|
Nelcides
Raymundo Entrevista
|
Outubro
2002
|
|
Wendel
Antunes
Atleta
Profissional
A
Revelação Friburguense |
|
|
Ele iniciou sua carreira no Futebol de Salão,
atuando pelo Vasco da Gama. A seguir, jogou no Grajaú
Country e no Clube de Regatas Flamengo, onde foi testado
no Futebol de Campo como lateral-esquerdo. A aprovação
confirmou-se com a conquista do tricampeonato Carioca
de Futebol Mirim (87-88-89), que lhe valeu, em 1990,
a merecida convocação para a Seleção
Brasileira Infantil. Transferido para o futebol paulista,
permaneceu por dois anos no São Paulo Futebol
Clube.
De
volta ao Rio, foi promovido a júnior pelo Friburguense,
tendo seu primeiro contrato profissional assinado para
a disputa do Campeonato Estadual, no biênio 95/96,
despontando como "A Revelação Friburguense".
Em 1997, foi contratado pelo Volta Redonda, clube pelo
qual disputou o Estadual e a Série "B"
do Campeonato Brasileiro, sendo apontado como o melhor
de sua posição. No ano seguinte, retornou
ao Friburguense para posteriormente estrear no CFZ (Clube
de Futebol Zico), mas, a exemplo do que tem ocorrido
com muitos talentosos jogadores profissionais, não
ficou de fora da impiedosa clise econômica que
afeta grande parte dos clubes nacionais e, até
mesmo, consagradas equipes internacionais.
Tem
sido sondado por alguns clubes brasileiros e, enquanto
aguarda com ansiedade seu retorno aos gramados, prepara
seu web site. Neste clima de grandes perspectivas, concedeu
à EVIRT esta entrevista em que expressa de forma
clara seu conceito sobre a carreira de jogador de futebol
em nosso País.
|
|
|
|
"Eu
ainda estava nos juniores do Friburguense. O jogo era pelo
campeonato estadual contra o Fluminense. Aos 38 minutos do
segundo tempo, o juiz entendeu que eu tinha colocado a mão
na bola e marcou um pênalti. A partida já estava quase terminando
quando, aos 45 minutos, cobrei uma falta e fiz o gol de empate.
Para mim foi uma emoção só."
|
EVIRT-EDITORA
VIRTUAL:
O
início de sua carreira seguiu uma trajetória que tem
se tornado comum: a passagem das quadras de salão para o
campo. Até que ponto o futsal contribuiu nessa transição?
WENDEL
ANTUNES: Através do futsal, comecei a ser conhecido devido
aos clubes que joguei e aos títulos conquistados. E o mais
importante é a técnica, a habilidade que você
adquire.
EVIRT: Que jogador foi sua fonte de inspiração?
WENDEL:
Quando a gente começa a jogar, se inspira em vários
jogadores, como Zico, Júnior e outros, mas depois você
começa a observar pela posição que joga. Eu
sempre olhava o Leonardo, ex-flamengo, e Milan.
EVIRT:
No Friburguense, de júnior, você foi promovido
para o time principal, assinando seu primeiro contrato profissional
e, na disputa do Campeonato Estadual, despontou como uns dos principais
jogadores, sendo chamado de
"A Revelação Friburguense".
O que representou esse momento em sua carreira?
WENDEL:
Para mim. foi muito bom, porque você trabalha pensando
em fazer um bom campeonato e, como fui
a revelação,
significa que o trabalho saiu melhor do que o esperado. Mas o importante
é não deixar isso subir à cabeça.
EVIRT: Em 1997, pelo Volta Redonda, durante o Campeonato Brasileiro
- Série B - você foi considerado o melhor na sua posição.
O que houve a partir daí?
WENDEL:
Não aconteceu muita coisa, mas, graças a Deus,
continuei trabalhando em outros clubes, o que foi o mais importante
para mim.
EVIRT:
Quando terminou seu contrato com o CFZ, você esteve na Europa
numa excursão promovida por empresários, na qual jogou
amistosos na Itália e na Bélgica. Como foi esse evento?
WENDEL:
Foi bom, porque o objetivo é você se destacar nos
jogos e, quem sabe, poder assinar um contrato na Europa. Eu e outros
jogadores fomos bem, mas, como acontece na maioria das vezes, na
hora de chegar no acordo, não deu certo.
EVIRT:
No seu retorno ao Friburguense, o Comentarista Mano, na coluna Esporte
Total, mencionou que como lateral-esquerdo você demonstrava
muita experiência no desarme, na armação de
jogadas e principalmente nos cruzamentos à área. Hoje,
como está sua técnica, comparada àquele período?
WENDEL:
Bem melhor! Joguei todas as categorias de base e isto, para
um atleta, é muito importante, e a cada treino e jogos você
tem que se aprimorar. Isto é uma coisa que tenho sempre em
mente.
EVIRT:
Dentro de campo, qual foi sua maior emoção? Que
momento de sua carreira você destacaria como o mais marcante
até o presente?
