| EVIRT: Professor Maurício, como e
quando surgiu a idéia do VIVAVIDA COM PAZ? MAURÍCIO: A idéia surgiu em maio, após conhecer
a EVIRT, ler um artigo no jornal A Tribuna de Santos acerca de um
movimento daqui, de mães que tiveram seu filhos vitimados pela violência, denominado
VIDAVIVA e do ideal de trabalhar integradamente na tarefa de construção da paz.
EVIRT: Qual
é a pretensão deste Movimento?
MAURÍCIO:
Aglutinar pessoas e instituições afins, que possuam o desejo de construir a paz através
do combate às causas da violência. Trabalhar gratuitamente em prol da melhoria de
qualidade da massa humana, elevando o nível de consciência, de compreensão, de
solidariedade entre os seres humanos; lutar para resgatar os valores éticos, morais e
espirituais perdidos e divulgar a Psicologia Revolucionária do VM. Samael.
EVIRT: A Paz
Mundial é um sonho que pode ser tornar realidade ou será sempre vista pela ótica da
utopia?
MAURÍCIO: A paz
sempre será um sonho utópico para quem não dissolver dentro de si mesmo os germes da
violência contidos no ego. A paz é um estado de espirito produzido pela ausência de
atuação dos "eus". A paz é algo a ser construído dentro de cada um
de nós através dos três fatores de revolução da consciência. Ela não surge do nada,
casualmente, como supõem. Portanto, a paz mundial seria realidade se cada um de nós se
transformasse internamente. Porque a massa social é soma dos indivíduos e cada
indivíduo é o reflexo da massa.
EVIRT: No livro Violências nas Escolas, Caos na Sociedade, o
Senhor se refere ao Lar como a base da Paz. Na sua opinião, quem tem falhado? A Família,
as Autoridades ou a Sociedade?
MAURÍCIO:
Dialeticamente, a família é a base de sustentação da sociedade, de onde emergem as
autoridades e ambas se sustentam na educação e se realimentam reciprocamente. A falha é
do sistema educacional, que não tem tido, ao longo da história da humanidade, condição
de transformar o educando, por não possuir um currículo fundamentado nos fatores de
revolução da consciência. Daí a família se desfez, as autoridades se corromperam e a
sociedade está em franca decomposição.
EVIRT: Quais
são os passos iniciais rumo à sonhada Paz mundial?
MAURÍCIO: Tomar
consciência do estado caótico que nos encontramos atualmente no beco-sem-saída que a
violência nos deixou. Sentir vontade de mudar radicalmente a si mesmo, eliminar os
agentes internos da violência, criar as virtudes da paz e trabalhar gratuita e
intensivamente para ensinar esta didática de construção da paz aos demais.
EVIRT: Que outros Movimentos, no seu entender, têm contribuído também
neste objetivo?
MAURÍCIO: Os
movimentos de regeneração do ser humano, que concretamente possuam os três fatores de
revolução da consciência, como o Movimento Gnóstico, por exemplo.
EVIRT: Sua vida tem sido dedicada ao Magistério, o que lhe dá uma
grande bagagem para falar de cadeira sobre a violência nas Escolas. Que perfil pode ser
traçado sobre os jovens que têm feito da violência uma prática mais que natural ?
MAURÍCIO: Através
da entropia, vão buscando níveis cada vez mais baixo; falando socrasticamente, estão em
franca degeneração humana, em decadência progressiva do nível de consciência. Há que
se dizer que existem vários tipos de violência, que podem ser agrupados em evidente e
sutil. Os crimes absurdos de morte, uso de drogas, pichação, depredação do patrimônio
escolar, etc. constituem o tipo de violência evidente, não menos grave que a violência
sutil das agreções verbais dos alunos aos professores e aos funcionários da escola, o
desrespeito para com professores, diretores, funcionários e a indisciplina generalizada
que é o próprio ego em ação no interior de uma sala da aula.
EVIRT: Quando vemos um novo caso de violência como os dos jovens
estudantes americanos, temos a impressão de estarmos diante de um replay. A seu ver, o
que tem determinado estes repetitivos acontecimentos?
