado, o capitalismo e do outro, o socialismo". Devido à hipertrofiação do ego, os países que tentam administrar bem esta questão o fazem ao custo de sacrifício de outros países, retirando de outras nações mais pobres aquilo que precisam.

EVIRT: E o Projeto sobre a proibição de venda de armas?

MAURÍCIO: Serve para o momento. É uma maneira paliativa de combater a violência no efeito, para quem não consegue combatê-la na causa, com educação de transformação do ente humano, para reconquista dos valores éticos de solidificação de um povo, de uma nação, por meio de cultura de construção da paz. O melhor e mais seguro seria um Projeto de destruição das armas internas, de estados psicológicos inumanos, que conduzem o doente da alma à compra de uma arma. O armamento de um homem, de um povo, de uma nação, é proporcional ao seu medo e ignorância.

EVIRT: Até que ponto brinquedos no estilo de arma, Videogames agressivos e filmes violentos incentivam a pratica da violência?

MAURÍCIO: Criam representações psíquicas ou efígies mentais nos seus usuários, inculcando-lhes estados psicológicos equivocados de indução às ações de violência.

EVIRT: Que contribuição o VIVAVIDA COM PAZ pode trazer aos nossos Jovens?

MAURÍCIO: Pode levá-los à compreensão do estado caótico que estamos vivendo, devido ao beco-sem-saída que a violência nos deixa. E daí, apontar-lhe o caminho para liberdade, através da construção da ponte para paz, por meio da Psicologia Revolucionária do Dr. Samael.

EVIRT: Se o VIVAVIDA tivesse que ser representado por uma personalidade da história mundial, quem seria?

MAURÍCIO: Joaquim Henrique Amórtegui Valbuena, VM. Rabolú.

EVIRT: No seu novo Livro, Violência, o Desafio da Paz, o senhor intensifica sua cruzada em prol da Paz, desta vez saindo do foco das escolas e indo ao âmago da violência mundial. Qual das duas situações é mais complexa?

MAURÍCIO: A violência nas escolas é mais complexa. Porque a violência mundial só poderia ser equacionada através de uma educação que formasse uma sociedade mais justa, mais igualitária, edificada sobre os valores éticos, valores de empatia, de altruísmo, etc.

EVIRT: O que deve fazer quem quiser participar do VIVIVIDA?

MAURÍCIO: Trabalhar intensivamente sobre si mesmo para eliminar o ego causador da violência; fazer germinar a semente da paz e gratuitamente trabalhar para que nossos semelhantes encontrem a paz. Entrar em contato com o VIVAVIDA. Há em meu livro, VIOLÊNCIA, O DESAFIO DA PAZ, uma relação bibliográfica e um projeto de como trabalhar pela paz.

EVIRT: Que mensagem o Senhor deixaria aos nossos Leitores?

MAURÍCIO: Vivemos num universo de causa e efeito, onde todos nós somos ao mesmo tempo co-autores e vítimas da violência; se não combatermos as causas desta, a ocorrência dos efeitos se constituirá num dado certo e as conseqüências serão nefastas. Somente com a participação ativa de cada um de nós, articulada na mobilização da Sociedade para o combate às causas da violência, é que podemos construir a Paz. O Movimento de Solidariedade da Internet "VIVAVIDA COM PAZ" convida-o(a) a participar da campanha mundial: Violência, Não!

 

  

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