WENDEL:
Eu ainda estava nos juniores do Friburguense. O jogo era pelo
campeonato estadual contra o Fluminense. Aos 38 minutos do segundo
tempo, o juiz entendeu que eu tinha colocado a mão na bola
e marcou um pênalti. A partida já estava quase terminando
quando, aos 45 minutos, cobrei uma falta e fiz o gol de empate.
Para mim foi uma emoção só.
EVIRT:
Muitas pessoas têm idéia de que a carreira de jogador
de futebol é sempre fácil e vitoriosa, mas nem sempre
é assim, não é mesmo?
WENDEL:
É verdade! As pessoas vêem você com carro
do ano e ganhando um bom salário, mas não vêem
que, na maioria das vezes, você fica longe da família,
passa por várias situações que acontecem no
dia-a-dia. Mas quando se quer vencer na vida, você tem que
superar todas as dificuldades.
|
|
"Hoje
em dia, os clubes passam por grandes problemas financeiros
e, às vezes, chegam a ficar em dívida com atletas.
Tornando empresa, será bom tanto para o atleta quanto
para eles próprios porque os dirigentes terão
uma responsabilidade maior para administrar".
|
EVIRT: A Lei que cria o Clube-Empresa pode mudar a administração
do Futebol brasileiro?
WENDEL: Certamente! Hoje em dia, os clubes passam por grandes problemas
financeiros e, às vezes, chegam
a ficar em dívida
com atletas. Tornando empresa, será bom tanto para o atleta
quanto para eles próprios porque os dirigentes terão
uma responsabilidade maior para administrar.
EVIRT: E a Lei do Passe Livre? Contribui ou prejudica o atleta?
WENDEL: Para uns, foi bom, para outros não. Isso porque o jogador
famoso que tem o passe livre no final do contrato sai de um clube
e vai para outro tranqüilo; mas se ele não for conhecido,
será mais difícil. Por isso é melhor ser jogador
do clube ou de algum empresário.
EVIRT: A crise
econômica tem sido a grande vilã na exclusão
de grandes talentos do Futebol brasileiro, mas temos visto também
seus reflexos em conceituados clubes internacionais, obrigando-os
a repensarem sua política de contratações.
O que está acontecendo?
WENDEL: O que acontece é a crise financeira em que os clubes
se encontram. O clube, antes de contratar,
tem que saber se vai
conseguir pagar o atleta para depois não cair no poço
de dívida. É por isso que, quando aparece um grande
jogador no Brasil, o clube não consegue mantê-lo. O
salário sobe de tal forma que os dirigentes não têm
mais de onde tirar para pagar o atleta. É por isso que acontece
a transferência para o Exterior.
EVIRT: Qual é
seu objetivo imediato?
WENDEL: É fazer bons campeonatos e, se Deus quiser, assinar um
contrato com uma boa equipe para que eu possa disputar várias
competições e conquistar muitos títulos.
EVIRT: E o objetivo
posterior?
WENDEL: Sempre foi um só. Ajudar principalmente meus familiares,
minha mãe e
meus irmãos, que sempre me incentivaram. E também
colaborar, de alguma forma, com crianças carentes e idosos,
é o que eu mais quero.
EVIRT: Como você
analisa a chegada de clubes considerados "pequenos" às
finais dos principais campeonatos do País e até a Libertadores?
WENDEL: Acho que hoje não existe mais time pequeno, basta a equipe
trabalhar sério e ter garra e vontade de vencer. A única
diferença entre o time grande e o considerado pequeno é
o salário, mas quando entra em campo, são 11 contra
11 e ganha quem tiver mais garra.
EVIRT: A surpreendente
presença das Seleções Japonesa e Turca nas
quartas-de-final da última Copa do Mundo levou alguns analistas
esportivos a desenharem uma nova geografia futebolística
mundial. Você acha que o cenário tradicional está
mesmo mudando?
WENDEL: Claro que não! O Brasil sempre será o cenário
tradicional do Futebol e quando se trabalha sério, as coisas
ficam mais fáceis. Os outros países estão se aprimorando
cada vez mais e isso é bom para o Futebol mundial. Mas a
técnica e a agilidade dos jogadores brasileiros não
tem igual.
EVIRT: A história
tem exemplos de jogadores de indiscutível talento que não
atingiram o esperado sucesso, ao passo que outros alcançaram
reconhecimento sem terem o mesmo retrospecto esportivo. O que é
determinante nesses casos?
WENDEL: No futebol, tem coisas que às vezes nem a gente, que
está dentro, entende. Tem jogador que passa por
todas as categorias de base e tem tudo para arrebentar no time profissional
e não acontece. Outros, que
só jogaram nos juniores, chegam ao sucesso.
A chance que um tem e outros não,
no meio do Futebol, é muito difícil de se explicar
e é numa dessas que às vezes, você perde uma grande
oportunidade.
EVIRT: Que orientação
você daria ao jovem em início de carreira?
WENDEL: Que, se realmente é isso que querem, trabalhem sério.
A vida de jogador de futebol não é fácil, você
tem que ter muita força de vontade para superar todas as
dificuldades. E o mais importante: nunca deixem de estudar, porque
a carreira do jogador de futebol é curta.
@@@@@
Wendel
Antunes - www.wendelantunes.kt.net
|
|