MAURÍCIO: Há
uma lei cósmica chamada entropia, muito conhecida para nós que estudamos física, de
igualação de todas as coisas para baixo. E há a sua oponente chamada lei das oitavas ou
do sacrifício de igualação de todas as coisas para cima. Infelizmente, é mais fácil
ir para baixo do que para cima, porque é automático. Por exemplo, os alunos justificam a
seus responsáveis que fazem bagunça na escola, revidam às agressões, desrespeitam ao
Professor porque a maioria da classe faz isto também. É a lei da entropia agindo na
energia psíquica destes alunos. É mais fácil para eles imitarem o mal. É muito
difícil alguém dizer à sua mãe que está fazendo a lição, respeitando, etc. porque
há na classe outros que fazem isto também. A mesma coisa acontece com os degenerados da
criminalidade nas escolas, coadjuvados pelas informações da mídia que, ao divulgar um
crime, revela a estes as técnicas e as estratégias para construção dos próximos
crimes.
EVIRT: As desigualdades sociais que poucos conseguem administrár não
constituem um fator determinante, principalmente aos jovens?
MAURÍCIO: Mahatima
Gandhi dizia que a pobreza é a pior violência. Concordo com ele, acrescentando: a
pobreza é a pior violência e os responsáveis por ela, os dententores do poderio
econômico e político, os maiores criminosos do planeta, por instituírem e reproduzirem
articuladamente este crime, por causa do egoísmo descomedido.
EVIRT: Que País ou Países têm administrado bem esta questão?
MAURÍCIO: Como
disse o Dr. Samael "Os seres humanos sempre estiveram entre dois monstros: de um
lado, o capitalismo e do outro, o socialismo". Devido à hipertrofiação do
ego, os países que tentam administrar bem esta questão o fazem ao custo de sacrifício
de outros países, retirando de outras nações mais pobres aquilo que precisam.
EVIRT: E o Projeto sobre a proibição de venda
de armas?
MAURÍCIO: Serve para o
momento. É uma maneira paliativa de combater a violência no efeito, para quem não
consegue combatê-la na causa, com educação de transformação do ente humano, para
reconquista dos valores éticos de solidificação de um povo, de uma nação, por meio de
cultura de construção da paz. O melhor e mais seguro seria um Projeto de destruição
das armas internas, de estados psicológicos inumanos, que conduzem o doente da alma à
compra de uma arma. O armamento de um homem, de um povo, de uma nação, é proporcional
ao seu medo e ignorância.
EVIRT: Até que ponto brinquedos no estilo de arma, Videogames agressivos
e filmes violentos incentivam a pratica da violência?
MAURÍCIO: Criam
representações psíquicas ou efígies mentais nos seus usuários, inculcando-lhes
estados psicológicos equivocados de indução às ações de violência.
EVIRT: Que contribuição o VIVAVIDA COM PAZ pode trazer aos nossos
Jovens?
MAURÍCIO: Pode
levá-los à compreensão do estado caótico que estamos vivendo, devido ao
beco-sem-saída que a violência nos deixa. E daí, apontar-lhe o caminho para liberdade,
através da construção da ponte para paz, por meio da Psicologia Revolucionária do Dr.
Samael.
EVIRT: Se o VIVAVIDA tivesse que ser representado por uma personalidade
da história mundial, quem seria?
MAURÍCIO: Joaquim
Henrique Amórtegui Valbuena, VM. Rabolú.
EVIRT: No seu novo Livro, Violência, o Desafio da Paz, o senhor
intensifica sua cruzada em prol da Paz, desta vez saindo do foco das escolas e indo ao
âmago da violência mundial. Qual das duas situações é mais complexa?
MAURÍCIO: A
violência nas escolas é mais complexa. Porque a violência mundial só poderia ser
equacionada através de uma educação que formasse uma sociedade mais justa, mais
igualitária, edificada sobre os valores éticos, valores de empatia, de altruísmo, etc.
EVIRT: O que deve fazer quem quiser participar do VIVIVIDA?
MAURÍCIO: Trabalhar
intensivamente sobre si mesmo para eliminar o ego causador da violência; fazer germinar a
semente da paz e gratuitamente trabalhar para que nossos semelhantes encontrem a paz. Entrar
em contato com o VIVAVIDA. Há em meu livro, VIOLÊNCIA, O DESAFIO DA PAZ, uma
relação bibliográfica e um projeto de como trabalhar pela paz.
EVIRT: Que mensagem o Senhor deixaria aos nossos Leitores?
MAURÍCIO: Vivemos num universo de
causa e efeito, onde todos nós somos ao mesmo tempo co-autores e vítimas da violência;
se não combatermos as causas desta, a ocorrência dos efeitos se constituirá num dado
certo e as conseqüências serão nefastas. Somente com a participação ativa de cada um
de nós, articulada na mobilização da Sociedade para o combate às causas da violência,
é que podemos construir a Paz. O Movimento de Solidariedade da Internet "VIVAVIDA
COM PAZ" convida-o(a) a participar da campanha mundial: Violência, Não!
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